quinta-feira, julho 19, 2007

A pergunta maldita!

Então durante todo esse tempo que eu venho gastando meu guarda-roupa pra trabalhar, eu tinha me recusado a investigar a coisa mais importante sobre o Motivo. A razão não era outra se não o medo da resposta. A pergunta seria sobre a disponibilidade do rapaz!
Eu trabalho com uma estagiaria muito estranha. Uma garota muito nerd, no sentido ruim da palavra. A garota é do Canadá, ta aqui fazendo mestrado em cinema e é estagiaria no meu filme. Ela se acha hiper-qualificada pro trabalho dela e não perde oportunidade de ser grossa com qualquer pessoa nova que comece a trabalhar e não seja do alto escalão. Eu já tava de saco cheio da grosseria dela quando eu resolvi contar pro meu chefe que ela geralmente ignorava qualquer coisa que eu pedisse pra ela fazer. Eu pensei muito, por que se de um lado eu estava com medo da falta de comunicação afetar meu trabalho, de outro, eu não queria parecer implicante. Adiei a conversa com meu chefe e apelei pra última chance que eu tinha. O plano era simples: eu tinha que fazer aquela lambisgóia que me odiava por motivo nem um, passar a me amar. Dei um jeito de me mandarem pra rua pra comprar coisas, como ela é a motorista, isso me daria umas boas horas presa no trânsito de NY pra dar um sondada na garota, que tem 25 mas se comporta como uma de 13.
Algumas coisas são difíceis de resistir, e se tem uma coisa de que mulher gosta, isso é falar. Eu pensei, era só eu dar um jeito de abrir a torneira, quando ela começasse a falar, era só eu fazer a segunda coisa que mulher mais gosta depois de falar: ser ouvida.
Fiz um comentário displicente sobre um homem feio na rua e disse que eu estava com preguiça de ser solteira. Foi a desculpa pra ela me fazer meio par de perguntas. Respondi a todas e perguntei: “ E você tem namorado?”
Bastaram os 3 primeiros minutos pra eu perceber que meu plano ia muito bem, eu já tinha aberto o canal de comunicação, agora ela fazer ela me amar! Isso era mais fácil que beijar no carnaval! Só falar mal dos ex-namorados que tinham largado ela, confirmar quando ela dizia que os homens não agüentam mulheres independentes, e pular pro terceiro passo. Esse era um pouco mais complexo já tinha exigido um pouco de tempo analisando a coisa. Eu percebi um dia, quando eu estava no escritório, ela ficando toda - toda pro lado de um outro estagiário quando ele entrou na sala. Ai, era batata! Perguntei sobre o garoto, ela disse que ficou impressionada que eu reparei. Falei que achava que eles fazia um casal fofo, o que é uma grande mentira, por que o garoto é bonitinho e ela, um desengonso só. Depois dessa, missão cumprida! Ela me amava. Foi tão impressionante que parecia que eu tinha lido aquele livro: “ Como fazer amigos e influenciar pessoas”.
Com a garota agora me dando beijos e braços e sempre oferecendo ajuda toda hora que estava sem fazer nada, eu podia trabalhar em paz, a única parte ruim era ter que conversar sempre com ela. A garota fala o tempo inteiro e sempre tem alguma coisa presa no meio dos dentes, um nojo de olhar, mas enfim...
Foi durante outras boas horas de tráfego presa com ela no carro que eu resolvi descobrir a verdade sobre o Motivo. Ela havia começado a trabalhar no escritório bem no começo do filme, quando tinha bem menos gente no escritório e o Motivo era bem menos ocupado. Achei que ela poderia saber algo. Conduzi a conversa de uma forma tão displicente que eu fiquei impressionada comigo mesma, na minha cabeça só passava a frase: Como fazer amigos e influenciar pessoas.... Fiz com que ela cuspisse a verdade se nem perceber, mas a verdade era devastadora: o Motivo tem namorada.
Fiquei um tempo calada depois dessa descoberta. Fiquei pensando o que eu iria fazer. Manter a lembrança do ex-namorido longe da minha cabeça sem o Motivo ia ser dose, principalmente por que o ex-namorido andava igual mosca de padaria.
Resolvi que não ia fazer nada, o cão que vai se meter no meio do namoro alheio, mas resolvi manter a postura e o figurino, afinal, eu não sabia nada desse namoro, se era sério, se ia durar. Quem pode garantir que a mulher não é uma mocreia chata? Melhor ainda, quem pode garantir, que mesmo sem eu fazer nada ele não possa se apaixonar por mim, e largar a mocreia chata e viver feliz pra sempre comigo?
Passaram-se dias e eu mal falei com o Motivo, pra piorar situação esse outro carinha no escritório começou a dar em cima de mim. Só o que me faltava, eu pensei, se ele for amigo do Motivo, eu estaria ferrada. O Indesejável apareceu no escritório com o panfleto da festa do filme. Era a festa de encerramento da pré-produção, antes de se iniciarem as filmagens. Era a chance de conversar com o Motivo se o Indesejável não pegasse no meu pé.
Tudo muito bom, tudo muito bem mas... minhas amigas que estariam me visitando por duas semanas em NY chegariam na sexta, e a festa era no sábado. Eu não sabia se seria falta de educação levar dois convidados pra festa do filme... dúvida cruel!
Resolvi passar pela festa com as meninas, se eu achasse que não rolava de ficar lá, eu dizia que ia ter que ir embora por causa delas.
Não tive que me esforçar muito, por que quando 3 mulheres se juntam pra se arrumar, já viu, chegamos em Manhattan as 7 da noite hora que a festa acabava. Resolvi mandar uma mensagem pra minha mais nova melhor amiga, a Estagiária. Disse que só tinha desocupado aquela hora, se ela achava muito tarde aparecer por lá. Ela respondeu que a festa estava ótima e que eu devia aparecer, que ia adorar me ver, como uma “melhor amiga”. Enfiamos num táxi e chagamos lá. Era um restaurante que tinha um jardim aberto, de 3 as 7 da noite o povo do filme bebia de graça, mas quando eu cheguei o Open Bar tinha acabado, mas ainda tinha muita gente por lá. Vi o meu chefe, figurinista do filme e a assistente dele, que sempre se veste como se estivesse indo pra o Oscar, o que fez o meu vestido azul lindíssimo, não parecer muito fora de mal a aquela hora do dia ( no verão aqui só anoitece quase 9pm ).
Fiz um H, apresentei as meninas pro povo e depois do meu chefe ir embora o Motivo me avistou. Ele estava só sem namorada tira colo. Me deu um abraço enquanto reclamava que eu tinha chegado muito tarde. Ficou conversando comigo enquanto tentava lembrar o português que tinha aprendido quando mais novo, viajando para Portugal. Quando a notícia de que 3 brasileira haviam adentrado a festa se espalhou, os homem se aglomeraram. Em poucos minutos estava eu respondendo milhões de perguntas sobre o Brasil, sobre minhas amigas, sobre o que a gente ia fazer em NY... O indesejável quase me mata de vergonha. Quando eu disse que depois de minhas amigas voltassem pro Brasil, seria a vez de minha mãe me visitar. Ele disse que eu teria que levar minha mãe no escritório, para que ele conhecesse a futura sogra. Eu disfarcei com uma risadinha, mas eu queria matar ele por essa.
Eu e as meninas nos sentamos em uma mesa meio de lado. O Motivo se levantou de sua mesa e foi se juntar a dois amigos que fumavam num canto. Quando olhei no relógio , descobri que estava atrasada pra o jantar que nós tínhamos que ir. Uma de minhas amigas reclamou e perguntou se nós tínhamos que ir. Era a situação perfeita, mas a resposta era cruel, nós realmente tínhamos que ir.
Me despidi de algumas pessoas, inclusive minha nova melhor amiga que, só pra variar, tinha uma coisa verde no meio dos dentes enquanto ela falava alto com as minhas amigas na tentativa de que o tom de voz fosse fazer com que elas entendessem o que ela dizia em inglês.
Arrumei os cabelos e me dirigi ao ponto estratégico, fui me despedir do Motivo. Ele reclamou que eu tinha ficado muito pouco,meu coração concordou mas, mantendo a pose, reafirmei que tinha que partir. Não sei como, mas na hora de se despedir começamos a conversar, a conversa foi de onde a gente morava pra os filmes preferido e não parou... o ponto mor da conversa foi quando eu admitiu meio envergonhado que adorava cinema de animação. Eu sorri e disse que o melhor filme de todos os tempos era Procurando Nemo. Ele quase morreu de felicidade enquanto eu repetia as falas da Dori, o peixe com falta de memória recente.

Como explicar bem o que aconteceu nessa despedida que acabou virando uma conversa de 10 minutos? Foi uma daquelas conversas que quando alguém fala uma coisa, o outro responde: “Exatamente...”e começa a complementar o que você falou. Foi aquele sentimento de primeiro encontro bom! Quando você acha que vocês nunca ficariam sem assunto, que mesmo se vocês fizessem 80 anos de idade juntos, vocês ainda teriam muito o que dizer um pra o outro. Era óbvio que o sentimento era mútuo, ele lamentava que eu tinha que ir, eu lamentava também. Me despedi com um abraço que me deixou momentaneamente sem ar.
As filmagens começariam na segunda-feira, eu estaria trancada no escritório, ele estaria no set de filmagem, talvez nós nunca mais nos veríamos, mas de certa forma, aquilo não era mais tão importante por que, em 10 minutos, eu descobri que eu estava certa. Eu não sabia se o Motivo tinha uma namorada ou não, eu só sabia que ele fazia com que eu perdesse o ar, e agora eu tinha certeza que eu fazia o mesmo com ele, eu vi isso dentro do sorriso que ele me deu quando eu finalmente fui embora!

sexta-feira, junho 22, 2007

Pondo lenha na fogueira!


Antes mesmo de eu maquinar o meu plano maligno um milagre aconteceu! Eu cheguei no escritório me recuperando de uma crise de tosse que eu tive no metro a caminho do trabalho, quando eu me lembrei que era dia de visita ilustre. O filme em que eu estou trabalhando é baseado em uma história real e o personagem principal na vida real estaria visitando o escritório com toda sua família.
Arrumei a cara por que eu não queria que o convidado de honra me visse daquele jeito. O dia no escritório começou agitado com a chegada de muitas caixas de roupa pelo correio. Eu andava pra cima e pra baixo com a minha papelada quando ao entrar no meu escritório, eu tive uma surpresa: O Motivo. Lá estava ele alto, moreno e sorrindo como sempre. Ele estava entretendo os dois rebentos do convidado de honra, a menina mais velha tinha apenas 9 anos de idade e ele estava brincando com eles. Eu tentei sorrir e fingir que eu não estava nervosa, quando os céus se abriram e um milagre foi mandado pra mim. Ele estava no meio da sala conversando com a assistente de figurino, quando eu consegui finalmente entender o que eles falavam eu mal pude acreditar! Ele tinha perdido um botão da camisa e estava perguntando se alguém poderia ajuda-lo!Hahahahaha! Eu quase morro de rir. Fiz uma cara displicente pra assistente de enquanto tirava a camisa da mão dela: “Pode deixar que eu resolvo isso em um segundo!” Só pra esclarecer, ele tinha uma camiseta por baixo da camisa, o bofe não ficou desfilando de peito nu, no meio do mundo, pra minha infelicidade!
A estagiaria entrou na sala, e quando entendeu que eu estava pregando o botão da camisa dele disse:” O que? Você está pregando o botão da camisa dele?”. Isso fez com que ele se sentisse super envergonhado, ele foi obrigado a dizer:” É, vou ficar devendo essa pra você!”Quando ele falou isso, pensei que era a desculpa perfeita pra ele dizer que ia me levar pra tomar alguma coisa, mas nada, a oferta que ele fez foi: “ Eu vou te ensinar ums macetes super legais no seu Mac” Quando ele diz Mac, ele quer dizer meu lap-top da Apple. Ele recebeu uma ligação e teve que sair. Eu terminei a camisa e foi atrás do menino. Quando ele me avistou do outro lado da sala, ele abriu o sorriso e os braços! Eu nem acreditei, ele veio andando em minha direção, e tudo entrou em câmera lenta. Ele me deu um abraço, um abraço de verdade! Pra vocês ai no Brasil pode parecer bobagem, mas aqui, onde o povo cumprimenta dando a mão, um abraço foi uma coisa totalmente inesperada. o abraco era tudo o que eu precisava pra me certificar de que o Motivo é mais do que motivo suficiente pra tudo que eu ando fazendo por ele. Corpithio altamente em forma, agora além de alto, moreno, de sorriso lindo, o Motivo podia adicionar a sua lista de qualidades: GOSTOSO!
Tive que passar na contabilidade ainda tonta de felicidade por causa do meu abraço, quando voltei pra minha mesa, lá estava ele fuçando no meu computador, em retribuição ao botão da camisa. Me mostrou umas bobagens no meu computador, bem, eu não sei se era bobagem ou a coisa mais legal do mundo , por que eu não faço a menor idéia do que era, tava muito ocupada prestando atenção em outras coisas!
Meu dia foi cheio e movimentado, sexta-feira produtiva e promissora! Tudo que eu precisava pra botar mais lenha na fogueira do meu plano maligno!

quinta-feira, junho 21, 2007

O Motivo

Nada como um bom motivo pra fazer você acordar todos os dias uma hora mais cedo pra fazer a maquiagem e experimentar o guarda-roupa todo antes de sair! O motivo tem nome, mas como no coisas de laurinha ninguém além de Laurinha tem nome, você vão conhecer o dito cujo por: O Motivo.
O Motivo é alto, moreno claro, tem um sorriso arrebatador e não foi eliminado nas preliminares do mesmo *scaner nem mesmo depois de desfilar no escritório com uma calça de linho amarrotada. A primeira vez que eu vi o motivo, ele me perguntou o de sempre:” De onde você é?” A minha resposta aflorou a razão da minha paixonite.
Foi quando eu disse “Brazil” que eu vi pela primeira vez o sorriso do Motivo. Digamos que o Brasil foi o motivo do sorriso e o sorriso do Motivo foi a razão da minha paixonite! Complicou? Desse de quando a paixão se tornou simples?
Seguido do sorriso, Motivo completou dizendo que ele era louco pra conhecer o Brasil, que já tinha 20 pares de Havaianas.

Falando em calçados, foi apenas no primeiro dia de trabalho que meu All Star desfilou nos corredores do escritório, depois do sorriso do Motivo, eu nunca apareci no escritório em algo tipo: jeans, camiseta e all star! Nem morta santa! Saias, vestidos e pasme, até salto alto passaram a ser parte do dia a dia. A produção colheu frutos imediatos. Na primeira semana de trabalho eu resolvi usar um vestido preto que geralmente recebe elogios, como o vestido é curto e seria provavelmente considerado inapropriado pra o ambiente de trabalho, eu coloquei uma legging e foi total mente displicente trabalhar. Quando eu cheguei no trabalho, meu chefe, que é um anjo de candura, me disse que um amigo que havia trabalhado em outro filme conosco, tinha lhe dado dois ingresso pra um espetáculo da Broadway que ele estava trabalhando. Ele perguntou se eu gostaria de acompanhá-lo. Claro, eu disse e sai serelepe, desfilar no escritório da produção, onde se encontra a mesa do Motivo. Eu trabalho em uma sala diferente do motivo, mas tudo que eu imprimo é imprimido na impressora da produção. Eu arrumei umas bobagens pra imprimir e foi dito e feito. Quando eu passei, eu ouvi: Alguém veio pro trabalho chic hoje. Eu parei e pensei na melhor resposta: “ É, eu vou pro teatro depois do trabalho, com meu chefe, um amigo nos deu ingressos.” Ele perguntou que espetáculo, eu respondi, e voltei pra minha mesa pensando que mesmo que eu tivesse tido que acordar 3 horas mais cedo pra ter aquele resultado, mesmo assim valeria a pena.
Na outra manhã, no cruzamos no corredor e ele me perguntou da noite anterior, de como havia sido a peça. Respondi milhões de perguntas sobre “A Rainha Pirata”! Depois dessa conversa achei que era só sentar e esperar pelo convite pra jantar ou beber alguma coisa depois do trabalho. Eu estava errada! Dias passaram e não só eu não fui convidada nem pra um café na esquina, como nem uma conversinha besta no corredor aconteceu. Fiquei remoendo na minha mesa o que eu tinha feito de errado. Talvez eu só estava contando com a vitória antes do tempo. Talvez ele realmente estivesse interessado na Rainha Pirata! Foi quando eu apelei! Era o primeiro fim de semana depois de eu começar a trabalhar e eu sai de casa com algo certo na minha cabeça: eu não voltaria pra casa sem um par de salto alto que eu pudesse usar no trabalho. Recorri a minha loja de sapatos baratos favorita e ela não me desapontou. Voltei pra casa experimentei e escolhi a roupa da segunda feira.


Segunda nunca demorou tanto a chegar, mas quando chegou lá estava eu as 7:30 da manhã com meu skinny jeans e de salto alto. Fazia tanto tempo que eu não andava de salto, que no caminho até a estação de metro eu quase cai umas 3 vezes. Não é que eu sou retardada, quando eu tinha 18 anos eu torci o pé e rompi os ligamentos do tornozelo, desde então, meu pé direito não serve pra muita coisa. Consegui chegar no trabalho e no caminho eu consegui melhor consideravelmente meu caminhar. Quando eu cheguei no escritório, eu já era própria Gisele!
Fui pra minha mesa, arrumei meu lap-top e procurei logo um e-mail pra imprimir, eu tinha que desfilar meus 7 cm a mais de altura. Quando eu chego a sala, nada de Motivo, ele não estava lá e não voltaria pelo resto do dia. O motivo é o assistente do diretor e estaria com ele fora do escritório o dia todo. Lá estava eu linda e alta, fazendo pose pra ninguém!
Continuei o desfile de moda, exibindo um modelito atrás do outro, mesmo não vendo o Motivo muitas vezes. Pra piorar a situação, a minha alergia finalmente deu o ar da graça. Horas de ar condicionado e vastos carpetes finalmente haviam achado seu alvo, meu nariz! Eu me vejo então as 7:30 da manhã de frente pro meu espelho e o que eu vejo? Um enorme nariz vermelho escorrendo e olhos irritados! “ I look like shit” eu agora apenso em inglês...
Indo pro segundo dia de alergia no escritório eu já nem sei se eu quero ser notada pelo Motivo com aquele tomate no meio da cara que eu tenho e as vezes parece com um nariz! Mas quando eu menos espero ele levanta a cabeça do computador, coisa que não acontecia a dias e diz : “Jaqueta legal”. Minha esperanças se renovam, mas quando eu chego no escritório do figurino, onde é o meu lugar, eu me deparo com o calendário que eu mesmo coloquei na parede. O fim do mês se aproximava assim como o fim da pré-produção. Isso significa que as filmagens estariam próximas e ai tchau, tchau convercê no escritório. Com as filmagem, os dias passam a der 12horas de expediente corrido, e ele provavelmente estaria sempre com o diretor.
Fui acometida de um sentimento de frustração, eu tinha começado tão bem e lã estava eu estagnada no elogio das minhas roupas. Pensei em um plano maligno, deixei o trabalho e no meu caminho de volta pra casa nem joguei tetris no meu celular como eu sempre faço no metro, não conseguia me concentrar. Tudo em que eu conseguia pensar era: O plano maligno ( ou benigno) pra trazer um Motivo pra minha vida!

quarta-feira, junho 20, 2007

Vida de solteira

Agora, como uma mulher solteira, eu me vejo em uma posição que eu já estava desacostumada. É praticamente impossível desligar meu Scaner masculino. O scaner masculino é um dispositivo no cérebro da mulher que geralmente é desativado quando ele se apaixona, mas que é reativado depois de términos de relacionamento ou quando o relacionamento não anda assim uma Brastemp. O scaner masculino tem varias funções, mas as duas funções básicas são:

• Análise de ambiente
• Análise de indivíduo

Análise de ambiente

Essa é uma função que varia de mulher pra mulher. Algumas mulheres tem o scaner de ambiente potente e outras não. Eu, por exemplo, tenho um scaner de ambiente extremamente sofisticado.
Quando uma mulher entra em um lugar novo, esse dispositivo é responsável pelo reconhecimento de área, ou melhor de possíveis pretendentes.
Uma vez que o ambiente é scaneado, as informações são transferidas para o scaner de indivíduo, que realiza uma filtragem mais rigorosa.
As mulheres que tem o scaner de ambiente menos desenvolvido tentem a se associar a mulheres com scaner de ambiente desenvolvido. Mulheres com scaner de ambiente hiper desenvolvido, são capazes de execultar dupla filtragem, baseada em seu banco de dados e referências enquanto realizam a mesma função utilizando o banco de dados da amiga. Nessa associação porém, algo deve ser observado: O banco de dados de ambas mulheres não pode conter informações coincidentes, ou isso pode causar conflitos pessoais entre as partes.

Análise de indivíduo

Essa é uma função mais apurada do scaner. Uma vez que o ambiente foi scaneado e filtrado, alguns indivíduos são selecionados e outros descartado. Os indivíduos selecionados vão agora ser individualmente scaneados. As informações obtidas desse processo são comparadas as do banco de dados mais profundamente.
As informações contidas no banco de dados são exclusivamente pessoais e absolutamente incompreensível a terceiros ( e segundos também). Essas informações são também variáveis.
Baseado nas informações e comparações de dados realizadas pelo scaner de indivíduo a mulher geralmente é capaz de selecionar um candidato. Uma vez que o candidato é selecionado, o scaner de indivíduo realiza a mesma função repetida vezes, sempre que um dado novo aparece no ser considerado.

Meu scaner

Como eu já mencionei, meu scaner é extremamente desenvolvido, tanto o de ambiente quanto o de indivíduo. Eu geralmente scaneio o ambiente pra mim e pras minhas amigas, Enquanto meu scaner de ambiente continua trabalhando eficientimente, pra o meu bem e o de minhas amigas, o de indivíduo, esta se aperfeiçoando cada dia mais, e é ai que eu chego ao ponto da questão!
Eu sou insuportável! Eu não consigo manter meu interesse por um pretendente em potencial por mais de uma semana. O pobre do marinheiro, da última história, saiu de cena com a descoberta das suas experiências profissionais, mas mesmo antes disso, o meu scaner já havia identificado várias incompatibilidades com meu banco de dados. Algumas das incompatibilidades encontradas foram:

• Chinela da Addidas.
• Jeans over distressed
• Cabelo hiper espetado
• Hiper buldoguilização
• Falta de expressiva atividade cerebral


Eu explico! Eu não tenho nada contra homem que usa chinelo, mas com tanto que sejam havaianas, não por que eu sou nacionalista, e sim por que chinelão é a coisa mais feia do mundo, a não ser que seja na praia.
Nada contra jeans rasgado, mas se a perna da calça ta pendurada por um fiapo, eu vou achar que o rapaz ficou preso nos anos 80.
Cabelinho moderno e arrepiado não é um problema, mas quando o rapaz não pode sair de casa sem passar 30 minutos arrumando o cabelo antes, eu sei que a gente não vai funcionar como um casal.
Eu tenho dois cachorros e dois gatos espalhados no mundo, e eu adoro animais,mas se o carinha tem quase 30 anos na cara e o cachorro dele aparece em todas as peças de roupa dele, quem vai me culpar por questionar a idade mental do rapaz? Camiseta com desenho de bulldog, boné com desenho de bulldog, camisa social com desenho de bulldog... Mas nem o fato do rapaz ter trabalhado num soft-porn conseguiu depor mais contra sua pessoa do que a falta de assunto e capacidade de sustentar uma conversa por mais de dois minutos.
Pobre do marinheiro! Tão lindo e tão incompatível! Mas o marinheiro não foi a única vitima do meu scaner pente fino. Outro dia eu conheci esse carinha super bacana, super legal. O cara era produtor musical e DJ, tocava nas duas casas noturna que eu mais gosto em NYC, até difícil de acreditar. Pra melhorar o currículo do rapaz, ele tinha acabado de voltar da Grécia, que pelo último ano tem reinado no topo da minha lista de lugares para se conhecer. Então você deve estar pensando, o que essa garota achou de errado nesse cara? A resposta é tão estúpida que eu tenho um pouco de vergonha... o cara tinha o olho esbugalhado! Se eu tivesse conhecido ele de óculos escuros eu tinha apaixonado, mas toda hora que eu olhava pra o menino eu só conseguia ver aquele par enorme de olhos! E lá se foi outro pretendente descartado por falta de um par de óculos escuros!
A mais nova vitima do meu scaner é um colega de trabalho. Um fofo, o garoto é assistente do diretor, um amor de pessoa. Bonito, alto, moreno claro e um sorriso absolutamente perfeito! Eu estava bem contente indo pro trabalho todo dia quando o meu scaner indivíduo começou a estragar a graça, tudo por que um dia o rapaz resolveu ir pro trabalho com uma calca de linho! Agora eu olho pro menino e tudo o que eu vejo é essa calça amarrotada de linho! Ahhhhhhhh!!!!!!!!!!!!
Bem, a conclusão é simples, o scaner de ambiente é sempre bem vindo, o de indivíduo, te protege encontros desastrosos e dia seguintes cheio de arrependimentos, mas também podem transformar uma calça amarrotada no seu pior pesadelo! Eu ando precisando entrar em contato com a assistência técnica do meu scaner!

quinta-feira, maio 03, 2007

Resurgir das cinzas...

Chega de saudades... Eu disse que não ia escrever enquanto eu não estivesse me sentindo melhor por que eu não gosto de escrever de mal humor. Duas coisas me fizeram voltar a ativa. A primeira foi por que eu finalmente me lembrei de que nada melhor do que rir das nossas desgraças para seguir em frente. A segunda foram os últimos acontecimentos da minha vida, que são tão inusitados que parecem ter saído de um roteiro de cinema forçador de barra!

Filme de Português
Voltemos a um dia antes da tragédia, antes do namorido terminar comigo! Eu estava trabalhando nesse filme português de produção francesa que estava filmando por três semanas em NYC. O filme como era um filme português era cheio de estupidez, o que estava me atolando de trabalho. Um dia antes do namorido terminar comigo, era o dia "D", o dia que eu teria que trabalhar igual um jumento emprestado, eu tinha que vestir 27 pessoas todas roupas de época, incluindo 5 oficiais da marinhas, na verdade, 2 oficiais e 3 marinheiros do fim da segunda guerra mundial.
Eu nunca tinha vistos os atores na vida, eu tive que alugar as roupas simplesmente confiando nas medidas que ele haviam me dado por telefone. Um dos atores estava super apertado e eu e minha assistente estávamos apertando ele em todas as direções possíveis pra conseguir fechar os mil botões daquela calça. O pobre coitado olhou pra mim e disse:" Eu juro que eu não sou gordo!" Era verdade! A calça era apertada, o rapaz estava mais do que em forma. Depois de ficar de joelhos com minha cara na pélvis do menino por 15 minutos, tentando abotoar a calçar, eu terminei o trabalho.
No set é sempre assim: você trabalha como uma louca por horas, depois fica milhões de horas sem fazer nada, esperando eles filmarem. Algumas dessas horas o marinheiro espremido nas suas calças apertadas passou conversando comigo. Parecia que ele estava se engraçando pro meu lado, mas ainda não era algo certo. Na hora de mandar os moçoilos pro set, eu arrumava as gravatas de marinheiros enquanto um dos atores empolgado tirava fotos. O marinheiro espremido, que tinha comentado como o uniforme de marinheiro era ridículo ( é verdade), disse que só ia aparecer em uma foto com aquela roupinha se ele estivesse ao lado de uma mulher bonita. Nesse momento, eu confirmei a desconfiança.
Eles voltaram do set e na continuação da conversa, eu tratei de por os pingos nos "Is". Aproveitei a primeira deixa pra dizer que eu era casada. Ele obviamente se decepciono, mas me deu o seu cartão, me convidou pra sua peça de teatro e disse que eu levasse meu namorido. O fato de que o marinheiro espremido era extremamente bonito, só me fez pensar no fato de ser casada por cinco minutos, logo depois , eu estava enumerando pra mim mesma as razões por que eu estava com o namorido.

A tragédia!
No outro dia eu estava de folga, e como eu não tinha que trabalhar, estava chovendo, assim eu teria que ficar trancada em casa em vez de fazer alguma coisa. O namorido sustentava a cara de bunda que ele vinha mostrando a semanas. Eu sentei no sofá e perguntei qual era o problema e assim, bem inesperadamente, a estilo namorido , ele soltou a bomba: queria terminar.
Eu me recuso a entrar nos detalhes do término, por que isso não é engraçado! O que eu tenho que dizer, simplesmente para o entendimento do que eu vou contar depois, é que eu ainda amo muito o namorido e que tentei de tudo pra que isso não acontecesse, mas ele bateu pé que queria se separar!
Tentei sair pra espairecer, mas era uma tempestade do lado de fora do apartamento. Tive que voltar pra casa e ficar no meu kitnet com meu ex namorido... O que é engraçado é que enquanto eu estou discutindo os termos da separação, o meu celular toca. Era o produtor do filme, ele estava me ligando pra dizer que eu teria que resolver um pepino no outro dia de manhã cedo. Engoli o choro, atendi o telefone e resolvi o pepino.

O português louco!
No outro dia cedo, juntei os cacos e fui pro trabalho uma hora mais cedo do que tinha que ir, por que o diretor do filme iria acumular a função de ator nesse dia. Ele queria se vestir no hotel em vez de no set. Cheguei adiantada como sempre. Esperei o caminhão cegar peguei a roupa que a figurinista de Portugal havia mandado para a cena. Subi pro quarto do produtor para passar a roupa e as 7:30 como o combinado, eu desci pro lob do hotel com a roupa pronta.
Quando a porta do elevador se abre eu vejo o diretor do filme. Um velhinho de 98 anos de idade. Ele olhou pra mim com uma cara de quem queria me matar e começou a berrar comigo em francês. A única coisa que eu pensava era " Esse velho escolheu o dia errado pra gritar comigo". Sem nem responder, eu apertei o botão do elevador e a porta se fechou enquanto o velho louco gritava. Subi ao andar do produtor que era quem havia me dado todas as instruções do que eu estava fazendo e lhe disse que o velho louco estava aos berros. Ele entrou no elevador comigo e eu completei lhe dizendo que se o maluco não parasse de gritar , eu iria embora. Eu já achava que estava fazendo muito em estar lá nas condições que eu me encontrava, sedo escorraçada sem nem saber por que era obviamente demais.
Quando saímos do elevador o produtor explicou ao velhinho lelé, que eu tinha feito o combinado, mas ele estava revolto por que o figurino não estava todo a sua disposição, para que ele escolhesse o que queria usar. Vendo os meus olhos cheios de água, nessa hora toda a equipe francesa tentava me convencer a não me demitir, enquanto o velho ainda esperneava. Quando ele finalmente pos o dedo na minha cara, eu virei as costas e comecei a andar. O produtor me agarrou o braço e pediu um minuto. Se virou pro diretor e agora era o velhinho que estava sendo escorraçado. O produtor lhe agarrou o braço e empurrou-lhe porta a dentro gritando barbaridades em francês. A equipe toda veio pedir desculpas e me explicar que o velho era maluco e que estava nervoso por que ia atuar e que quando isso acontecia ele sempre descontava em alguém. A única coisa que eu tinha a dizer era: " Ele escolheu o dia errado pra gritar comigo".
Depois de muitos beijos e abraços franceses seguimos pra o set, nós íamos filmar num barco perto da estátua da liberdade. O dia estava absolutamente lindo o que ajudou a melhorar meu humor de recém separada que tinha acabado de ser esculachada por um velho doido! Parece estranho quando você lê isso do Brasil, mas se você vive em um lugar onde as quatro estações são bem demarcadas, você é mais capaz de entender a importância do clima em uma hora como essas. Depois de ter passado o dia do término trancada em casa com o ex-namorido por causa da chuva, aquele dia era uma bênção, o que me fez pensar que dos males o menor: ao menos ele tinha terminado comigo na primavera! Imagina se fosse no outono que é triste, chuvoso e que vem seguido do inverno... não consigo nem imaginar!
Depois de todos vestidos e maquiados, eu fiquei bem sentadinha na parte interior do barco exercitando meu lado Poliana, tentando ver o lado bom em tudo. Que importa se eu estava forçando a barra, dessa vez eu estava decidida a não cair em depressão e chorar. Com toda a confusão e gritaria de manhã cedo, eu tinha esquecido o que eu tinha feito na noite anterior. Depois de passar o dia trancada em casa com o ex-namorido, querendo por uma bala na cabeça, eu tinha resolvido sair de casa e ser social. Tinha enviado um e-mail ao marinheiro espremido dizendo que eu queria ir assistir a sua peça no domingo, quando eu estaria de folga. Agora, eu estava no barco e não ia ter uma resposta tão cedo. Enquanto eu me recompunha da décima vez que eu chorava na manhã, eu tirei o celular da bolsa e enviei uma mensagem perguntando se ele tinha recebido meu e-mail. Ele disse que sim e que tinha me respondido. Eu disse que no estava em casa e que não poderia ver meus e mails o dia todo. Ele me respondeu dizendo que não teria peça no domingo, mas que no sábado, naquela mesma noite, ele poderia deixar dois ingresso na portaria pra mim. Respondi que não sabia se conseguiria terminar o trabalho a tempo, mas que ligaria pra ele assim que soubesse que hora eu terminaria o trabalho, acrescentei que não precisaria de dois ingressos.
O dia terminou espantosamente cedo. Acostumadas com dias de 14 a 16 horas, aquele terminou em menos de 10 horas, quando eu ouvi:"Wrapping!" eu nem acreditei. A maquiadora e cabeleireira do filme, que é uma fofa, pra melhorar meu humor resolveu arrumar meu cabelo no caminho de volta, enquanto o barco não chegava no cais. Eu liguei pro marinheiro e disse que iria assistir sua peça. Ele me ligou mais tarde e pedindo mil desculpas, me disse que os ingressos estavam esgotado, mas perguntou se eu gostaria de assistir um filme no domingo com um outro amigo. Eram filmes de estudantes da NYU e o amigo , que era ator também, estava em um deles. Eu respondi que sim. Na verdade, eu queria ir pra casa e sacudir o ex-namorido até o juízo dele voltar para o lugar, mas eu tinha me convencido de que eu tinha feito o possível e que agora, era seguir em frente.

O ressurgir da fênix
Voltei pra casa com o cabelo lindo, minha amiga Chechena me ligou e se prontificou a vir a meu resgate, nó iríamos beber chá! Enquanto isso o namorido saia com seus amigos. O pior de quando alguém termina com você é quando você fica analisando a pessoa esperando que ela se arrependa, caia de joelhos e peça pra você voltar, mas tudo que você consegue ver é alívio! Essa era a expressão do ex-namorido, ele parecia tão aliviado. Eu tentava pensar que ser era assim, talvez fosse melhor que aquilo tivesse acontecido, mas a verdade era que eu sabia que os motivos do término estavam destorcidos e misturados com muitas coisas que nem de longe passavam por perto da minha pessoa, era como ser culpada por um crime que você não cometeu, mas talvez a realidade fosse que ele simplesmente não me amasse mais.
O ex-namorido tem um ciclo bem peculiar, ele geralmente me ama pela manhã, quando ele acorda, é cheio de beijos e abraço preguiçosos. a tarde o mal-humor já teve tempo de corrompê-lo, por isso ele geralmente se torna distante até quando ele sai a noite pra beber com os amigos. Eu não acompanho sempre e quando acompanho, geralmente chego em casa mais cedo. Quando o namorido chega em casa a noite e o álcool já lavou o mal-humor, ele se torna um homem apaixonado novamente. Aquela noite não foi muito diferente. Ele chegou em casa, pediu desculpas, disse que gostava muito de mim e que eu era uma pessoa incrível, mas que ele tinha que fazer o que estava fazendo.
Na outra manhã ele tentou se socializar me contando da noite passada com os amigos, mas eu deixei ele falando sozinho e fui ao Café da esquina.

Só um marinheiro pra me salvar!
Enquanto eu estava no café, meu telefone apita: mensagem! A chuva estava torrencial! Parecia o fim dos tempos! Quem melhor pra me salvar de um dilúvio do que um marinheiro. A mensagem era dele, queria saber se eu queria ir assistir um filme com ele. Era um filme em que um dos outros atores, que eu também vesti de marinheiro, tinha participado. O outro marinheiro também iria nos acompanhar.
A chuva não dava sinal de que iria para, mas mesmo assim eu fui com a cara e com a coragem. Cheguei no cinema um pinto molhado. Festival de cinema universitário, e o outro marinheiro, o que fazia parte do filme, não consegui chegar lá. Eu não sei se o fato dele não aparecer, foi combinado, mas quem se importa! O filme era uma bosta! Sai do filme azul de fome e ele resolveu me levar pra comer sushi. Entramos no táxi, mas quando chegamos ao restaurante, estava fechado. Estava sendo reformado por causa de um incêndio elétrico! Olhamos para o outro lado da rua e vimos um restaurante,mas na hora de atravessar a rua, eu encalhei. A altura da água na rua já estava alta e eu estava usando um sapato baixo. Pensei em todos os ratos que eu vejo por NYC e pensei no meu pezinho naquela água... antes que me desse conta, o marinheiro se prontificou pro resgate. Sem falar nada me pôs no colo e atravessou a rua me carregando. Pode parecer baranga, mas eu tenho que admitir que eu me senti a Michelle Phifer sendo carregada pelo George Clooney, num filme de seção da tarde!
O restaurante era lindo, altamente romântico, eu nunca teria encontrado um igual se eu tivesse procurado. Depois de horas de conversa fiada, eu vi que o bicho ia pegar pro meu lado a esse ponto eu ainda não sabia muito bem o que eu estava na verdade fazendo num dia chuvoso com um marinheiro desconhecido. Mudamos de endereço e fomos a um bar e no sentamos no balcão.

Oh não!
Quando nos sentamos o marinheiro não perdeu mais tempo: me beijou. Lá estava eu, menos de 48 horas depois de o namorido terminar comigo , beijando outro cara. Lembrei de uma amiga que nessas ocasiões sempre diz:" Tá achando o que, meu filho? A fila tem que andar." Segundo meu primo, a minha não anda, voa! Larguei a mão de pensar e me concentrei no pobre do menino que tinha até me carregado nos braços pra ganhar um beijo. Ao menos enquanto eu estivesse ali, eu não ia estar pensando no namorido, eu pensei.

De louco a gente mantém distância, vai que ele morde!
Cheguei em casa tarde. Cumprimentei o namorido, mas ele não respondeu. Fui na cozinha pegar um copo de água e perto do lixo eu vi um pedaço picado do panfleto da peça do marinheiro. Dentro do lixo, o resto do panfleto, em mil pedacinhos. Reparei que o pedaço que estava no chão era o pedaço que tinha a foto do marinheiro. Pensei num motivo pra que o namorido tivesse feito aquilo, mas não pude imaginar, um vez que ele não sabia de nada. Fui me deitar e quando eu já estava debaixo das coberta o namorido veio me interrogar:"Você ficou com esse cara dessa peça?" Meu primeiro pensamento foi:"Como diabos ele descobriu?" , o segundo foi "Azar o dele, não mandei mexer nas minhas coisas!" "Fiquei", respondi. A indignação foi digna do Oscar. Rebati logo dizendo que eu não ia ficar em casa louca chorando por causa dele, que eu tinha feito o que eu podia pra convencê-lo de não terminar comigo e que nada adiantou. Completei dizendo que eu gostava muito dele e que se eu deixasse essa separação me derrubar a queda ia ser muito feia. Ele se parou de esbravejar quando eu já brava falei que eu ia fazer o que eu tivesse que fazer pra me recuperar do término, e que se ficar com um marinheiro 48 horas depois do término me ajudasse, era o que eu ia fazer. Ele pediu desculpas, disse que eu tinha razão.

Frio vento e péssimo serviço de telefonia celular
No outro dia, eu tinha que viajar pra filmar em Massachusetts. Chuva, frio e vento, eram só um temperinho a mais no cansaço de não ter dormido a noite anterior brigando com o namorido. Pra piorar a situação, o meu celular não funcionava no hotel, então toda vez que eu queria ligar pra alguém, eu tinha que ir pro estacionamento do hotel, ao relento, sob o sereno e o veto frio!
O marinheiro ligou várias vezes pra dizer que estava com saudades. O namorido ligou também, mas deus sabe por que! Sai várias vezes com a maquiadora / cabeleireira, que a essa altura tinha se tornado minha amiga! Aproveitei a distancia pra por as idéias em ordem, mas tive que voltar pra casa quando as filmagem acabaram.
Chegar em NY foi ótimo, o namorido estava em casa, mas pelo menos o clima estava um pouco melhor. O último da de filmagem seria em NY, em Colombus Circle, em frente ao Central Park. O dia amanheceu lindo, céu azul, sol, e o Central Park já dando sinais de que a primavera, mesmo que atrasada, estava chegando! O produtor do filme, era francês, mas por ser casado com uma brasileira e falar português, havia criado uma simpatia imensa por mim. Sempre me rodeando fazendo piada sobre o diretor e seu mal humor. Eu estava sentada no banco da praça bem tomando sol e fingido que o frio não existia, quando ele sentou-se ao meu lado e disse: “ Quase a mesma coisa que pegar um sol em Ipanema!”. Eu ri e disse: “ Pena que eu não trouxe o biquíni”. Eu ri, pensei o quanto seria bom estar em Ipanema pra dar um mergulho, olhei pro Parque e pra fonte ao redor do monumento de Cristóvão Colombo e me dei por satisfeita com o que eu tinha.
Durante toda a manhã a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu estava diante de um novo começo, e que aquilo poderia não ser de todo mal. O produtor perguntou pela primeira vez como eu estava, ele sabia que eu estava me separando, mas não tinha tocado no assunto. Perguntou se era definitivo. Eu disse que sim, que o namorido tinha deixado claro que era o fim. Ele respondeu sabiamente: “Antes agora, do que a dez anos!” Nós rimos e continuamos a aproveitar o sol igual duas lagartixas.

De volta ao lugar comum...
O filme acabou e eu sabendo que as coisas andavam bem devagar na industria cinematográfica em NY, eu tratei de procurar um trabalho garçonete. Chamei uma amiga pra jantar no restaurante Grego que eu trabalhava antes planejando jogar verde pra colher maduro. O plano funcionou. No outro dia o gerente me ligou dizendo que se eu quisesse trabalhar lá eu poderia. Dos males o menor, eu teria que ser garçonete, mas pelo ao menos eu estaria num lugar que eu sabia como as coisas funcionavam, onde eu era bem tratada e ganhava um bom dinheiro.
Nada melhor poderia ter acontecido comigo do que voltar par o restaurante. De repente solteira, eu me vi essa pessoa absolutamente sociável em dois meses quase todas as garçonetes de recepcionistas era minhas melhores amigas.
O meu marinheiro a essas alturas do campeonato já tinha se afogado em alto mar. Eu tentei sair com ele duas outras vezes, mas o rapaz conseguiu me entediar no segundo encontro. Digamos que o rapaz não era muito culto, ou não tinha muito o que dizer. Depois do terceiro encontro, eu não agüentava mais ele dizendo como os meus olhos eram bonitos e comecei a desconfiar se ele realmente pensava que meus olhos eram bonitos, ou se eles simplesmente não tinha nada mais a falar.
Para piorar a história com o marinheiro, veio a pior das coincidências. O namorido procurava um lugar pra morar, uma vez que nós estávamos nos separando e o nosso apartamento era muito caro para ele manter só. Eu chego em casa e ele me mostra um e-mail desse prédio na rua 42 entre a Avenida 12 e 11. Eu engoli seco! Era descrição exata do lugar onde o marinheiro disse que vivia. O prédio tinha que ser o mesmo, por que era um tipo de prédio que não é comum em NY e no exato endereço que o marinheiro havia me dito. Eu pensei pro alguns instante e contei ao namorido que eu achava que o marinheiro vivia lá. O namorido havia investigado toda a vida do rapaz na internet que por ser ator, tinha sua própria página. A essa altura do campeonato, eu ainda não havia botado um ponto final no meu caso marinho! Eu só conseguia pensar em como diabos o namorido tinha arrumado um apartamento pra alugar no prédio do meu bofe com tanto lugar pra se viver em NY!
Ele foi ver o lugar, eu estava no trabalho quando eu recebi uma mensagem do namorido dizendo que havia cruzado com o marinheiro na portaria do prédio quando estava chegando no lugar e que ele havia desistido do apartamento.
Mesmo depois de toda a confusão habitacional, eu ainda estava em dúvida se eu continuaria a ver o marinheiro ou não, mas graças ao namorido eu me resolvi. Durante a investigação sobre a vida do meu pretendente, o namorido descobriu sua filmografia, ou seja, os filmes em que ele havia trabalhado e dentre eles constava o duvidoso trabalho feito na Inglaterra intitulado: “ O espelho erótico”, hummm.... pensei.... O espelho erótico? Fui pesquisar o espelho erótico e descobri que era um soft porn, não um pornô, o que quer dizer filme de sacanagem, mas os atores não fazem sexo de verdade. Pensei se aquilo era algo que me incomodava e a conclusão que eu e cheguei foi: “ SIM, ME INCOMODA!” Só o que me faltava, curar minhas mágoas com um ator de filme pornô,... desculpe: soft-porn!


Arrumando a mudança
Finalmente eu e o namorido encontramos lugar pra mudar. Eu arrumei um apê no Brooklyn com duas outras garotas e ele um no mesmo bairro que a gente morava, com um cara e uma garota. Quando a mudança foi se aproximando, o namorido começo a dar sinais de arrependimento. Andando cheio de coisa pro meu lado até o dia do meu aniversário. Eu vi que o bicho ia pegar e chamei ele na responsabilidade: “Meu filho, quem terminou foi você, agora você se resolva, que de cima do muro ninguém me namora!”
O namorido pediu que a gente voltasse, perguntou se eu gostaria de tentar ser namorada em vez de namorida. O plano era morar separado e continuar namorando. Pareceu uma boa idéia pra mim que feliz e sorridente atendi aos telefonemas de feliz aniversário com boas novas pra contar. A paz não durou muito, o ex-namorido, agora re-posicionado a categoria de namorado, continuava o mesmo de sempre, ficando doente sempre que tinha que me ajudar com a mudança, sumindo quando eu precisava dele... O pior foi o plano de recuperar o nosso relacionamento, para os primeiros dois meses, ele havia planejado 3 viagem diferentes: Porto Rico, Miami a Montreal.
Um dia em meio a minha bagunça de mudança, depois de noites sem dormir, eu me dei conta de que eu era a única que estava segurando o relacionamento pela pontinha. Resolvi largar! Chamei o namorido pra conversar. Disse que eu amava ele muito, mas que não achava que ele me amava. Ele discordou e disse que me amava. Respondi que se aquele era o jeito dele de amar, que aquilo não era pra mim. Desejei boa sorte, disse que sempre estaria a disposição pra o que ele precisasse e disse tchau. Sai andando calmamente e quando virei a esquina cai no choro! Chorava, soluçava, tonta sem saber o que eu tinha acabado de fazer. Tirei o telefone do bolso e mandei mensagens pra minhas amigas do restaurante, antes que eu desse pra traz e corresse atrás do namorido dizendo que eu estava louca. Minhas amigas prestaram socorro e me levaram pra jantar depois que saíram do trabalho.
A primeira vez que e vi o namorido depois do termino foi dolorosa, ele não parecia se importar, mas ele repetia varias vezes que achava que as coisas iam ajeitar entre nós. Era difícil de saber se a sua apatia era oriunda da falta de interesse ou da certeza de que as coisas acabariam bem. O espaço de tempo entre a primeira e a segunda vez em que nos vimos foi grande. Ele tinha ido pra Miami no fim de semana com um amigo, os dois ficaram no mesmo hotel onde ele havia me levado um ano atrás no meu aniversário. Eu fui a sua casa assistir o episódio final do nosso seriado de TV favorito: Sopranos, por que eu não tenho TV a cabo em casa. Depois de assistir TV, ele me convida pra jantar.
No jantar fica claro que a situação havia se revertido. A logo da semana a sensação de que eu ficaria bem, mesmo sem ele havia crescido em mim, o suficiente para que ele percebesse. Dessa vez ele era quem estava inquieto e desconfortável, obviamente tentando ler meus pensamento.
Perguntei como ele estava, e esperei sinceramente por uma resposta positiva, era primeira vez que eu via o namorido que a idéia de que a nossa separação fosse definitiva, não me parecia aterrorizante. Eu me senti triste e aliviada ao mesmo tempo.
Eu estou no Brooklyn, perto do parque onde eu posso ir patinar a hora que eu estiver de entediada, mas eu tenho que admitir que isso não tem acontecido muito. Eu comecei um trabalho novo, um filme da HBO. Eu tenho saído com amigos quase todos os dias depois do trabalho e quando isso não acontece, alguém chega em casa com uma garrafa de vinho pra regar a conversa. O clima em casa é tão bom que me faz lembrar a época em que eu vivia com minhas primas em Belo Horizonte.
Desde os 14 de idade, acho que essa é a primeira vez que eu vou se solteira, e se eu for ser justa, eu tenho que admitir que NYC no verão não é de todo o um mal lugar pra esse novo começo!

domingo, abril 15, 2007

Um tempo!


O coisas de Laurinha vai dar um tempo por razões emocionais e práticas. O namorido, dois dias atrás, terminou nosso namoro/casamento e antes que eu possa começar a escrever sobre as maravilhas de ser solteira em NY, eu preciso me recuperar do baque! Eu acabei de perdeu o homem que eu sempre acreditei e ainda acredito, ser o amor da minha vida, e embora muita gente escreva bem sob influências depressivas, meu forte é bom humor.
O motivo prático é que eu vou mudar e vou ficar sem computador por um tempo!
Coisas de Laurinha retorna quando eu me organizar para comprar um computador e conseguir reviver a antiga Laura, a do tempo da "Canção Naftalina". A boa notícia é que a velha Laurinha rende bem mais histórias do que a Laurinha do namorido.

terça-feira, março 27, 2007

Cosmo o quê, Narciso?

Eu tenho recebido muitas mensagens de amigos que lêem o “Coisas de Laurinha” reclamando que eu não tenho atualizado o blog com mais freqüência. Eu sinto muito, mas a verdade é que eu não tenho tido muita inspiração, e que mesmo quando a gente mora em NY, as vezes a vida pode se tornar um tédio sem fim.

Noite passada eu respondi a um convite de uma ex-colega de trabalho. Eu já falei dela no blog, muito tempo atrás. Ela é uma imigrante ilegal que veio da Chechenia. Chechenia, caso alguém não saiba, fica na Rússia e há dez anos enfrenta a instabilidade política gerada pelo movimento separatista. Chechenia vêem tentando declarar independência da Rússia desde o fim da União Soviética, e para isso, já passou por duas guerras. A República da Chechenia é de maioria Islâmica, enquanto a Rússia é de maioria Cristã Ortodóxica, mas como todos nós estamos cansados de saber, por traz de desavenças religiosas, sempre existem segundas e terceiras intenções e no caso da Chechenia, não seria diferente. O motivo pelo qual a Rússia bate pé e não abre mão do território Checheno é um velho conhecido nosso: o petróleo! A Chechenia é a região que tem a maior reserva de petróleo em toda a Rússia, e a independência desse república seria economicamente desastrosa para a antiga União Soviética.

Essa minha amiga veio de um pequeno vilarejo da Chechenia. Ela foi criada sob a religião Islâmica, filha única de uma mãe viúva, por isso, foi sempre a prioridade de sua mãe, que como cuidadosa figura materna, desejou pra sua filha nada menos do que o melhor. O melhor segundo sua mãe é o casamento com um bom homem islâmico. Há alguns anos atrás, minha amiga veio trabalhar em um camping de verão como monitora das crianças, era uma espécie de intercâmbio. Quando esse trabalho acabasse, ela deveria retornar a Chechenia, aceitar um bom homem islâmico que sua família escolheria como seu marido e viver feliz pra sempre, mas não foi o que aconteceu. Minha amiga resolveu não voltar pra Chechenia e continuou nos EUA como uma imigrante ilegal.

Nos conhecemos no Café onde eu trabalhava no Soho. Eu morria de rir todas as vezes que ela me dizia que ele tinha que se casar virgem, que ela nunca tinha namorado, que as vinte e três anos de idade ela nunca tinha tido um relacionamento. Para melhorar a situação, e fazer ela ainda mais engraçada, um dos garçons do Café onde trabalhávamos, era Cristão Ortodóxico do Egito, outra área onde Cristão e Islâmicos andam sempre as turras, e no Café, não era diferente: a Chechena Muçulmana e o Egípcio Cristão, estavam sempre em guerra. Lembro-me uma vez , de como eu precisei de cinco minutos pra entender o que tinha acontecido a poucos metros de mim. Minha amiga disse algo e o garçom Cristão fez o sinal da cruz para ela, imediatamente, ela começou a gritar e correu para o banheiro onde ela se trancou por vinte minutos. Eu não conseguia entender como uma coisa em que ela não acreditava, podia ser tão assustadora.

A maluca foi despedida por que, além de brigar com o Cristão Ortodóxico, ela não se continha em brigar com o dono do Café, um Judeu Israelense. Eu, a Infiel, como ela gosta de me chamar, aparentemente, era a única pessoa com quem ela se dava bem lugar, por isso continuamos amigas mesmo não trabalhando mais juntas.

Uma bela tarde de folga em casa, o meu telefone toca, era essa amiga, ela estava ao prantos e perguntava se podíamos no encontrar pra conversar. Eu disse que sim e perguntei o que havia ocorrido, “ Uma pessoas quebrou meu coração”, ela respondeu. Eu pensei:”O que?” Desliguei o telefone e me arrumei para encontrá-la e durante todo o tempo eu imaginava o que poderia estar acontecendo. Ela não podia namorar, sempre me disse isso, como é que isso aconteceu?

Nos encontramos no Lower East Side, minha vizinhança. Passeamos, eu mostrei as coisas que eu gosto perto da minha casa e nó paramos em um restaurante mexicano. Minha amiga me dissera uma vez que estava aprendendo espanhol e que adorava comida mexicana, como eu queria agrada-la, foi direto para o restaurante hispânico. Depois de escolher o que íamos comer e fazer o pedido, finalmente resolvi que era hora de tocar no assunto. Perguntei o que havia ocorrido, por que ela tinha me ligado tão aflita, quem teria sido essa pessoa que havia quebrado o seu coração? A resposta quase me fez entalar com o aperitivo que eu comia: “ Essa garota que trabalhava comigo” ela disse extremamente envergonhada. Eu fingi que não estava surpresa e perguntei: “ Ela era sua namorada?” Ela respondeu que sim. O primeiro trabalho que ela teve em NY depois do acampamento de verão terminar, foi de entregadora de comida nesse café em Midtown. Essa garota trabalhava com ela lá e foi assim que se conheceram, a menina era mexicana. A nacionalidade da garota fez com que eu entendesse a paixão pela culinária tchicana assim que como pela língua, mas ao mesmo tempo, fez com que eu me arrependesse amargamente de tê-la levado ao restaurante onde estávamos. Perguntei a quanto tempo estavam juntas e a resposta me arregalou o olhos novamente: “Mais ou menos dois anos”. Ela me contou sobre como gostava dessa garota, mas como sofria, por que achava que era errado ficar com ela. A união gay de uma Islâmica Chechena e uma Mexicana Católica, não foi fácil de administrar e, depois de várias brigas, a garota terminou o romance. Minha amiga estava inconsolável.

Isso aconteceu a quase um ano atrás, continuamos amigas, mesmo com as diferenças culturais, e noite passada, eu respondi ao seu convite: Patinar no gelo no Central Park! Eu tenho meus próprios patins, presente dessa mesma amiga. Fomos nos encontrar no Central Park com uma amiga dela de Nebraska e um amigo de trabalho Venezuelano. Depois de um ano, minha amiga ainda continua apaixonada pela ex-namorada Mexicana, e quando me viu lado a lado com o Venezuelano, falou: “Vocês podem conversar em espanhol”. Arranhei o meu portunhol aperfeiçoado nos Estados Unidos depois de tanto trabalhar com mexicanos nos restaurantes da minha vida. O Venezuelano ficou bastante impressionado, disse que eu não tinha sotaque de brasileira, que segundo ele, falam espanhol muito engraçado. Ele falou que meu espanhol era muito bom e que meu sotaque parecia o de uma porto-riquenha que depois de muito tempo fora de casa, desaprendera um pouco de espanhol.
Reparei no pescoço da amiga de Nebraska, um colar que parecia uma plaquinha. Era marrom, parecia com um colar que teria algo bíblico escrito, e era. Mais tarde perguntei pra minha amiga se a garota era religiosa. Minha amiga respondeu que sim, ela era extremamente religiosa, e que não fazia idéia de que minha amiga era gay. Lá estávamos nós, o Venezuelano Católico, a Chechena Islâmica Gay, a Americana Cristã Conservadora e a Brasileira Infiel, na melhor tradução do cosmopolitismo nova-iorquino, patinando juntos no Central Park! Minha amiga tratou de me alertar que o amigo da Venezuela também não sabia de sua preferência sexual, por isso eu não deveria comentar nada em sua frente. Argumentei dizendo que ela se preocupava de mais com o que as pessoas pensavam, ela respondeu dizendo que uma vez, ouvira esse amigo comentar que pessoas gays eram na verdade gente confusa, e que ela não se sentiria bem em entrar em detalhes com ele. Quem sou eu para me meter nesse balaio de gato? Fiquei quieta, mas por ironia do destino nó tínhamos escolhido um dia especial para patinar: era noite gay de patinação! Eu, adorei, a música era tudo de bom e as pessoas educadíssimas, todos engajados em aprender novos truques e piruetas! Minha amiga, em compensação se sentiu super-ameaçada.Depois de quase duas horas patinando, eu estava morta de sede e estava começando a chover, então nós entramos para beber água. Eu estava de costas para minha amiga bebendo água, quando eu ouvi uma voz se dirigindo a ela: “ Pode pegar uma pra você!” eu me virei e comigo a sua amiga de Nebraska. Minha amiga abria uma caixinha colorida que trazia em sua mão, foi quando eu vi ela ficar muito vermelha. Ela ria, cobria a boca e andava meio desorientada procurando uma forma de se ver livre da caixa, finalmente ela jogou a caixa de volta a mesa de onde a tinha tirado e correu para o banheiro, passando por mim no caminho. Fui em direção a mesa para entender o que havia ocorrido. Como nós estávamos patinando no evento gay, eles haviam montado um stand para divulgar a caminhada gay contra o HIV e estavam distribuindo preservativos. Duas caixinhas, uma pra meninas e uma pro meninos! A caixa das meninas era uma gatinha e a dos meninos, um cachorrinho, dentro delas preservativos e lubrificantes, mas minha amiga tinha achado que era chocolate.

Eu estava de frente a mesa quando minha amiga saiu do banheiro mais vermelha do que um pimentão contando para a amiga americana-cristã-conservadora o que tinha acontecido. Ela me viu e começou a me contar a história de como abrira a caixa e quase coloca uma camisinha na boca. Eu ri e aceitei uma caixa que a moça do stand me oferecia. Quando íamos saindo a moça se referindo a minha amiga e sua acompanhante: “Não sei por que você está fazendo essa cara, aposto que vocês tem um namorado!” Sem que as duas me vissem , eu balançava discretamente a cabeça dizendo que não. A moça percebeu e me perguntou apenas com os olhos: “Não mesmo?” e eu respondi com a cabeça: “ Não mesmo!” Quando eu achava que tinha posto fim a situação embaraçosa em que minha amiga havia se metido, ouvi a moça grita: “Não tem ninguém? Pois pode ir indo lá pra fora pra ver se arranja alguma coisa! Onde é que já se viu?!” Boa coisa que eu era a única prestando tenção e minha amiga nem ouviu a moça.

Ignorando a chuva, voltamos a patinar. No gelo as figuras mais inusitadas: homem com calças de couro apertadíssimas; casais de judeus ortodóxicos, facilmente reconhecidos pelo jeito que se vestem; garotas moderninhas, cheias de pircings; ma também um monte de gente inidentificável. Isso me fez pensar na necessidade que temos de identificar as pessoas, pensei em por que a gente faz isso? A resposta rápida: Identificar para se identificar! Eu falo isso sem apontar dedos, por que ia estar apontando a mim mesma. Mas, quão narcisista é o ser humano, que mesmo rodeado por várias pessoas diferentes, ainda sente a necessidade de ver a si próprio em cada rosto para o qual olha? Medo talvez? O fato é que NY não é o lugar de sentir medo e sim, o lugar para testar se o seu pedido por cosmopolitismo, que fez você vir parar aqui, é genuíno ou não! E você? Tem certeza de que Narciso NÃO acha feio o que não é espelho? Já fez o teste? “It’s up to you, New York, New York..."
The Big Apple!

sexta-feira, março 16, 2007

Para alcançar paraíso é necessário se passar pelo calvário!

Depois de muito mofar em NYC, lá estava eu, arrumando minha malinhas a caminho de Jericoacoara. Esse pedaço do paraíso já havia sido previamente visitado por mim e por isso, a minha ansiedade era ainda maior. Como as melhores coisas da vida, Jericoacoara, não é um sonho fácil de ser alcançado, é um lugarejo no meio do nada. A nossa jornada deveria começar em Teresina, de onde pegaríamos um ônibus para Parnaíba, litoral do Piauí. De lá, seguiríamos em outro ônibus até Camucim, no Ceará. Na rodoviária de Camucim, alugaríamos dois bugres para acomodar o grupo de oito pessoas que viajava rumo ao paraíso. Tirando as longas horas de ônibus, de espera na mudança de ônibus e da descoberta de que a volta, talvez fosse ser bastante complicada, devido ao horários desencontrados dos ônibus com os quais estávamos contanto, a viagem até esse ponto, tinha sido tranqüila. Na hora de alugar os bugres na rodoviária, descobrimos porém, que existira um problema de comunicação entre os viajantes. Metade dos mesmo, haviam sido informados, erroneamente, do preço dos bugres, e não se mostraram contentes com a descoberta dos salgados preços!

Tentando resolver a situação algumas das viajantes insatisfeitas, encontraram um motorista de um veículo que seria capaz de levar-nos todos por um preço quase três vezes menor do que os bugres. O possante era um Geringonça! Eu me senti a própria Tieta entrando na “Princesa do Agreste”, mas não me preocupei, por que o tipo de carro que fazia esse translado era assim mesmo. O possante tinha adesivos na janela lateral do carro dizendo passeios para Jeri, preferi então, abri mal do bugre para benefício geral dos viajantes.

Todo mundo na Geringonça!


Entramos na Geringonça e uma repentina chuva começou a cair. Notamos que haviam goteiras e que entrava água por todos os lados da Geringonça. Nos conduzindo, iam o motorista e um ajudante, que viajava no teto da veículo junto com a bagagem. A Geringonça tinha que atravessar um braço de mar até uma ilha, de onde seguiríamos para Jeri. Enquanto os outros viajantes se mostravam bem assustados com a peripécia, eu aproveitava a brisa do mar, uma vez que aquilo já não era novidade pra mim. Foi logo depois, assim que chegamos em terra firme, que os problemas começaram. Entramos na Geringonça e o motorista foi posto a prova: dirigir nas areias fofas da dunas e nas molhadas da beira mar. E o que aconteceu já podia ser antecipado pela falta de jeito com que o rapaz começou a jornada, em cerca de dez minutos o indivíduo atolou o carro na beira mar, e se não fosse suficiente, quebrou o câmbio do veículo no desespero. Agora lá estávamos nós, atolados no meio do nada, no sol escaldante do Ceará.

Um bugre passou e o motorista pendurou-se na lateral do carro e foi a Jeri buscar outro carro para o nosso resgate. Ficou conosco o podre infeliz que viajava com as bagagem: ele era o dono da “Princesa do Agreste” e estava desconsolado em ver seu carro atolado, prestes a ser devorado pelas ondas do mar! Eu nesse momento muito enfurecida para sentir por sua perda, me empenhei no resgate de nossas malas junto a um dos viajantes. Que a “Princesa” se afogasse tudo bem, mas dai a minha bagagem!
Enquanto esperávamos resgate, muitos carros passaram, mas todos muito cheios para prestar socorro. Para nossa surpresa, um jatinho passou dando um rasante a poucos metros da praia, o que me fez pensar: "E nós achando que muito luxo é alugar dois bugres pra oito pessoas!” Mas o pior foi quando eu resolvi conversar com o dono do veículo. Alguma coisa me dizia que o nosso motorista não era, digamos, muito experiente! Eu perguntei se o rapaz já havia feito esse percurso. A resposta foi vegonhosamente, mas sinceramente respondida: “Não”. Quando eu decidi fazer uma segunda pergunta: "E o carro já fez essa viajem?” A resposta foi impagável: “Já, quer dizer... já , mas nunca chegou lá!” A resposta arrancou gargalhadas de todos os viajantes queimados de sol e exaustos da viagem, que até aquele momento já havia durado mais de doze horas, e estava longe de ver seu fim!

Quando tudo parecia perdido, um carro passante finalmente parou para ajudar, era uma caminhonete que a primeira vista, parecia cheia, e a segunda vista também. Embora parecesse impossível que mais oito pessoas coubessem no carro, o motorista insistiu: "Vai ficar ai no meio do sol quente menina? Se aperta ai!” Não pode deixar de notar o sotaque do salvador: “Era só o que faltava, vou ficar devendo favor pra um argentino!”, pensei. No total, éramos dezesseis pessoas no carro, sem contar as malas. Foi o maior atentado as leis da física, era perna entrançada com perna, joelhos de um cutucando as costelas do outro, e tudo isso ao “suave” balançar da carroceria da caminhonete que desengonçadamente , subia e descia as dunas cearenses. Ainda na carroceria do carro, tivemos que cruzar uma lagoa de jangada. Era uma plataforma de madeira onde o carro subia e quatro homem empurrando o fundo da lagoa com varas, a movia. Depois de mais de quarenta minutos na carruagem do salvador, ou melhor El Salvador, chegamos a Tatajuba, cidade mais próxima de Jericoacoara. El Salvador, era dono de um hotel em Tatajuba. Ele parou no hotel e disse que se quiséssemos usar o telefone, poderíamos chamar por bugres, mas que em poucas horas, ele mesmo estaria a caminho de Jericoacoara e poderia nos levar. Totalmente influenciados pelo bom ato de El Salvador, resolvemos ficar. Iríamos almoçar no seu hotel, e descansar até a hora da carona. O lugar era lindo e talvez por isso não nos demos ao trabalho de perguntar quanto pagaríamos pelo almoço. Pouco antes do almoço ser servido, o ajudande de El Savador me abordou. Ele vinha dizer que El Salvador estava cobrando vinte e cinco reais por pessoa para nos levar para Jeri, o que sairia mais barato do que dois bugres. Nesse momento eu percebi que El Savador estava se saindo um bem feitor bastante sabido, foi quando eu me preocupei com o preço da nossa futura refeição, mas já era tarde! O almoço veio, com certesa a pior comida que eu comi na vida, só não foi pior do que a conta: por arroz, feijão e peixe frito, cada pessoa pagou quase quarenta reais! “Juntando com os vinte e cinco da viagem e multiplicando por oito, aposto que dava pra gente ter pego o jatinho!” ironizei.

Entramos no carro, novamente contrariando as leis da física, mas a esse ponto o cansaço já era tamanho que nem um de nós tinha mais forças, nem para reclamar do martírio que a jornada havia se tornado. Quando me concentrava no vento que soprava em meu rosto reparei em como minha pele já tinha sido queimada pelo sol. Nesse momento de reflexão, senti um cheiro estranho. Olhei pra dentro da cabine onde duas de nossas viajantes estavam. A cabine estava cheia de fumaça e uma de nossas amigas tinha a cabeça pendurada pra fora do carro. El Salvador e o ajudante fumavam um baseado e defumavam nossas amigas.

Finalmente avistei Jeri de longe e compartilhei a felicidade com os outros pois, já estávamos viajando a quase dezoito horas nesse. Desembarcamos, pagamos nossas passagem de primeira classe e não pude deixar de observar as expressões das duas viajante que completaram a jornada na cabine da caminhonete. A princípio, pensei que as caras pasmas se deviam ao ritual de defumagem, mas assim que os “Bem feitores” se despediram e nos deixaram, descobrimos que nossa aventura guardava emoções ainda maiores. Junto de El Savador e seu ajudante, iam no carro duas crianças. As crianças embarcavam na caminhonete enquanto nós esperávamos, já embarcados, a graça dos dois. Nesse momento uma das crianças que devia ter menos de seis, abriu o porta luvas e chamou a atenção de nossas duas amigas: "Olha, um revólver!” As duas se olharam e antes que tivessem tempo de esboçar qualquer reação,"Los Amigos" entraram no carro e pegamos a estrada, ou melhor as dunas. O fato é que nem mesmo toda a lombra de fumante passiva de baseado foi suficiente pra relaxar as duas coitadas que ainda tinham os olhos estatelados.
Terra a vista!

Mesmo depois de inesperada jornada, fomos capazes de aproveitar Jericoacoara, que é tão bonita e inspiradora que arrancou de um dos viajantes um elogio inusitado. Ao caminho de nosso jantar, o rapaz parou ao avistar uma vaca que se punha a comer as folhas das palmeiras do jardim de uma pousada, o jovem então comentou: “ Aqui tudo é tão bonito, até as vacas. Olha que vaca elegante!”

A vaca elegante dias depois apareceu na minha janenela para ser fotografada!

Bem, pra se chegar em um lugar onde até as vacas são elegante, acho que eu não preciso nem dizer que o sacrifício valeu a pena!

PS: El Salvador era na verdade Espanhol, mas ele tinha espírito de Argentino, eu prometo!

segunda-feira, março 12, 2007

Por que esporte e moda não andam de mãos dadas!

Desculpas esfarrapadas
Ok, então eu resolvi escrever. Depois da dor de ter perdido dois textos pra minha interminável batalha compra a lógica tecnológica, só mesmo a trilha sonora do filme da Drew Barrymore e do Hung Grant, Music and Lyrics, pra me inspirar.
Eu sei que parece desculpa esfarrapada, mas eu espero que as duas histórias perdidas que eu vou me por a escrever agora, não fiquem muito atrás das primeiras versões.

Reclamações de um personagem recorrente
O namorido reclama que eu estou sempre falando dele no meu blog, o que é verdade. Sobre isso, eu só tenho uma coisa a dizer em minha defesa: Eu não posso fazer nada se ele está sempre rendendo assunto!
Eu já escrevi uma vez sobre o consumismo Americano, quando eu falei da parceiria entre a Apple e a Nike, essa nova história passa lá por perto, no mundo da moda, mas primeiro ela faz uma parada em outro tópico: Americanos e o esporte.

Muito pior do que o Fla Flu!
Se você é uma pessoa que, como eu, nunca deu muita importância pra quem está na final do Campeonato Brasileiro e fica irritada quando depois da novela, em vez de um filme que você já viu trinta vezes, a Globo resolve por no ar o Flaflu, saiba que a resposta é: “Sim, dá pra piorar!”
Hoje, por exemplo, é sábado, o namorido vai passar a próxima semana toda em Chicago e em vez de a gente estar fazendo algo juntos, ele está no sofá assistindo Campeonato Universitário de Basquete. Aqui, os Campeonatos Universitários são quase tão importantes quanto os profissionais, o que multiplica por dois o número de jogos pro categoria espertiva. O namorido por exemplo, gosta de basquete, futbol Americano e baseball, entre essas, baseball é a única categoria esportiva pra qual o namorido não tem um time na Liga Universitária. Isso se traduz melhor na listagem dos times pra os quais ele torce:
  1. Dallas Mavericks, NBA, Liga Profissional de Basquete.
  2. North Carolina, Liga Universitária de Basquete.
  3. Dallas Cowboys, Liga Profissional de Futebol Americano.
  4. Texas Long Hornes, Liga Universitária de Futebol Americano.
  5. Boston Red Soxs, Baseball.

O que essa lista significa é que não existe paz nesse hemisfério das Américas. Quando termina a temporada de uma categoria esportiva, começa outra. Eu tenho que admitir que eu até gosto de assitir Futebol Americano, e eu que até tentei no começo apoiar os times de Basquete do namorido, uma vez que é o seu esporte favorito, mas na finais da NBA ano passado eu desisti. O time profissional de Basquete do namorido, pela primeira vez na história chega nas semi-finais e vai jogar contra os arqui-inimigos: Saint Antonio. Eu, como boa “com-sorte”, faço a minha parte, assisto os primeiros quinze minutos, durmo e falo pro namorido me acordar nos últimos 5 minutos de jogo. Dois dias depois, o namorido me diz que nós temos outro jogo pra asistir: Dallas Mavericks x Saint Antonio, humm… De’javú! Não quiz dar uma de burra, por isso não falei nada e a noite segui o mesmo ritual: 15 minutos…zzzzz… 5minutos. Dois dias depois, o namorido empolgadíssimo me pergunta: “Adivinha o que a gente vai assistir hoje?” Eu não muito empolgada respondo: “Dallas Mavs?” Ele responde que sim e completou dizendo que eles ia enfrentar o inimigo número 1: Saint Antonio! Nesse ponto eu achei que eu era esquisofrênica ou que eu estava dentro de um daqueles filmes em que o personagem acorda todo dia de manhã e está viviendo o mesmo dia repetidas vezes. Eu fiz uma pergunta pro namorido, achando que talvez a resposta seria algo tipo “a gente precisa achar um psiquiatra pra você” : “Dallas e Saint Antonio? De novo?” , mas em vez de quer me internar em um manicômio, o namorido me explicou como as semi-finais e finais da NBA funcionavam: Melhor de sete!
Melhor de sete? E eu que achei que prova de amor era comer carangueijo com o namorado. Melhor de sete, isso sim é que é prova de amor. Dallas x Saint Antonio só iria desenpatar as minhas noites depois de uma melhor de sete!
A única experiencia como espectadora esportiva nos EUA que pode ser comparada ou desespero da descoberta da melhor de sete da NBA, foi assitir um jogo de Baseball no estádio! Primeiro por que acabou com a fantasia que eu tinha na minha cabeça de que Baseball é legal!

Eu assiti o filme “Uma equipe muito especial”, um dos meus preferidos, Tom Hanks, Geena Davis, Madonna, … O filme era sobre a Liga de Baseball feminina que foi criada no período da Segunda Guerra, e Tom Hanks e Geena Davis são mais do que suficiente pra fazer você achar que baseball é o esporte mais legal do mundo! A verdade é que ele deveria estar na lista dos mais chatos. Primeiro que é impossível de se entender. Toda vez que eu achava que estava começando a entender o que estava acontecendo, algo estranho vinha acompanhado por uma nova regra e me confundia de novo. Se tudo isso já não fosse suficiente, o jogo é interminável. Uma partida de Baseball dura em media entre 3 e 4 horas, mas alguns podem chegara 5 ou 6 horas, e não como bsaquete, onde os times as vezes tem que jogar 7 vezes como o mesmo adversário, no baseball, um time pode ter que jogar contra o mesmo oponente até 10 vezes! Saí do estádio chingando todos os nomes e prometendo nunca mais voltar a um jogo de Baseball. O namorido defendeu o esporte dizendo que nós tínhamos ido a um jogo chato, mas que a emoção de assistir a um jogo dos Yankees x Red Soxs, era indiscutível.
Pra entender o que existe por tráz da rivalidade entre esses dois, é preciso se aprofundar um pouco na história do homem que é considerado até hoje o maior nome do baseball: Babe Ruth.
Babe Ruth nasceu em 1895 e aos 19 anos de idade foi contratato pelos Red Soxs. Ruth jogou bem pelos Red Soxs até quando foi vendido pros Yankees em 1919. A venda mudou a história do baseball, depois da aquisição de Babe Ruth, os Yankees ganharam o Campeonato Mundial 26 vezes e os Red Soxs amargaram um longo periodo sem vitórias, o que originou o mito da “Maldição do Bambino”. O fato de os Red Soxs terem vendido Babe Ruth para os Yankees teria amaldiçoado pra sempre o time de Boston que amargaria uma longa temporada sem vencer um campeonato. A Maldição do Banbino só foi quebrada em 2004, quando os Red Soxs finalmente venceram a Liga Mundial de baseball.

A maldição do banbino continua
O namorido é fã dos Red Soxs e eu, como uma pessoa altamente influenciada por arte e fácil de impressionar com um pouco que seja de drama, virei simpatizante dos Meias vermelhas, mesmo detestando o esporte, tudo por causa da Maldição!
Agora, se existe uma coisa mais importante na vida do namorido que os times esportivos dele, isso é : MODA! Pasmem, mas meu namorido gosta mais de fazer compras do que eu, e ele faz questão de estar sempre fashionable!
Ultimamente, um acessório que custumava ser visto sendo usado por rappers e espânicos em NYC, possou a desfilar nas cabeça dos modernos fashionistas da cidade que nunca dorme: Boné do Yankees! De repente, usar o boné dos Yankees virou fashion!
A primeira vez em que o namorido demostrou uma tímida vontade em adiquirir o acessório eu pensei comigo: “Não ele não ia chegar a tanto! Um fã dos Red Soxs não compraria um boné dos Yankees só por que está na moda!” Pensei na rivalidade e nos anos de sofrimentos vendo o seu time sendo massacrado… não ele não chegaria a tanto. Bem, eu estava enganada, eu me casei com um escravo da moda! Toda oportunidade existente, o namorido experimentava o ornamento e tentava me convencer de que ele fica muito bem no mesmo. Eu, revoltada, sempre balançava a cabeça e me dizia envergonhada em ver a traição.
O meu “com sorte” estava trabalhando em Dallas quando ele me ligou perguntando o que eu vestiria no Halloween. Eu disse que não fazia idéia, e foi quando ele sugeriu: Britney Spears e Kevin Federline. Eu achei que poderia ser engraçado, mas que também poderia ser difícil de fazer e por isso, me empenhei em pesquisar o casal. Quando eu pesquisava fotos do casal, eu entendi o que estava acontecendo. K. Fed. ilustríssimo senhor Spears, na época, era um acíduo usuário do dito boné!
Nesse ponto eu percebi que nada que eu fizesse empediria do namorido de comprar um boné dos Yankees. Nem se que pra isso, ele tivesse que fazer eu me vestir de Britney Spears! Eu cedi. Fiquei loira e engravidei em prol da traição esportiva!
Tenho que admitir que o casal pop foi a sensação da festa de Halloween. Todos ficavam, a princípio, envergonhados sem saber se eu estava mesmo grávida, mas assim que viam que não passava de um travesseiro, eram risadas, elogios e fotos!
O namorido estava insuportável, se achando muito sex com aquela roupa, o que pra mim era surreal. Como alguém, sob qualquer sircunstância, pode achar que está bem vestido quando fantasiado de Kevin Federline! Passou o dia seguinte a festa desfilando o boné até que ele recebeu um telefonema. Era a organizadora da festa da noite passada, ela estava ligando pra dizer que o namorido tinha ganho o prêmio de melhor fantasia. Ele ficou bem empolgado até a hora que a organizadora da festa, estudande de moda que trabalha na Vouge Teen, falou:"Você estava perfeito, tão White-trash!” White-trash pra quem não sabe, seria traduzido como “povão” ou “cafona.” Depois desse comentário, o boné passou a gastar mais tempo na caixa do que na cabeça do namorido.
A festa foi no fim de semana antes do Halloween que só seria na terça-feira. O namorido tinha que voltar pra Dallas a trabalho e eu estava ocupada pra sair durante semana. O namorido me ligou dizendo que ia sair com seu amigos de infância de Dallas e que iria de K Fed. Eu comentei que ele talvez não fosse reconhecido solteiro, mas não achei que seria má idéia usar a fantasia mesmo assim.






X







As 3 da manhã na madrugada de Halloween, meu telofone tocou. Era o namorido. Ele estava em um bar quando um bêbado começou a gritar com ele do outro lado do bar dizendo que o NY Yankee era uma merda. O namorido achou engraçado e não deu bola, mas o bêbado insistiu mostrando o logo no boné que usava. O namorio viu pelo boné, que o homem era fã dos Cowboys, o mesmo time de Futebol Americano por qual torcia. O homem se aproximou e continuou a instigar, o namorido resolveu então mostrar sua carteira de identidade, pra mostrar pro inergumeno que ele era de Dallas e também fã dos Cowboy. Quando ele pegou a carteira no bolso, o enfurecido Cowboy derrubou com um tapa a carteira de suposto Yankee, que se abaixou pra recolher-la. Quando se levantava, outro tapa tirou-lhe o boné da cabeça, e antes que pudesse entender o que estava acontecendo, foi golpeado com um soco no olho. Agora ele estava dirigindo o seu carro a caminho do hotel onde estava hospedado e falando no telefone comigo. Seu rosto sangrava, mas ele não sabia de onde o sangue vinha. Eu precisei de 15 minutos pra convecê-lo de que teria que ir ao hospital. Depois de passármos os dois a noite em claro, eu em NY e ele em Dallas no hospital, soubemos do diagnóstico: Um corte no supercílio, dois ossos quebrados no rosto e a eminência de uma cirurgia caso o osso quebrado, que era responsável pelo suporto do olho, saisse do lugar.
Foram quase 6 semanas visitando diferentes médicos até que a intervenção cirurgica fosse descartada. O namorido se recuperou, parcialmente, ainda não sente parte da arcada dentaria do lado atingido, pois a recuperação desse tipo de nervo é lenta. Mesmo sabendo que a história toda andou longe de ser engraçada e vendo o namorido inchado e roxo, eu não resisti em dizer:
“Eu disse que um fã do Red Sox usando um boné dos Yankees não podia dar em boa coisa!”