quinta-feira, maio 03, 2007

Resurgir das cinzas...

Chega de saudades... Eu disse que não ia escrever enquanto eu não estivesse me sentindo melhor por que eu não gosto de escrever de mal humor. Duas coisas me fizeram voltar a ativa. A primeira foi por que eu finalmente me lembrei de que nada melhor do que rir das nossas desgraças para seguir em frente. A segunda foram os últimos acontecimentos da minha vida, que são tão inusitados que parecem ter saído de um roteiro de cinema forçador de barra!

Filme de Português
Voltemos a um dia antes da tragédia, antes do namorido terminar comigo! Eu estava trabalhando nesse filme português de produção francesa que estava filmando por três semanas em NYC. O filme como era um filme português era cheio de estupidez, o que estava me atolando de trabalho. Um dia antes do namorido terminar comigo, era o dia "D", o dia que eu teria que trabalhar igual um jumento emprestado, eu tinha que vestir 27 pessoas todas roupas de época, incluindo 5 oficiais da marinhas, na verdade, 2 oficiais e 3 marinheiros do fim da segunda guerra mundial.
Eu nunca tinha vistos os atores na vida, eu tive que alugar as roupas simplesmente confiando nas medidas que ele haviam me dado por telefone. Um dos atores estava super apertado e eu e minha assistente estávamos apertando ele em todas as direções possíveis pra conseguir fechar os mil botões daquela calça. O pobre coitado olhou pra mim e disse:" Eu juro que eu não sou gordo!" Era verdade! A calça era apertada, o rapaz estava mais do que em forma. Depois de ficar de joelhos com minha cara na pélvis do menino por 15 minutos, tentando abotoar a calçar, eu terminei o trabalho.
No set é sempre assim: você trabalha como uma louca por horas, depois fica milhões de horas sem fazer nada, esperando eles filmarem. Algumas dessas horas o marinheiro espremido nas suas calças apertadas passou conversando comigo. Parecia que ele estava se engraçando pro meu lado, mas ainda não era algo certo. Na hora de mandar os moçoilos pro set, eu arrumava as gravatas de marinheiros enquanto um dos atores empolgado tirava fotos. O marinheiro espremido, que tinha comentado como o uniforme de marinheiro era ridículo ( é verdade), disse que só ia aparecer em uma foto com aquela roupinha se ele estivesse ao lado de uma mulher bonita. Nesse momento, eu confirmei a desconfiança.
Eles voltaram do set e na continuação da conversa, eu tratei de por os pingos nos "Is". Aproveitei a primeira deixa pra dizer que eu era casada. Ele obviamente se decepciono, mas me deu o seu cartão, me convidou pra sua peça de teatro e disse que eu levasse meu namorido. O fato de que o marinheiro espremido era extremamente bonito, só me fez pensar no fato de ser casada por cinco minutos, logo depois , eu estava enumerando pra mim mesma as razões por que eu estava com o namorido.

A tragédia!
No outro dia eu estava de folga, e como eu não tinha que trabalhar, estava chovendo, assim eu teria que ficar trancada em casa em vez de fazer alguma coisa. O namorido sustentava a cara de bunda que ele vinha mostrando a semanas. Eu sentei no sofá e perguntei qual era o problema e assim, bem inesperadamente, a estilo namorido , ele soltou a bomba: queria terminar.
Eu me recuso a entrar nos detalhes do término, por que isso não é engraçado! O que eu tenho que dizer, simplesmente para o entendimento do que eu vou contar depois, é que eu ainda amo muito o namorido e que tentei de tudo pra que isso não acontecesse, mas ele bateu pé que queria se separar!
Tentei sair pra espairecer, mas era uma tempestade do lado de fora do apartamento. Tive que voltar pra casa e ficar no meu kitnet com meu ex namorido... O que é engraçado é que enquanto eu estou discutindo os termos da separação, o meu celular toca. Era o produtor do filme, ele estava me ligando pra dizer que eu teria que resolver um pepino no outro dia de manhã cedo. Engoli o choro, atendi o telefone e resolvi o pepino.

O português louco!
No outro dia cedo, juntei os cacos e fui pro trabalho uma hora mais cedo do que tinha que ir, por que o diretor do filme iria acumular a função de ator nesse dia. Ele queria se vestir no hotel em vez de no set. Cheguei adiantada como sempre. Esperei o caminhão cegar peguei a roupa que a figurinista de Portugal havia mandado para a cena. Subi pro quarto do produtor para passar a roupa e as 7:30 como o combinado, eu desci pro lob do hotel com a roupa pronta.
Quando a porta do elevador se abre eu vejo o diretor do filme. Um velhinho de 98 anos de idade. Ele olhou pra mim com uma cara de quem queria me matar e começou a berrar comigo em francês. A única coisa que eu pensava era " Esse velho escolheu o dia errado pra gritar comigo". Sem nem responder, eu apertei o botão do elevador e a porta se fechou enquanto o velho louco gritava. Subi ao andar do produtor que era quem havia me dado todas as instruções do que eu estava fazendo e lhe disse que o velho louco estava aos berros. Ele entrou no elevador comigo e eu completei lhe dizendo que se o maluco não parasse de gritar , eu iria embora. Eu já achava que estava fazendo muito em estar lá nas condições que eu me encontrava, sedo escorraçada sem nem saber por que era obviamente demais.
Quando saímos do elevador o produtor explicou ao velhinho lelé, que eu tinha feito o combinado, mas ele estava revolto por que o figurino não estava todo a sua disposição, para que ele escolhesse o que queria usar. Vendo os meus olhos cheios de água, nessa hora toda a equipe francesa tentava me convencer a não me demitir, enquanto o velho ainda esperneava. Quando ele finalmente pos o dedo na minha cara, eu virei as costas e comecei a andar. O produtor me agarrou o braço e pediu um minuto. Se virou pro diretor e agora era o velhinho que estava sendo escorraçado. O produtor lhe agarrou o braço e empurrou-lhe porta a dentro gritando barbaridades em francês. A equipe toda veio pedir desculpas e me explicar que o velho era maluco e que estava nervoso por que ia atuar e que quando isso acontecia ele sempre descontava em alguém. A única coisa que eu tinha a dizer era: " Ele escolheu o dia errado pra gritar comigo".
Depois de muitos beijos e abraços franceses seguimos pra o set, nós íamos filmar num barco perto da estátua da liberdade. O dia estava absolutamente lindo o que ajudou a melhorar meu humor de recém separada que tinha acabado de ser esculachada por um velho doido! Parece estranho quando você lê isso do Brasil, mas se você vive em um lugar onde as quatro estações são bem demarcadas, você é mais capaz de entender a importância do clima em uma hora como essas. Depois de ter passado o dia do término trancada em casa com o ex-namorido por causa da chuva, aquele dia era uma bênção, o que me fez pensar que dos males o menor: ao menos ele tinha terminado comigo na primavera! Imagina se fosse no outono que é triste, chuvoso e que vem seguido do inverno... não consigo nem imaginar!
Depois de todos vestidos e maquiados, eu fiquei bem sentadinha na parte interior do barco exercitando meu lado Poliana, tentando ver o lado bom em tudo. Que importa se eu estava forçando a barra, dessa vez eu estava decidida a não cair em depressão e chorar. Com toda a confusão e gritaria de manhã cedo, eu tinha esquecido o que eu tinha feito na noite anterior. Depois de passar o dia trancada em casa com o ex-namorido, querendo por uma bala na cabeça, eu tinha resolvido sair de casa e ser social. Tinha enviado um e-mail ao marinheiro espremido dizendo que eu queria ir assistir a sua peça no domingo, quando eu estaria de folga. Agora, eu estava no barco e não ia ter uma resposta tão cedo. Enquanto eu me recompunha da décima vez que eu chorava na manhã, eu tirei o celular da bolsa e enviei uma mensagem perguntando se ele tinha recebido meu e-mail. Ele disse que sim e que tinha me respondido. Eu disse que no estava em casa e que não poderia ver meus e mails o dia todo. Ele me respondeu dizendo que não teria peça no domingo, mas que no sábado, naquela mesma noite, ele poderia deixar dois ingresso na portaria pra mim. Respondi que não sabia se conseguiria terminar o trabalho a tempo, mas que ligaria pra ele assim que soubesse que hora eu terminaria o trabalho, acrescentei que não precisaria de dois ingressos.
O dia terminou espantosamente cedo. Acostumadas com dias de 14 a 16 horas, aquele terminou em menos de 10 horas, quando eu ouvi:"Wrapping!" eu nem acreditei. A maquiadora e cabeleireira do filme, que é uma fofa, pra melhorar meu humor resolveu arrumar meu cabelo no caminho de volta, enquanto o barco não chegava no cais. Eu liguei pro marinheiro e disse que iria assistir sua peça. Ele me ligou mais tarde e pedindo mil desculpas, me disse que os ingressos estavam esgotado, mas perguntou se eu gostaria de assistir um filme no domingo com um outro amigo. Eram filmes de estudantes da NYU e o amigo , que era ator também, estava em um deles. Eu respondi que sim. Na verdade, eu queria ir pra casa e sacudir o ex-namorido até o juízo dele voltar para o lugar, mas eu tinha me convencido de que eu tinha feito o possível e que agora, era seguir em frente.

O ressurgir da fênix
Voltei pra casa com o cabelo lindo, minha amiga Chechena me ligou e se prontificou a vir a meu resgate, nó iríamos beber chá! Enquanto isso o namorido saia com seus amigos. O pior de quando alguém termina com você é quando você fica analisando a pessoa esperando que ela se arrependa, caia de joelhos e peça pra você voltar, mas tudo que você consegue ver é alívio! Essa era a expressão do ex-namorido, ele parecia tão aliviado. Eu tentava pensar que ser era assim, talvez fosse melhor que aquilo tivesse acontecido, mas a verdade era que eu sabia que os motivos do término estavam destorcidos e misturados com muitas coisas que nem de longe passavam por perto da minha pessoa, era como ser culpada por um crime que você não cometeu, mas talvez a realidade fosse que ele simplesmente não me amasse mais.
O ex-namorido tem um ciclo bem peculiar, ele geralmente me ama pela manhã, quando ele acorda, é cheio de beijos e abraço preguiçosos. a tarde o mal-humor já teve tempo de corrompê-lo, por isso ele geralmente se torna distante até quando ele sai a noite pra beber com os amigos. Eu não acompanho sempre e quando acompanho, geralmente chego em casa mais cedo. Quando o namorido chega em casa a noite e o álcool já lavou o mal-humor, ele se torna um homem apaixonado novamente. Aquela noite não foi muito diferente. Ele chegou em casa, pediu desculpas, disse que gostava muito de mim e que eu era uma pessoa incrível, mas que ele tinha que fazer o que estava fazendo.
Na outra manhã ele tentou se socializar me contando da noite passada com os amigos, mas eu deixei ele falando sozinho e fui ao Café da esquina.

Só um marinheiro pra me salvar!
Enquanto eu estava no café, meu telefone apita: mensagem! A chuva estava torrencial! Parecia o fim dos tempos! Quem melhor pra me salvar de um dilúvio do que um marinheiro. A mensagem era dele, queria saber se eu queria ir assistir um filme com ele. Era um filme em que um dos outros atores, que eu também vesti de marinheiro, tinha participado. O outro marinheiro também iria nos acompanhar.
A chuva não dava sinal de que iria para, mas mesmo assim eu fui com a cara e com a coragem. Cheguei no cinema um pinto molhado. Festival de cinema universitário, e o outro marinheiro, o que fazia parte do filme, não consegui chegar lá. Eu não sei se o fato dele não aparecer, foi combinado, mas quem se importa! O filme era uma bosta! Sai do filme azul de fome e ele resolveu me levar pra comer sushi. Entramos no táxi, mas quando chegamos ao restaurante, estava fechado. Estava sendo reformado por causa de um incêndio elétrico! Olhamos para o outro lado da rua e vimos um restaurante,mas na hora de atravessar a rua, eu encalhei. A altura da água na rua já estava alta e eu estava usando um sapato baixo. Pensei em todos os ratos que eu vejo por NYC e pensei no meu pezinho naquela água... antes que me desse conta, o marinheiro se prontificou pro resgate. Sem falar nada me pôs no colo e atravessou a rua me carregando. Pode parecer baranga, mas eu tenho que admitir que eu me senti a Michelle Phifer sendo carregada pelo George Clooney, num filme de seção da tarde!
O restaurante era lindo, altamente romântico, eu nunca teria encontrado um igual se eu tivesse procurado. Depois de horas de conversa fiada, eu vi que o bicho ia pegar pro meu lado a esse ponto eu ainda não sabia muito bem o que eu estava na verdade fazendo num dia chuvoso com um marinheiro desconhecido. Mudamos de endereço e fomos a um bar e no sentamos no balcão.

Oh não!
Quando nos sentamos o marinheiro não perdeu mais tempo: me beijou. Lá estava eu, menos de 48 horas depois de o namorido terminar comigo , beijando outro cara. Lembrei de uma amiga que nessas ocasiões sempre diz:" Tá achando o que, meu filho? A fila tem que andar." Segundo meu primo, a minha não anda, voa! Larguei a mão de pensar e me concentrei no pobre do menino que tinha até me carregado nos braços pra ganhar um beijo. Ao menos enquanto eu estivesse ali, eu não ia estar pensando no namorido, eu pensei.

De louco a gente mantém distância, vai que ele morde!
Cheguei em casa tarde. Cumprimentei o namorido, mas ele não respondeu. Fui na cozinha pegar um copo de água e perto do lixo eu vi um pedaço picado do panfleto da peça do marinheiro. Dentro do lixo, o resto do panfleto, em mil pedacinhos. Reparei que o pedaço que estava no chão era o pedaço que tinha a foto do marinheiro. Pensei num motivo pra que o namorido tivesse feito aquilo, mas não pude imaginar, um vez que ele não sabia de nada. Fui me deitar e quando eu já estava debaixo das coberta o namorido veio me interrogar:"Você ficou com esse cara dessa peça?" Meu primeiro pensamento foi:"Como diabos ele descobriu?" , o segundo foi "Azar o dele, não mandei mexer nas minhas coisas!" "Fiquei", respondi. A indignação foi digna do Oscar. Rebati logo dizendo que eu não ia ficar em casa louca chorando por causa dele, que eu tinha feito o que eu podia pra convencê-lo de não terminar comigo e que nada adiantou. Completei dizendo que eu gostava muito dele e que se eu deixasse essa separação me derrubar a queda ia ser muito feia. Ele se parou de esbravejar quando eu já brava falei que eu ia fazer o que eu tivesse que fazer pra me recuperar do término, e que se ficar com um marinheiro 48 horas depois do término me ajudasse, era o que eu ia fazer. Ele pediu desculpas, disse que eu tinha razão.

Frio vento e péssimo serviço de telefonia celular
No outro dia, eu tinha que viajar pra filmar em Massachusetts. Chuva, frio e vento, eram só um temperinho a mais no cansaço de não ter dormido a noite anterior brigando com o namorido. Pra piorar a situação, o meu celular não funcionava no hotel, então toda vez que eu queria ligar pra alguém, eu tinha que ir pro estacionamento do hotel, ao relento, sob o sereno e o veto frio!
O marinheiro ligou várias vezes pra dizer que estava com saudades. O namorido ligou também, mas deus sabe por que! Sai várias vezes com a maquiadora / cabeleireira, que a essa altura tinha se tornado minha amiga! Aproveitei a distancia pra por as idéias em ordem, mas tive que voltar pra casa quando as filmagem acabaram.
Chegar em NY foi ótimo, o namorido estava em casa, mas pelo menos o clima estava um pouco melhor. O último da de filmagem seria em NY, em Colombus Circle, em frente ao Central Park. O dia amanheceu lindo, céu azul, sol, e o Central Park já dando sinais de que a primavera, mesmo que atrasada, estava chegando! O produtor do filme, era francês, mas por ser casado com uma brasileira e falar português, havia criado uma simpatia imensa por mim. Sempre me rodeando fazendo piada sobre o diretor e seu mal humor. Eu estava sentada no banco da praça bem tomando sol e fingido que o frio não existia, quando ele sentou-se ao meu lado e disse: “ Quase a mesma coisa que pegar um sol em Ipanema!”. Eu ri e disse: “ Pena que eu não trouxe o biquíni”. Eu ri, pensei o quanto seria bom estar em Ipanema pra dar um mergulho, olhei pro Parque e pra fonte ao redor do monumento de Cristóvão Colombo e me dei por satisfeita com o que eu tinha.
Durante toda a manhã a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu estava diante de um novo começo, e que aquilo poderia não ser de todo mal. O produtor perguntou pela primeira vez como eu estava, ele sabia que eu estava me separando, mas não tinha tocado no assunto. Perguntou se era definitivo. Eu disse que sim, que o namorido tinha deixado claro que era o fim. Ele respondeu sabiamente: “Antes agora, do que a dez anos!” Nós rimos e continuamos a aproveitar o sol igual duas lagartixas.

De volta ao lugar comum...
O filme acabou e eu sabendo que as coisas andavam bem devagar na industria cinematográfica em NY, eu tratei de procurar um trabalho garçonete. Chamei uma amiga pra jantar no restaurante Grego que eu trabalhava antes planejando jogar verde pra colher maduro. O plano funcionou. No outro dia o gerente me ligou dizendo que se eu quisesse trabalhar lá eu poderia. Dos males o menor, eu teria que ser garçonete, mas pelo ao menos eu estaria num lugar que eu sabia como as coisas funcionavam, onde eu era bem tratada e ganhava um bom dinheiro.
Nada melhor poderia ter acontecido comigo do que voltar par o restaurante. De repente solteira, eu me vi essa pessoa absolutamente sociável em dois meses quase todas as garçonetes de recepcionistas era minhas melhores amigas.
O meu marinheiro a essas alturas do campeonato já tinha se afogado em alto mar. Eu tentei sair com ele duas outras vezes, mas o rapaz conseguiu me entediar no segundo encontro. Digamos que o rapaz não era muito culto, ou não tinha muito o que dizer. Depois do terceiro encontro, eu não agüentava mais ele dizendo como os meus olhos eram bonitos e comecei a desconfiar se ele realmente pensava que meus olhos eram bonitos, ou se eles simplesmente não tinha nada mais a falar.
Para piorar a história com o marinheiro, veio a pior das coincidências. O namorido procurava um lugar pra morar, uma vez que nós estávamos nos separando e o nosso apartamento era muito caro para ele manter só. Eu chego em casa e ele me mostra um e-mail desse prédio na rua 42 entre a Avenida 12 e 11. Eu engoli seco! Era descrição exata do lugar onde o marinheiro disse que vivia. O prédio tinha que ser o mesmo, por que era um tipo de prédio que não é comum em NY e no exato endereço que o marinheiro havia me dito. Eu pensei pro alguns instante e contei ao namorido que eu achava que o marinheiro vivia lá. O namorido havia investigado toda a vida do rapaz na internet que por ser ator, tinha sua própria página. A essa altura do campeonato, eu ainda não havia botado um ponto final no meu caso marinho! Eu só conseguia pensar em como diabos o namorido tinha arrumado um apartamento pra alugar no prédio do meu bofe com tanto lugar pra se viver em NY!
Ele foi ver o lugar, eu estava no trabalho quando eu recebi uma mensagem do namorido dizendo que havia cruzado com o marinheiro na portaria do prédio quando estava chegando no lugar e que ele havia desistido do apartamento.
Mesmo depois de toda a confusão habitacional, eu ainda estava em dúvida se eu continuaria a ver o marinheiro ou não, mas graças ao namorido eu me resolvi. Durante a investigação sobre a vida do meu pretendente, o namorido descobriu sua filmografia, ou seja, os filmes em que ele havia trabalhado e dentre eles constava o duvidoso trabalho feito na Inglaterra intitulado: “ O espelho erótico”, hummm.... pensei.... O espelho erótico? Fui pesquisar o espelho erótico e descobri que era um soft porn, não um pornô, o que quer dizer filme de sacanagem, mas os atores não fazem sexo de verdade. Pensei se aquilo era algo que me incomodava e a conclusão que eu e cheguei foi: “ SIM, ME INCOMODA!” Só o que me faltava, curar minhas mágoas com um ator de filme pornô,... desculpe: soft-porn!


Arrumando a mudança
Finalmente eu e o namorido encontramos lugar pra mudar. Eu arrumei um apê no Brooklyn com duas outras garotas e ele um no mesmo bairro que a gente morava, com um cara e uma garota. Quando a mudança foi se aproximando, o namorido começo a dar sinais de arrependimento. Andando cheio de coisa pro meu lado até o dia do meu aniversário. Eu vi que o bicho ia pegar e chamei ele na responsabilidade: “Meu filho, quem terminou foi você, agora você se resolva, que de cima do muro ninguém me namora!”
O namorido pediu que a gente voltasse, perguntou se eu gostaria de tentar ser namorada em vez de namorida. O plano era morar separado e continuar namorando. Pareceu uma boa idéia pra mim que feliz e sorridente atendi aos telefonemas de feliz aniversário com boas novas pra contar. A paz não durou muito, o ex-namorido, agora re-posicionado a categoria de namorado, continuava o mesmo de sempre, ficando doente sempre que tinha que me ajudar com a mudança, sumindo quando eu precisava dele... O pior foi o plano de recuperar o nosso relacionamento, para os primeiros dois meses, ele havia planejado 3 viagem diferentes: Porto Rico, Miami a Montreal.
Um dia em meio a minha bagunça de mudança, depois de noites sem dormir, eu me dei conta de que eu era a única que estava segurando o relacionamento pela pontinha. Resolvi largar! Chamei o namorido pra conversar. Disse que eu amava ele muito, mas que não achava que ele me amava. Ele discordou e disse que me amava. Respondi que se aquele era o jeito dele de amar, que aquilo não era pra mim. Desejei boa sorte, disse que sempre estaria a disposição pra o que ele precisasse e disse tchau. Sai andando calmamente e quando virei a esquina cai no choro! Chorava, soluçava, tonta sem saber o que eu tinha acabado de fazer. Tirei o telefone do bolso e mandei mensagens pra minhas amigas do restaurante, antes que eu desse pra traz e corresse atrás do namorido dizendo que eu estava louca. Minhas amigas prestaram socorro e me levaram pra jantar depois que saíram do trabalho.
A primeira vez que e vi o namorido depois do termino foi dolorosa, ele não parecia se importar, mas ele repetia varias vezes que achava que as coisas iam ajeitar entre nós. Era difícil de saber se a sua apatia era oriunda da falta de interesse ou da certeza de que as coisas acabariam bem. O espaço de tempo entre a primeira e a segunda vez em que nos vimos foi grande. Ele tinha ido pra Miami no fim de semana com um amigo, os dois ficaram no mesmo hotel onde ele havia me levado um ano atrás no meu aniversário. Eu fui a sua casa assistir o episódio final do nosso seriado de TV favorito: Sopranos, por que eu não tenho TV a cabo em casa. Depois de assistir TV, ele me convida pra jantar.
No jantar fica claro que a situação havia se revertido. A logo da semana a sensação de que eu ficaria bem, mesmo sem ele havia crescido em mim, o suficiente para que ele percebesse. Dessa vez ele era quem estava inquieto e desconfortável, obviamente tentando ler meus pensamento.
Perguntei como ele estava, e esperei sinceramente por uma resposta positiva, era primeira vez que eu via o namorido que a idéia de que a nossa separação fosse definitiva, não me parecia aterrorizante. Eu me senti triste e aliviada ao mesmo tempo.
Eu estou no Brooklyn, perto do parque onde eu posso ir patinar a hora que eu estiver de entediada, mas eu tenho que admitir que isso não tem acontecido muito. Eu comecei um trabalho novo, um filme da HBO. Eu tenho saído com amigos quase todos os dias depois do trabalho e quando isso não acontece, alguém chega em casa com uma garrafa de vinho pra regar a conversa. O clima em casa é tão bom que me faz lembrar a época em que eu vivia com minhas primas em Belo Horizonte.
Desde os 14 de idade, acho que essa é a primeira vez que eu vou se solteira, e se eu for ser justa, eu tenho que admitir que NYC no verão não é de todo o um mal lugar pra esse novo começo!

domingo, abril 15, 2007

Um tempo!


O coisas de Laurinha vai dar um tempo por razões emocionais e práticas. O namorido, dois dias atrás, terminou nosso namoro/casamento e antes que eu possa começar a escrever sobre as maravilhas de ser solteira em NY, eu preciso me recuperar do baque! Eu acabei de perdeu o homem que eu sempre acreditei e ainda acredito, ser o amor da minha vida, e embora muita gente escreva bem sob influências depressivas, meu forte é bom humor.
O motivo prático é que eu vou mudar e vou ficar sem computador por um tempo!
Coisas de Laurinha retorna quando eu me organizar para comprar um computador e conseguir reviver a antiga Laura, a do tempo da "Canção Naftalina". A boa notícia é que a velha Laurinha rende bem mais histórias do que a Laurinha do namorido.

terça-feira, março 27, 2007

Cosmo o quê, Narciso?

Eu tenho recebido muitas mensagens de amigos que lêem o “Coisas de Laurinha” reclamando que eu não tenho atualizado o blog com mais freqüência. Eu sinto muito, mas a verdade é que eu não tenho tido muita inspiração, e que mesmo quando a gente mora em NY, as vezes a vida pode se tornar um tédio sem fim.

Noite passada eu respondi a um convite de uma ex-colega de trabalho. Eu já falei dela no blog, muito tempo atrás. Ela é uma imigrante ilegal que veio da Chechenia. Chechenia, caso alguém não saiba, fica na Rússia e há dez anos enfrenta a instabilidade política gerada pelo movimento separatista. Chechenia vêem tentando declarar independência da Rússia desde o fim da União Soviética, e para isso, já passou por duas guerras. A República da Chechenia é de maioria Islâmica, enquanto a Rússia é de maioria Cristã Ortodóxica, mas como todos nós estamos cansados de saber, por traz de desavenças religiosas, sempre existem segundas e terceiras intenções e no caso da Chechenia, não seria diferente. O motivo pelo qual a Rússia bate pé e não abre mão do território Checheno é um velho conhecido nosso: o petróleo! A Chechenia é a região que tem a maior reserva de petróleo em toda a Rússia, e a independência desse república seria economicamente desastrosa para a antiga União Soviética.

Essa minha amiga veio de um pequeno vilarejo da Chechenia. Ela foi criada sob a religião Islâmica, filha única de uma mãe viúva, por isso, foi sempre a prioridade de sua mãe, que como cuidadosa figura materna, desejou pra sua filha nada menos do que o melhor. O melhor segundo sua mãe é o casamento com um bom homem islâmico. Há alguns anos atrás, minha amiga veio trabalhar em um camping de verão como monitora das crianças, era uma espécie de intercâmbio. Quando esse trabalho acabasse, ela deveria retornar a Chechenia, aceitar um bom homem islâmico que sua família escolheria como seu marido e viver feliz pra sempre, mas não foi o que aconteceu. Minha amiga resolveu não voltar pra Chechenia e continuou nos EUA como uma imigrante ilegal.

Nos conhecemos no Café onde eu trabalhava no Soho. Eu morria de rir todas as vezes que ela me dizia que ele tinha que se casar virgem, que ela nunca tinha namorado, que as vinte e três anos de idade ela nunca tinha tido um relacionamento. Para melhorar a situação, e fazer ela ainda mais engraçada, um dos garçons do Café onde trabalhávamos, era Cristão Ortodóxico do Egito, outra área onde Cristão e Islâmicos andam sempre as turras, e no Café, não era diferente: a Chechena Muçulmana e o Egípcio Cristão, estavam sempre em guerra. Lembro-me uma vez , de como eu precisei de cinco minutos pra entender o que tinha acontecido a poucos metros de mim. Minha amiga disse algo e o garçom Cristão fez o sinal da cruz para ela, imediatamente, ela começou a gritar e correu para o banheiro onde ela se trancou por vinte minutos. Eu não conseguia entender como uma coisa em que ela não acreditava, podia ser tão assustadora.

A maluca foi despedida por que, além de brigar com o Cristão Ortodóxico, ela não se continha em brigar com o dono do Café, um Judeu Israelense. Eu, a Infiel, como ela gosta de me chamar, aparentemente, era a única pessoa com quem ela se dava bem lugar, por isso continuamos amigas mesmo não trabalhando mais juntas.

Uma bela tarde de folga em casa, o meu telefone toca, era essa amiga, ela estava ao prantos e perguntava se podíamos no encontrar pra conversar. Eu disse que sim e perguntei o que havia ocorrido, “ Uma pessoas quebrou meu coração”, ela respondeu. Eu pensei:”O que?” Desliguei o telefone e me arrumei para encontrá-la e durante todo o tempo eu imaginava o que poderia estar acontecendo. Ela não podia namorar, sempre me disse isso, como é que isso aconteceu?

Nos encontramos no Lower East Side, minha vizinhança. Passeamos, eu mostrei as coisas que eu gosto perto da minha casa e nó paramos em um restaurante mexicano. Minha amiga me dissera uma vez que estava aprendendo espanhol e que adorava comida mexicana, como eu queria agrada-la, foi direto para o restaurante hispânico. Depois de escolher o que íamos comer e fazer o pedido, finalmente resolvi que era hora de tocar no assunto. Perguntei o que havia ocorrido, por que ela tinha me ligado tão aflita, quem teria sido essa pessoa que havia quebrado o seu coração? A resposta quase me fez entalar com o aperitivo que eu comia: “ Essa garota que trabalhava comigo” ela disse extremamente envergonhada. Eu fingi que não estava surpresa e perguntei: “ Ela era sua namorada?” Ela respondeu que sim. O primeiro trabalho que ela teve em NY depois do acampamento de verão terminar, foi de entregadora de comida nesse café em Midtown. Essa garota trabalhava com ela lá e foi assim que se conheceram, a menina era mexicana. A nacionalidade da garota fez com que eu entendesse a paixão pela culinária tchicana assim que como pela língua, mas ao mesmo tempo, fez com que eu me arrependesse amargamente de tê-la levado ao restaurante onde estávamos. Perguntei a quanto tempo estavam juntas e a resposta me arregalou o olhos novamente: “Mais ou menos dois anos”. Ela me contou sobre como gostava dessa garota, mas como sofria, por que achava que era errado ficar com ela. A união gay de uma Islâmica Chechena e uma Mexicana Católica, não foi fácil de administrar e, depois de várias brigas, a garota terminou o romance. Minha amiga estava inconsolável.

Isso aconteceu a quase um ano atrás, continuamos amigas, mesmo com as diferenças culturais, e noite passada, eu respondi ao seu convite: Patinar no gelo no Central Park! Eu tenho meus próprios patins, presente dessa mesma amiga. Fomos nos encontrar no Central Park com uma amiga dela de Nebraska e um amigo de trabalho Venezuelano. Depois de um ano, minha amiga ainda continua apaixonada pela ex-namorada Mexicana, e quando me viu lado a lado com o Venezuelano, falou: “Vocês podem conversar em espanhol”. Arranhei o meu portunhol aperfeiçoado nos Estados Unidos depois de tanto trabalhar com mexicanos nos restaurantes da minha vida. O Venezuelano ficou bastante impressionado, disse que eu não tinha sotaque de brasileira, que segundo ele, falam espanhol muito engraçado. Ele falou que meu espanhol era muito bom e que meu sotaque parecia o de uma porto-riquenha que depois de muito tempo fora de casa, desaprendera um pouco de espanhol.
Reparei no pescoço da amiga de Nebraska, um colar que parecia uma plaquinha. Era marrom, parecia com um colar que teria algo bíblico escrito, e era. Mais tarde perguntei pra minha amiga se a garota era religiosa. Minha amiga respondeu que sim, ela era extremamente religiosa, e que não fazia idéia de que minha amiga era gay. Lá estávamos nós, o Venezuelano Católico, a Chechena Islâmica Gay, a Americana Cristã Conservadora e a Brasileira Infiel, na melhor tradução do cosmopolitismo nova-iorquino, patinando juntos no Central Park! Minha amiga tratou de me alertar que o amigo da Venezuela também não sabia de sua preferência sexual, por isso eu não deveria comentar nada em sua frente. Argumentei dizendo que ela se preocupava de mais com o que as pessoas pensavam, ela respondeu dizendo que uma vez, ouvira esse amigo comentar que pessoas gays eram na verdade gente confusa, e que ela não se sentiria bem em entrar em detalhes com ele. Quem sou eu para me meter nesse balaio de gato? Fiquei quieta, mas por ironia do destino nó tínhamos escolhido um dia especial para patinar: era noite gay de patinação! Eu, adorei, a música era tudo de bom e as pessoas educadíssimas, todos engajados em aprender novos truques e piruetas! Minha amiga, em compensação se sentiu super-ameaçada.Depois de quase duas horas patinando, eu estava morta de sede e estava começando a chover, então nós entramos para beber água. Eu estava de costas para minha amiga bebendo água, quando eu ouvi uma voz se dirigindo a ela: “ Pode pegar uma pra você!” eu me virei e comigo a sua amiga de Nebraska. Minha amiga abria uma caixinha colorida que trazia em sua mão, foi quando eu vi ela ficar muito vermelha. Ela ria, cobria a boca e andava meio desorientada procurando uma forma de se ver livre da caixa, finalmente ela jogou a caixa de volta a mesa de onde a tinha tirado e correu para o banheiro, passando por mim no caminho. Fui em direção a mesa para entender o que havia ocorrido. Como nós estávamos patinando no evento gay, eles haviam montado um stand para divulgar a caminhada gay contra o HIV e estavam distribuindo preservativos. Duas caixinhas, uma pra meninas e uma pro meninos! A caixa das meninas era uma gatinha e a dos meninos, um cachorrinho, dentro delas preservativos e lubrificantes, mas minha amiga tinha achado que era chocolate.

Eu estava de frente a mesa quando minha amiga saiu do banheiro mais vermelha do que um pimentão contando para a amiga americana-cristã-conservadora o que tinha acontecido. Ela me viu e começou a me contar a história de como abrira a caixa e quase coloca uma camisinha na boca. Eu ri e aceitei uma caixa que a moça do stand me oferecia. Quando íamos saindo a moça se referindo a minha amiga e sua acompanhante: “Não sei por que você está fazendo essa cara, aposto que vocês tem um namorado!” Sem que as duas me vissem , eu balançava discretamente a cabeça dizendo que não. A moça percebeu e me perguntou apenas com os olhos: “Não mesmo?” e eu respondi com a cabeça: “ Não mesmo!” Quando eu achava que tinha posto fim a situação embaraçosa em que minha amiga havia se metido, ouvi a moça grita: “Não tem ninguém? Pois pode ir indo lá pra fora pra ver se arranja alguma coisa! Onde é que já se viu?!” Boa coisa que eu era a única prestando tenção e minha amiga nem ouviu a moça.

Ignorando a chuva, voltamos a patinar. No gelo as figuras mais inusitadas: homem com calças de couro apertadíssimas; casais de judeus ortodóxicos, facilmente reconhecidos pelo jeito que se vestem; garotas moderninhas, cheias de pircings; ma também um monte de gente inidentificável. Isso me fez pensar na necessidade que temos de identificar as pessoas, pensei em por que a gente faz isso? A resposta rápida: Identificar para se identificar! Eu falo isso sem apontar dedos, por que ia estar apontando a mim mesma. Mas, quão narcisista é o ser humano, que mesmo rodeado por várias pessoas diferentes, ainda sente a necessidade de ver a si próprio em cada rosto para o qual olha? Medo talvez? O fato é que NY não é o lugar de sentir medo e sim, o lugar para testar se o seu pedido por cosmopolitismo, que fez você vir parar aqui, é genuíno ou não! E você? Tem certeza de que Narciso NÃO acha feio o que não é espelho? Já fez o teste? “It’s up to you, New York, New York..."
The Big Apple!

sexta-feira, março 16, 2007

Para alcançar paraíso é necessário se passar pelo calvário!

Depois de muito mofar em NYC, lá estava eu, arrumando minha malinhas a caminho de Jericoacoara. Esse pedaço do paraíso já havia sido previamente visitado por mim e por isso, a minha ansiedade era ainda maior. Como as melhores coisas da vida, Jericoacoara, não é um sonho fácil de ser alcançado, é um lugarejo no meio do nada. A nossa jornada deveria começar em Teresina, de onde pegaríamos um ônibus para Parnaíba, litoral do Piauí. De lá, seguiríamos em outro ônibus até Camucim, no Ceará. Na rodoviária de Camucim, alugaríamos dois bugres para acomodar o grupo de oito pessoas que viajava rumo ao paraíso. Tirando as longas horas de ônibus, de espera na mudança de ônibus e da descoberta de que a volta, talvez fosse ser bastante complicada, devido ao horários desencontrados dos ônibus com os quais estávamos contanto, a viagem até esse ponto, tinha sido tranqüila. Na hora de alugar os bugres na rodoviária, descobrimos porém, que existira um problema de comunicação entre os viajantes. Metade dos mesmo, haviam sido informados, erroneamente, do preço dos bugres, e não se mostraram contentes com a descoberta dos salgados preços!

Tentando resolver a situação algumas das viajantes insatisfeitas, encontraram um motorista de um veículo que seria capaz de levar-nos todos por um preço quase três vezes menor do que os bugres. O possante era um Geringonça! Eu me senti a própria Tieta entrando na “Princesa do Agreste”, mas não me preocupei, por que o tipo de carro que fazia esse translado era assim mesmo. O possante tinha adesivos na janela lateral do carro dizendo passeios para Jeri, preferi então, abri mal do bugre para benefício geral dos viajantes.

Todo mundo na Geringonça!


Entramos na Geringonça e uma repentina chuva começou a cair. Notamos que haviam goteiras e que entrava água por todos os lados da Geringonça. Nos conduzindo, iam o motorista e um ajudante, que viajava no teto da veículo junto com a bagagem. A Geringonça tinha que atravessar um braço de mar até uma ilha, de onde seguiríamos para Jeri. Enquanto os outros viajantes se mostravam bem assustados com a peripécia, eu aproveitava a brisa do mar, uma vez que aquilo já não era novidade pra mim. Foi logo depois, assim que chegamos em terra firme, que os problemas começaram. Entramos na Geringonça e o motorista foi posto a prova: dirigir nas areias fofas da dunas e nas molhadas da beira mar. E o que aconteceu já podia ser antecipado pela falta de jeito com que o rapaz começou a jornada, em cerca de dez minutos o indivíduo atolou o carro na beira mar, e se não fosse suficiente, quebrou o câmbio do veículo no desespero. Agora lá estávamos nós, atolados no meio do nada, no sol escaldante do Ceará.

Um bugre passou e o motorista pendurou-se na lateral do carro e foi a Jeri buscar outro carro para o nosso resgate. Ficou conosco o podre infeliz que viajava com as bagagem: ele era o dono da “Princesa do Agreste” e estava desconsolado em ver seu carro atolado, prestes a ser devorado pelas ondas do mar! Eu nesse momento muito enfurecida para sentir por sua perda, me empenhei no resgate de nossas malas junto a um dos viajantes. Que a “Princesa” se afogasse tudo bem, mas dai a minha bagagem!
Enquanto esperávamos resgate, muitos carros passaram, mas todos muito cheios para prestar socorro. Para nossa surpresa, um jatinho passou dando um rasante a poucos metros da praia, o que me fez pensar: "E nós achando que muito luxo é alugar dois bugres pra oito pessoas!” Mas o pior foi quando eu resolvi conversar com o dono do veículo. Alguma coisa me dizia que o nosso motorista não era, digamos, muito experiente! Eu perguntei se o rapaz já havia feito esse percurso. A resposta foi vegonhosamente, mas sinceramente respondida: “Não”. Quando eu decidi fazer uma segunda pergunta: "E o carro já fez essa viajem?” A resposta foi impagável: “Já, quer dizer... já , mas nunca chegou lá!” A resposta arrancou gargalhadas de todos os viajantes queimados de sol e exaustos da viagem, que até aquele momento já havia durado mais de doze horas, e estava longe de ver seu fim!

Quando tudo parecia perdido, um carro passante finalmente parou para ajudar, era uma caminhonete que a primeira vista, parecia cheia, e a segunda vista também. Embora parecesse impossível que mais oito pessoas coubessem no carro, o motorista insistiu: "Vai ficar ai no meio do sol quente menina? Se aperta ai!” Não pode deixar de notar o sotaque do salvador: “Era só o que faltava, vou ficar devendo favor pra um argentino!”, pensei. No total, éramos dezesseis pessoas no carro, sem contar as malas. Foi o maior atentado as leis da física, era perna entrançada com perna, joelhos de um cutucando as costelas do outro, e tudo isso ao “suave” balançar da carroceria da caminhonete que desengonçadamente , subia e descia as dunas cearenses. Ainda na carroceria do carro, tivemos que cruzar uma lagoa de jangada. Era uma plataforma de madeira onde o carro subia e quatro homem empurrando o fundo da lagoa com varas, a movia. Depois de mais de quarenta minutos na carruagem do salvador, ou melhor El Salvador, chegamos a Tatajuba, cidade mais próxima de Jericoacoara. El Salvador, era dono de um hotel em Tatajuba. Ele parou no hotel e disse que se quiséssemos usar o telefone, poderíamos chamar por bugres, mas que em poucas horas, ele mesmo estaria a caminho de Jericoacoara e poderia nos levar. Totalmente influenciados pelo bom ato de El Salvador, resolvemos ficar. Iríamos almoçar no seu hotel, e descansar até a hora da carona. O lugar era lindo e talvez por isso não nos demos ao trabalho de perguntar quanto pagaríamos pelo almoço. Pouco antes do almoço ser servido, o ajudande de El Savador me abordou. Ele vinha dizer que El Salvador estava cobrando vinte e cinco reais por pessoa para nos levar para Jeri, o que sairia mais barato do que dois bugres. Nesse momento eu percebi que El Savador estava se saindo um bem feitor bastante sabido, foi quando eu me preocupei com o preço da nossa futura refeição, mas já era tarde! O almoço veio, com certesa a pior comida que eu comi na vida, só não foi pior do que a conta: por arroz, feijão e peixe frito, cada pessoa pagou quase quarenta reais! “Juntando com os vinte e cinco da viagem e multiplicando por oito, aposto que dava pra gente ter pego o jatinho!” ironizei.

Entramos no carro, novamente contrariando as leis da física, mas a esse ponto o cansaço já era tamanho que nem um de nós tinha mais forças, nem para reclamar do martírio que a jornada havia se tornado. Quando me concentrava no vento que soprava em meu rosto reparei em como minha pele já tinha sido queimada pelo sol. Nesse momento de reflexão, senti um cheiro estranho. Olhei pra dentro da cabine onde duas de nossas viajantes estavam. A cabine estava cheia de fumaça e uma de nossas amigas tinha a cabeça pendurada pra fora do carro. El Salvador e o ajudante fumavam um baseado e defumavam nossas amigas.

Finalmente avistei Jeri de longe e compartilhei a felicidade com os outros pois, já estávamos viajando a quase dezoito horas nesse. Desembarcamos, pagamos nossas passagem de primeira classe e não pude deixar de observar as expressões das duas viajante que completaram a jornada na cabine da caminhonete. A princípio, pensei que as caras pasmas se deviam ao ritual de defumagem, mas assim que os “Bem feitores” se despediram e nos deixaram, descobrimos que nossa aventura guardava emoções ainda maiores. Junto de El Savador e seu ajudante, iam no carro duas crianças. As crianças embarcavam na caminhonete enquanto nós esperávamos, já embarcados, a graça dos dois. Nesse momento uma das crianças que devia ter menos de seis, abriu o porta luvas e chamou a atenção de nossas duas amigas: "Olha, um revólver!” As duas se olharam e antes que tivessem tempo de esboçar qualquer reação,"Los Amigos" entraram no carro e pegamos a estrada, ou melhor as dunas. O fato é que nem mesmo toda a lombra de fumante passiva de baseado foi suficiente pra relaxar as duas coitadas que ainda tinham os olhos estatelados.
Terra a vista!

Mesmo depois de inesperada jornada, fomos capazes de aproveitar Jericoacoara, que é tão bonita e inspiradora que arrancou de um dos viajantes um elogio inusitado. Ao caminho de nosso jantar, o rapaz parou ao avistar uma vaca que se punha a comer as folhas das palmeiras do jardim de uma pousada, o jovem então comentou: “ Aqui tudo é tão bonito, até as vacas. Olha que vaca elegante!”

A vaca elegante dias depois apareceu na minha janenela para ser fotografada!

Bem, pra se chegar em um lugar onde até as vacas são elegante, acho que eu não preciso nem dizer que o sacrifício valeu a pena!

PS: El Salvador era na verdade Espanhol, mas ele tinha espírito de Argentino, eu prometo!

segunda-feira, março 12, 2007

Por que esporte e moda não andam de mãos dadas!

Desculpas esfarrapadas
Ok, então eu resolvi escrever. Depois da dor de ter perdido dois textos pra minha interminável batalha compra a lógica tecnológica, só mesmo a trilha sonora do filme da Drew Barrymore e do Hung Grant, Music and Lyrics, pra me inspirar.
Eu sei que parece desculpa esfarrapada, mas eu espero que as duas histórias perdidas que eu vou me por a escrever agora, não fiquem muito atrás das primeiras versões.

Reclamações de um personagem recorrente
O namorido reclama que eu estou sempre falando dele no meu blog, o que é verdade. Sobre isso, eu só tenho uma coisa a dizer em minha defesa: Eu não posso fazer nada se ele está sempre rendendo assunto!
Eu já escrevi uma vez sobre o consumismo Americano, quando eu falei da parceiria entre a Apple e a Nike, essa nova história passa lá por perto, no mundo da moda, mas primeiro ela faz uma parada em outro tópico: Americanos e o esporte.

Muito pior do que o Fla Flu!
Se você é uma pessoa que, como eu, nunca deu muita importância pra quem está na final do Campeonato Brasileiro e fica irritada quando depois da novela, em vez de um filme que você já viu trinta vezes, a Globo resolve por no ar o Flaflu, saiba que a resposta é: “Sim, dá pra piorar!”
Hoje, por exemplo, é sábado, o namorido vai passar a próxima semana toda em Chicago e em vez de a gente estar fazendo algo juntos, ele está no sofá assistindo Campeonato Universitário de Basquete. Aqui, os Campeonatos Universitários são quase tão importantes quanto os profissionais, o que multiplica por dois o número de jogos pro categoria espertiva. O namorido por exemplo, gosta de basquete, futbol Americano e baseball, entre essas, baseball é a única categoria esportiva pra qual o namorido não tem um time na Liga Universitária. Isso se traduz melhor na listagem dos times pra os quais ele torce:
  1. Dallas Mavericks, NBA, Liga Profissional de Basquete.
  2. North Carolina, Liga Universitária de Basquete.
  3. Dallas Cowboys, Liga Profissional de Futebol Americano.
  4. Texas Long Hornes, Liga Universitária de Futebol Americano.
  5. Boston Red Soxs, Baseball.

O que essa lista significa é que não existe paz nesse hemisfério das Américas. Quando termina a temporada de uma categoria esportiva, começa outra. Eu tenho que admitir que eu até gosto de assitir Futebol Americano, e eu que até tentei no começo apoiar os times de Basquete do namorido, uma vez que é o seu esporte favorito, mas na finais da NBA ano passado eu desisti. O time profissional de Basquete do namorido, pela primeira vez na história chega nas semi-finais e vai jogar contra os arqui-inimigos: Saint Antonio. Eu, como boa “com-sorte”, faço a minha parte, assisto os primeiros quinze minutos, durmo e falo pro namorido me acordar nos últimos 5 minutos de jogo. Dois dias depois, o namorido me diz que nós temos outro jogo pra asistir: Dallas Mavericks x Saint Antonio, humm… De’javú! Não quiz dar uma de burra, por isso não falei nada e a noite segui o mesmo ritual: 15 minutos…zzzzz… 5minutos. Dois dias depois, o namorido empolgadíssimo me pergunta: “Adivinha o que a gente vai assistir hoje?” Eu não muito empolgada respondo: “Dallas Mavs?” Ele responde que sim e completou dizendo que eles ia enfrentar o inimigo número 1: Saint Antonio! Nesse ponto eu achei que eu era esquisofrênica ou que eu estava dentro de um daqueles filmes em que o personagem acorda todo dia de manhã e está viviendo o mesmo dia repetidas vezes. Eu fiz uma pergunta pro namorido, achando que talvez a resposta seria algo tipo “a gente precisa achar um psiquiatra pra você” : “Dallas e Saint Antonio? De novo?” , mas em vez de quer me internar em um manicômio, o namorido me explicou como as semi-finais e finais da NBA funcionavam: Melhor de sete!
Melhor de sete? E eu que achei que prova de amor era comer carangueijo com o namorado. Melhor de sete, isso sim é que é prova de amor. Dallas x Saint Antonio só iria desenpatar as minhas noites depois de uma melhor de sete!
A única experiencia como espectadora esportiva nos EUA que pode ser comparada ou desespero da descoberta da melhor de sete da NBA, foi assitir um jogo de Baseball no estádio! Primeiro por que acabou com a fantasia que eu tinha na minha cabeça de que Baseball é legal!

Eu assiti o filme “Uma equipe muito especial”, um dos meus preferidos, Tom Hanks, Geena Davis, Madonna, … O filme era sobre a Liga de Baseball feminina que foi criada no período da Segunda Guerra, e Tom Hanks e Geena Davis são mais do que suficiente pra fazer você achar que baseball é o esporte mais legal do mundo! A verdade é que ele deveria estar na lista dos mais chatos. Primeiro que é impossível de se entender. Toda vez que eu achava que estava começando a entender o que estava acontecendo, algo estranho vinha acompanhado por uma nova regra e me confundia de novo. Se tudo isso já não fosse suficiente, o jogo é interminável. Uma partida de Baseball dura em media entre 3 e 4 horas, mas alguns podem chegara 5 ou 6 horas, e não como bsaquete, onde os times as vezes tem que jogar 7 vezes como o mesmo adversário, no baseball, um time pode ter que jogar contra o mesmo oponente até 10 vezes! Saí do estádio chingando todos os nomes e prometendo nunca mais voltar a um jogo de Baseball. O namorido defendeu o esporte dizendo que nós tínhamos ido a um jogo chato, mas que a emoção de assistir a um jogo dos Yankees x Red Soxs, era indiscutível.
Pra entender o que existe por tráz da rivalidade entre esses dois, é preciso se aprofundar um pouco na história do homem que é considerado até hoje o maior nome do baseball: Babe Ruth.
Babe Ruth nasceu em 1895 e aos 19 anos de idade foi contratato pelos Red Soxs. Ruth jogou bem pelos Red Soxs até quando foi vendido pros Yankees em 1919. A venda mudou a história do baseball, depois da aquisição de Babe Ruth, os Yankees ganharam o Campeonato Mundial 26 vezes e os Red Soxs amargaram um longo periodo sem vitórias, o que originou o mito da “Maldição do Bambino”. O fato de os Red Soxs terem vendido Babe Ruth para os Yankees teria amaldiçoado pra sempre o time de Boston que amargaria uma longa temporada sem vencer um campeonato. A Maldição do Banbino só foi quebrada em 2004, quando os Red Soxs finalmente venceram a Liga Mundial de baseball.

A maldição do banbino continua
O namorido é fã dos Red Soxs e eu, como uma pessoa altamente influenciada por arte e fácil de impressionar com um pouco que seja de drama, virei simpatizante dos Meias vermelhas, mesmo detestando o esporte, tudo por causa da Maldição!
Agora, se existe uma coisa mais importante na vida do namorido que os times esportivos dele, isso é : MODA! Pasmem, mas meu namorido gosta mais de fazer compras do que eu, e ele faz questão de estar sempre fashionable!
Ultimamente, um acessório que custumava ser visto sendo usado por rappers e espânicos em NYC, possou a desfilar nas cabeça dos modernos fashionistas da cidade que nunca dorme: Boné do Yankees! De repente, usar o boné dos Yankees virou fashion!
A primeira vez em que o namorido demostrou uma tímida vontade em adiquirir o acessório eu pensei comigo: “Não ele não ia chegar a tanto! Um fã dos Red Soxs não compraria um boné dos Yankees só por que está na moda!” Pensei na rivalidade e nos anos de sofrimentos vendo o seu time sendo massacrado… não ele não chegaria a tanto. Bem, eu estava enganada, eu me casei com um escravo da moda! Toda oportunidade existente, o namorido experimentava o ornamento e tentava me convencer de que ele fica muito bem no mesmo. Eu, revoltada, sempre balançava a cabeça e me dizia envergonhada em ver a traição.
O meu “com sorte” estava trabalhando em Dallas quando ele me ligou perguntando o que eu vestiria no Halloween. Eu disse que não fazia idéia, e foi quando ele sugeriu: Britney Spears e Kevin Federline. Eu achei que poderia ser engraçado, mas que também poderia ser difícil de fazer e por isso, me empenhei em pesquisar o casal. Quando eu pesquisava fotos do casal, eu entendi o que estava acontecendo. K. Fed. ilustríssimo senhor Spears, na época, era um acíduo usuário do dito boné!
Nesse ponto eu percebi que nada que eu fizesse empediria do namorido de comprar um boné dos Yankees. Nem se que pra isso, ele tivesse que fazer eu me vestir de Britney Spears! Eu cedi. Fiquei loira e engravidei em prol da traição esportiva!
Tenho que admitir que o casal pop foi a sensação da festa de Halloween. Todos ficavam, a princípio, envergonhados sem saber se eu estava mesmo grávida, mas assim que viam que não passava de um travesseiro, eram risadas, elogios e fotos!
O namorido estava insuportável, se achando muito sex com aquela roupa, o que pra mim era surreal. Como alguém, sob qualquer sircunstância, pode achar que está bem vestido quando fantasiado de Kevin Federline! Passou o dia seguinte a festa desfilando o boné até que ele recebeu um telefonema. Era a organizadora da festa da noite passada, ela estava ligando pra dizer que o namorido tinha ganho o prêmio de melhor fantasia. Ele ficou bem empolgado até a hora que a organizadora da festa, estudande de moda que trabalha na Vouge Teen, falou:"Você estava perfeito, tão White-trash!” White-trash pra quem não sabe, seria traduzido como “povão” ou “cafona.” Depois desse comentário, o boné passou a gastar mais tempo na caixa do que na cabeça do namorido.
A festa foi no fim de semana antes do Halloween que só seria na terça-feira. O namorido tinha que voltar pra Dallas a trabalho e eu estava ocupada pra sair durante semana. O namorido me ligou dizendo que ia sair com seu amigos de infância de Dallas e que iria de K Fed. Eu comentei que ele talvez não fosse reconhecido solteiro, mas não achei que seria má idéia usar a fantasia mesmo assim.






X







As 3 da manhã na madrugada de Halloween, meu telofone tocou. Era o namorido. Ele estava em um bar quando um bêbado começou a gritar com ele do outro lado do bar dizendo que o NY Yankee era uma merda. O namorido achou engraçado e não deu bola, mas o bêbado insistiu mostrando o logo no boné que usava. O namorio viu pelo boné, que o homem era fã dos Cowboys, o mesmo time de Futebol Americano por qual torcia. O homem se aproximou e continuou a instigar, o namorido resolveu então mostrar sua carteira de identidade, pra mostrar pro inergumeno que ele era de Dallas e também fã dos Cowboy. Quando ele pegou a carteira no bolso, o enfurecido Cowboy derrubou com um tapa a carteira de suposto Yankee, que se abaixou pra recolher-la. Quando se levantava, outro tapa tirou-lhe o boné da cabeça, e antes que pudesse entender o que estava acontecendo, foi golpeado com um soco no olho. Agora ele estava dirigindo o seu carro a caminho do hotel onde estava hospedado e falando no telefone comigo. Seu rosto sangrava, mas ele não sabia de onde o sangue vinha. Eu precisei de 15 minutos pra convecê-lo de que teria que ir ao hospital. Depois de passármos os dois a noite em claro, eu em NY e ele em Dallas no hospital, soubemos do diagnóstico: Um corte no supercílio, dois ossos quebrados no rosto e a eminência de uma cirurgia caso o osso quebrado, que era responsável pelo suporto do olho, saisse do lugar.
Foram quase 6 semanas visitando diferentes médicos até que a intervenção cirurgica fosse descartada. O namorido se recuperou, parcialmente, ainda não sente parte da arcada dentaria do lado atingido, pois a recuperação desse tipo de nervo é lenta. Mesmo sabendo que a história toda andou longe de ser engraçada e vendo o namorido inchado e roxo, eu não resisti em dizer:
“Eu disse que um fã do Red Sox usando um boné dos Yankees não podia dar em boa coisa!”

quarta-feira, janeiro 31, 2007

I fucking hate computers!!!!!!!!!!!!!! Eu perdi pela milhionésima vez os textos que eu escrevi pra publicar e não estavam prontos! Ha!!!!!!!!!!!!!!!!! Que ódio!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, setembro 30, 2006

A história de um Gangster Americano e uma ex-garçonete Brasileira


Finalmente um domingo que eu tenho algum tempo pra escrever. Minha unhas esta feita, minhas pernas depiladas, os pelos do braços estão descoloridos, as sobranselhas feitas, quase tudo ok, se não fosse pelo fato que que eu tenho um centímetro de raíz no meu cabelo tingido, mas tudo bem! Trabalhando 6 dias por semana 13 horas por dia, sobra pouco tempo pra escrever ou fazer as pequenas coisas que distânciam nós, mulheres, de uma orangutanga. Mas agora que quase tudo está no lugar, eu posso me entrega ao meu blog.
Algumas semanas atrás eu finalmente recebi minha autorização de trabalho, poucas semanas depois de ter perdido a chance de trabalhar nesse filme do Ridley Scott, por que sem seguro social, eles não me contratariam nem como estagiária! O cara que queria me contratar, disse que sentia muito , e que quando eu recebesse a autorização, que eu ligasse pra ele, se eles ainda precisassem de alguém, ele me contrataria.
Semanas depois, com minha autorizção de trabalho em mãos, eu mandei então um e-mail, por que achei que ia ser menos cara -de-pau da minha parte do que ligar depois de 3 semanas, achando que ainda existiria um lugar pra mim lá. Alguns dias depois eu ouço no meu celular esse educadíssimo recado na minha secretária eletrónica dizendo que estava muito feliz por mim, mas que no momento, não precisava de ninguém. Eu ouvi o que já era esperando, voltei pra minha realidade alienante de garçonete e fiquei lá planejando uma maneira de arrumar outra oportunidade de trabalho no cenário artístico de NYC. Felismente, antes que eu podesse pensar em algo genial, eu recebi uma segunda ligação. Era a mesma educadíssima voz, dessa vez, feliz em me convidar para trabalhar no mesmo filme.
Retornei a ligação extremamente nervosa pra confirmar o que a mensagem dizia: que eu tinha conseguido meu primeiro trabalho de verdade em NYC. A princípio, seria por apenas duas semanas, mas não importava, por que durante essas duas semanas, quando alguém me perguntasse, o que eu fazia da vida, a resposta não seria: “ Eu sou garconete” e sim: “Eu sou assistente de produção de figurino do filme Um gangster Americano da Universal Estúdios”. Bem, depois de responder as 3 ou 4 primeiras perguntas, a pessoa iria descobrir que: “ …não, eu nunca vi o Denzel Washigton… nem o Russel Crowe…não, eu não visto ninguém,… não, eu não desenho nada pro filme…” depois disso uma outra pergunta era inevitável: “ O que você faz então?” E essa era a mesma pergunta que eu tinha na minha cabeça quando eu chegeuei ao prédio onde hoje eu trabalho naquela primeira manhã.
Eu cheguei no endereço indicado que era nessa vizinhança horrorosa conhecida como Chicken Hell. Entrei na portaria e chamei o elevador. Enquanto o elevador mais devagar de Manhattan chegava ao térreo, eu lia a placa na portaria que dizia o que existia em cada andar daquele prédio. Eu deveria ir para o sexto andar pra qual a placa dizia: American Gangster , Castin and Wardrope Extras. Um andar pra o figurino da figuração e pro castin. O sétimo andar estava o Costume designer, o figurino dos atores principais, um andar inteiro pra esse. No terceiro andar, produção e direção de arte. Eram no total 3 andares desse prédio pra o filme. Com certeza eles teriam escritórios em outros lugares por que , ali não estavam a produção executiva ou direção.
Cheguei ao sexto andar as sete e meia da manhã como foi o combinado e me puz a procurar pelo meu chefe.
Logo que o encontro, como sempre, estremamente educado, ele me diz pra esperar uma reunião que me direcionaria no que eu iria fazer. A reunião nunca aconteceu, mas o trabalho chegou logo. Arrumar chapéus, por sapatos na estante, pendurar gravatas no seu respectivos lugares, tudo extremamente especificado.
O meu chefe aparece e veio com um trabalho específico pra mim: quarto pastas grossas cheias de fotos.. Cada figurante no tem uma prova de roupas. Os “Fitters” vestem os figurantes com tudo que tem direito, apetrechos e badulaques! Depois disso cada um tira uma foto, com nome e cena onde aparecem. A gente imprime as fotos. A assistente de figurino olha as fotos escreve observações tipo: “outra gravata” ou “prescisa de brinco”. Ela leva as fotos pra figurinista e ela aprova ou diz o que está errado. As fotos voltam, e foi ai que eu peguei as beditas, ao todo, aproximadamente mil 600 fotos. O filme vai usar , no total,6 mil figurantes!
Cada pessoa, nesse dia, tinha em média 3 fotos. Eu tinha que achar as 3 fotos de cada pessoa, por em um saquinho e depois colocar em ordem alfabética!
Mil horas depois eu tinha acabado, eram umas 6 da tarde e eu já estava pronta pra ir embora quando meu chefe me pediu pra acompanha-lo.
Lá estavam 200 figurinos, na verdade, 400 figurinos em 200 capas. Cada pessoa ia participar de duas cenas, uma das cenas tinha uma foto com e sem casaco de frio. As capas com os figurinos estavam em ordem alfabética. Eu tinha que ler o nome, verificar se a roupa dentro da capa e a da foto batiam e, finalmente pendurar com um alfinete o saquinho na capa, 200 vezes!!!!
Cheguei em casa as 9 horas no meu primeiro dia de trabalho com os dedos completamente pinicados de tanto me furar nos alfinetes. Odiei o namorido quando o vi, isso por que, quando eu sai de casa, ele estava dormindo e quando eu cheguei lá estava ele, saindo do banho depois de correr 40 minutos.
Chegundo dia, um dos PA, sigla pra Production Assistant, teve que ir pro set e eu fui informada que ia ter que cuidar do almoço. Todo dia a gente escolhe dois cardápios de comida que faz entrega, passa uma lista pra todo mundo que esta trabalhando nesse dia ( o que muda todo dia) e depois liga fazendo o pedido. Quando a comida chega, a gente usa o nossos superpoderes pra descobrir o que tem dentro de cada container e por o nome das pessoas e entragar a comida de cada um.
As 2:30 da tarde eu fui informada da função que entre todas as outras que me foram atribuidas, seria a mais odiada: Starbucks!
Starbucks é o Mc Donalds em forma de cafeteria! Isso já é motivo suficiente pra eu odiar ir lá. Assim como no almoço, eu teria que passar uma lista com os pedidos, dessa vez, eu além de recolher os pedidos teria que recolher dinheiro, por que o café caro da starbucks não era pago pelo filme, como o almoço. Ai vinham os pedidos! Se você pergunta pra alguém que tipo de café ela quer, o máximo que ela vai te pedir vai ser um capiccino light, e isso se ela for fresca! Aqui a história é outra! “ Grade triplo descafeinado late com leite de soja” ou o pior de todos “Venti spicy pumpkin late com leite de soja” … multiplicando isso as vezes dez lá ia eu sozinha pra Starbucks com pra 14 ou 15 cafés! Eu tinha que conferir os pedidos sob os olhares furiosos da fila atráz de mim, dividir os cafés por tamanho, colocar nas bandejinhas que seguram 4 copos assim, eu poderia empilhar duas bandejinhas e colocar em uma sacola , eu carrego duas sacolas, o que quase sempre funciona. Eu digo quase por que teve esse dia quano as duas sacolas cheias com quarto bandeijinhas nnao funcionou.
Era minha segunda semana carregando café. Eu olhei pela janela logo que minha lista ficou pronta, o tempo não estava dos melhores, mas não adiantava guarda-chuva, por que eu não teria mãos pra o ditto cujo, tendo que carregar duas sacolas cheias de café. Fui pra Starbucks e o tempo era feio , mas não chuvia. Comprei meus 14 cafés e voltava meus quarto quateirões quando a chuva começou. Contunuei andando temendo pela integridade as sacola , um vez que a mesma era feita de papel. Foi a cinco metros da entrada do prédio que o trágico aconteceu: A sacola molhada rompeu–se! Oito copos de café esparamados no chão. Lá estava eu, naquela situação digna de comedia pastelão tentando salvar os cafés no meio da chuva. Duas garotas iam passando quando o ocorrido se passou e ofereceram ajuda. Carregando os cafés meio cheios até meu prédio as garotas ia dizendo o quanto elas sentiam muito pelo que acaba de acontecer. Chegando ao meu andar fui conferir os cafés, e o estrago tinha sido menor do que o que eu pensava: muitos copos estavam apenas meio cheios, graças as tampinhas, apenas um café tinha ficado pra tráz largado no meio da rua. Conferindo a lista de nomes descobri a quem pertencia o café perdido: a mim! Agora eu estava molhada , com frio e sem café!
Ah se você leu isso tudo achando que eu iria desvendar os mistéios por tráz dos “roliudianos” … “ Não, eu não conheci o Denzel, não, nem o Russel Crowe, e eu não sei se ele é mesmo chato como todo mundo diz… Nunca vi o Ridley Scott” mas eu sei o cardápio da Starbucks decorado, de tráz pra frente isso por que eu sou uma P.A. que na verdade é a sigla pra: Bactéria que alimenta o fungo que cresce no coco do cavalo do bandido!

segunda-feira, julho 17, 2006

Da fabulosa caixinha mágica!

Pouco mais de um ano atrás, eu estava empacotando minhas coisas pra me mudar pra Nova York. Um mês antes de vir, foi meu aniversário e o namorido me ligou dizendo que havia comprado um presente pra mim, mas que me entragaria quando eu viesse. Quando eu pedi uma dica do que seria o presente, como boa curiosa, ele me disse: "É uma coisa que você precisa ter se quizer ser uma novaiorquina,..."
Fiquei eu então remoendo por dois meses que presente poderoso seria esse que transformaria a Piauí aqui em novaiorquina instantaneamente.
Depois de passar por todo o perrengue, visto, viagem, imigração, mala pesada, sem gracesa de ver o namorado depois de 3 meses, eu chego no apartamento do namorido, onde eu morro ainda hoje. Enquanto eu ainda estava em estado de choque com as minúsculas dimenções do apertamento onde eu iria morrar, e com a ausência de móveis do lugar, o namorido me lembrou do presente mágico que me transformaria em novaiorquina. Ele me deu a caixa e enquanto eu abria, minha cabecinha chata não conseguia pensar em nada que pudesse me transformar em novaiorquina. Abri a caixa e lá estava ela, a última maralhiva lançada pela Apple: I pod!


Um aparelhinho de tocar música? Me transformar em "Newyorker"? Bem, o namorido havia colocado um monte de músicas pra mim, talvez, fosse um curso intensivo de imersão no universo musical de Nova York, ...
Fui então andar na rua pela primeira vez com minha caixinha mágica!A primeira coisa que eu notei foi que o I pod era muito conviniente pra fingir que você não ouviu alguém falar com você, então eu pode passar pelos "pedreiros" em paz. Mas eu achei que isso não era suficiente pra fazer de mim uma novaiorquina.
Quando minhas aulas de inglês finalmente começaram, eu comecei a pegar o metro todo dia de manhã ( o que é, definitivaente, o método mas eficaz de transformar alguém em Novaiorquino). Acordei , puz meu I pod e fui pra estação, chego na roleta e escuto o trêm, saio correndo pra consegir pegar o metrô, entro de fina antes da porta fechar e quando eu reparo... lá estavam os "New Yorkers".
As caras são todas, todo o tipo de gente, variando, é claro, de área pra área. Na região onde eu pegava o trêm, até onde eu descia, a maioria , lia jornal ou um livro. Outro detalhe era o I pod. Lá estava a caixinha mágica da Apple sonorizando a viagem diária dos novairquinos. A primeira coisa que o I pod me fez entender sobre ser newyorker, foi que aqui é uma cidade segura ( em relação ao Brasil) e que eu podia andar com aquele negócio de 200 dólares na mão, sem me preocupar em alguém robar ele de mim. A segunda coisa foi sobre privacidade, as pessoas são individualistas e gostam de ter seu espaço respeitado, o I pod é ótimo recurso, como eu já citei, pra manter uma distância sonora segura.
Quando o namorido me deu o meu I pod, ele me falou sobre como ele ia ficar bravo, por que sabia que em um mês a Apple lançaria um I pod novo, só pra fazer aquele parecer obsoleto e bla, bla, bla, como eles planejassem pra fazer você comprar, e um mês depois já estar insatisfeito e querer algo novo. Foi quando o I pod me ensinou algo mais sobre a cultura local, o povo aqui tem dinheiro! Bem, eu entendi racionalmente o que o namorido me disse, mas até então nnao tinha vivenciado isso.
Em 3 meses que eu ganhei meu I pod, a Apple lançou duas novidades no mercado: I pod vídeo e I pod Nano. Um, como diz o nome, permite você assitir, vídeos, e até filmes. O outro é a coisinha mais linda e mais pequinininha do mundo! E agora, eu carregava o gigantesto I pod, o obseleto! Eu como brasileira, estava muito bem, obrigado, mas o namorido achou de quebrar o dele o mais réapido possível e comprou um I pod Nano!










Fiquei imaginando, o que diabos eles inventariam agora pra fazer esse povo compra alguma coisa! Foi quando eu vi a propaganda da Nike!
Sabe aquelas coisas que você acha que é bricadeira no começo, mas era sério! O comercial era assim: Esse cara se preparava pra correr. Colocava o tênis da Nike e essa roupa colada, também da nike. Ele pega o seu I pod nano e ... perai! Isso ee um comercial da Nike ou da Apple? Continuando... na manga da blusa do cara, um compartimento especial pra o I pod nano e dentro do tênis, um compartimento especial pra um sensor. O cara começa a correr e escutar música e de vez em quando um voz surgue do alêm e diz:" Você correu dois quilômetros e gastou não sei quantas calorias, sua velocidade é...." O cara chega em casa e conecta o I pod no computador e o computador abre um gráfico sobre a performace do cara durante um certo período de tempo, assim ele poderia acompanhar seu desenvovimento como corredor de fim de semana! Quando o comercial acabou, eu estava lá boquiaberta! Fiquei um tempo maquinando, pra saber se eu acreditava naquilo, mas esse pensamento foi subistituido por outro: " Quando será que o namorido vai chegar em casa com isso?"
O namorido gosta de correr! O namorido gosta de música, o namorido, tem um I pod Nano e o namorido precisa de um tênis novo pra correr... hummm! "Tô vendo tudo", eu pensei! Pra mim era uma questão de tempo! E o tempo não tardou a chegar! Ontem eu chego do trabalho e vou dizer oi e tal e coisa, quando eu avisto no chão uma sacola da Nike! Não aguentei e cai na risada! Lá estava toda a parafernalha nike+apple. Enquanto o namorido caminhava pelo apartamento com o brinquedo novo, me explicando o funcionamento eu me lembrava da conversa da manhã do mesmo dia, quando ele falava que estava de saco cheio, querendo quitar a dívida do cartão de crédito! Eu ri por que enfim, o namorido adora correr e aquilo de uma certa forma, era um incentivo, mas lá estava a caixinha da Apple me ensinando algo novo sobre ser novaiorquino: não importa se você tem dinheiro ou não, o importante é estar em dia com as novidades, então, viva o cartão de crédito!
Bem, mesmo que o I pod tenha na verdade me ensinado muitas coisas sobre ser novaiorquina, ele infelismente não teve o poder de me tronar uma, pois mesmo depois de um ano e toda a superexposição de mídia, eu ainda carrego meu " arcáico Ipod Não-nano ou vídeo! Parece que algo mais drástico vai ser necessário pra desachatar essa cabeça aqui!

segunda-feira, julho 10, 2006

"Eu hein, incoviniença..."


Eu tive uma revelação esclarecedora a alguns dias atrás assistindo a um filme: An Incovenient truth. Mas pra explicar a importância dessa revelção, eu tenho que voltar no tempo um pouquinho pra contar uma rápida passagem de um dia qualquer de domingo assitindo tv no sofá como namorido.
Estávamos os dois entediados procurando algo na tv, quando o namorido parou em um especial de comédia. Sabe aqueles shows, que aqui são muito populares, onde a pessoa fica no palco contando piada? Esse cara tava lá falando umas besteiras inofencivas, até quando resolveu abri a boca pra falar de meio ambiente! Enquanto eu ouvia uma atrossidade seguida da outra, eu , sem nem me tocar, estava lá a espreita, espionando todas as reações do meu namorido. Eu procurava algum sinal de revolta que se comparasse a minha, mas pra minha confusão, ele apenas ria do bobo, assim como a infinita platéia na tv.
O homem falou coisas como-" Eu não sei por que eles falam que nós estamos, cada vez mais, destruindo o planeta! Eu acho que a gente melhorou muito! Quando eu era criança, nimguém tava nem fudendo, jogava papel pela janela, mesmo se estivesse em um park, ou coisa assim..." falou também entre as gargalhas mal informadas "... e esse efeito estufa? que todo mundo fala, mas niguém consegue provar? Todo ano vai se falando que no próximo ano o Alaska não vai estar lá! E dai? Quem é que vai ligar se o Alaska sumir?"
Depois de ouvir a piada do Alska, eu pensei, será que eu entendi mal? Deve ser meu inglês... O namorido continuava rindo e aquilo ia me corroendo por dentro: primeiro, ele deixa a torneira jorrar água durante todo o tempo que ele lava a louça, agora, ele estava rindo de um idiota na tv, fazendo graça do aquecimento global. Não aguentei!
Falei que achava um absurdo o cara ficar fazendo graça de uma coisa como essas, quando a classe artística devia , sim, tentar educar a popolação, pois talvez com a pressão popular o governo americano, teria que repensar sua posição diante da questão ambiental. A resposta do namorido? " Mas o efeito estufa é uma teoria, não existe comprovação!"
Ai, se o seu queixo caiu, caiu junto com o meu! Perai! Alguém aqui matou escola! A resposta foi complementada: " Existe sim comprovação de que amento de temperatura global já aconteceram outras vezes, e que isso é um ciclo natural!" Nesse momento, meu senso de preservação de relacionamento falou mais alto. Se tem algo que eu aprendi, é que discutir com um americano sobre essas delicadas verdade, é muito complicado. Recuei, fazendo uma cara, de:" tudo bem, se é o que voçê acredita" e fiquei mancumunando como no mundo eu ia enfiar na cabeça daquele infeliz que aquecimento global existe de verdade.
Engracado como uma coisa que simplesmente é considerada verdade pelo resto do mundo é tratada como polêmica aqui! Eu não conseguia entender como isso era possível: como desassociar a emição de dióxido de carbono na atmosfera com o aumento da temperatura global? Quando eu andava as voltas com esses pensamentos, eu me lembrei de uma história sobre um livro de geografia que estavasendo publicado aqui mostrando a Amazônia como um território de controle americano, uma vez que os primitivos indígenas do Brasil, não sabiam como preservar essa reserva natural, de tamanha importância pra humanidade. Ai eu pensei, se eles podem fazer isso com a Amazônia, imagina o que eles não podem fazer com a camada de oxônio? Perguntei pro namorido, de onde ele tinha tirado a idéia de que o aquecimento que vem ocorrendo, poderia ser apenas algo cíclico? "Meu professor, na escola!" - foi a resposta que eu tive!
Sei lá vai, na quinta série a gente já sabe o que é efeito estufa, e pior, a gente sabe que é verdade! Eu digo isso por que quando eu tinha uns onze anos de idade , eu e meus primos fundamos o Clube do Verde. Os integrantes do Clube do Verde andavam, devidamente identificados com uma carteirinha, batendo de porta em porta pedindo assinaturas pra endoçar uma carta destinada a prefeitura onde a gente pedia que as queimas nos terrenos baldios fossem proibidos, e que os terrenos fossem , em vez de queimados, capinados, evitando a emissão de dióxido de carbono.
Embora os integrantes do clube tenha batido muita perna no sol quente de Teresin-PI, a única coisa que o Clube do Verde conseguiu fazer, foi salvar um jacaré que estava sendo criado em um pequeno tanque no quintal do dono, que foi denunciado ao IBAMA.
Bem, a algumas semanas atrás, eu estava desfrutando um raro dia de folga que eu consigo passar com o namorido. Estávamos tomando um café e descutindo que filme assitir. O namorido queria ver Car, a animação da Pixar, quando viramos a folha e lá estava a minha chance: An Inconvenient Truth! O namorido já havia me dito que queria assitir o filme, então eu só tive que insentivar.
Por ironia do destino, o ar condicionado do cinema não estava funcionando. O namorido não acreditou que fosse por acaso, ficou desconfiado por que logo aquele filme tinha o ar condicionado quebrado,... hummm!
Então estamos assitindo o documentário que é totalmente narrado e estrelado por ninguém mesno que Al Gore! Não sabe quem é? Deixa eu refrescar sua memória. Lembra dos gloriosos tempos onde a nação mais influente no mundo internacional não era governada por um primata (sem ofença aos miquinhos, mas aquele ali deve ter uma calda muito mais longa que a minha!)? Bem, logo antes da tragédia acontecer, ouve uma eleção extremamente duvidosa, onde ganhou "um", mas foi eleito o "outro". Pois bem, Al Gore é exatamente o "Um"! Lembrou agora?
No documentário, ele destroi qualquer dúvida que , por incrível que pareça, ainda possa existir sobre o aquecimento global. Prova por A+B, que tudo é verdade e que todas as dúvidas levantadas sobre a verassidade do problema, não passam de política manipulação de massa!
Sai do filme e perguntei pro namorido se agora ele acreditava em aquecimento global. O que ele me respondeu:" Meu professor me ensinou errado!"





quarta-feira, julho 05, 2006

A teoria da "involução"

"
Eu já mencionei aqui como o fato de não falar português por muito tempo tem um efeito estranho sobre a auto-estima do indivíduo! Você fica lá no seu limitado vocabulário em inglês e acaba esquecendo, se você é realmente tão superficial assim, ou se você só está a muito tempo sem gastar o vocabulário mais elaborado!
"Isso me faz lembrar das conversas sérias de gente bêbada, quando você começa a falar de coisas existênciais, políticas, confeçar coisas que normalmente você não falaria pro espelho trancada só em um quarto escuro! Aqui, como eu não tenho vocabulário pra me tornar assim tão profunda, eu recorro a comédia!
Eu ando me sentindo menos retardada nos últimos mese; meu inglês melhorou e agora eu não fico nervosa quando eu estou bêbada, a música está alta, tem trinta pessoas falando ao mesmo tempo, e alguém fala comigo e eu não entendo. Eu faço uma boa careta e coço a cabeça com meu indicador, se eu fizesse isso a alguns mêses atrás o povo ia achar que eu não lavo o cabelo, de tantas vezes que meu pobre dedinho iria cutucar meu juízo!
Como as coisas não podem melhorar assim sem nem um empecilho, eu tive uma inusitada surpresa. Essa semana enquanto estava na batalha de trocar de emprego (garçonete, mesmo) em busca de um restaurante melhor, eu me deparei com essa oferta de emprego: O restaurante é lindo, a comida mais bonita que eu já vi, lotado de segunda a segunda, pagamento belezinha, foi quando o gerente me perguntou:" Você já trabalhou em um restaurante grego?" " Ah, o restaurante é grego?" - pensei! O gerente me deu o cardeapio pra estudar e eu fui andando pra casa quando eu me vi diante do sentimento de retardamento que me aterrorizou durante tanto tempo por aqui: Eu tinha dois cardápios, vinho e comida, os dois em grego! A maioria dos pratos eram impronunciáveis pra mim. O cardápio trazia o nome em grego e a descrição em inglês, então eu respirei aliviada. Achei que ia ser tranquilo, por que o povo ia preferir pedir o peixe grelhado do que pagar o mico de tentar pronunciar aquilo.

Cheguei no restaurante pra o meu primeiro dia de treinamento. Como eu pensei, o negócio de pegar o pedido era fácil, você se espicha pra ver sobre o ombro da pessoa pra ver o que ela tá lendo, pergunta:" o peixe grelhado?", e assim vai se virando. Quando eu abro a tela do computador pra colocar o pedido lá estão, todos os nomes em grego, e dessa vez, sem descrição em inglês. Eu tiro meu cardeapio de estudos do bolso do avental, e depois de duas horas consigo passar o pedido pro computador. Eu vou pra cozinha pra ver se eles receberam o pedido corretamente, e lá estão todos os nomes em grego. Todo mundo correndo, um monte de prato na estantes e um amontoado de nomes em grego embaixo, desorganizadamente. Eu olhava, lia, fingia que estava entendendo algo, mas no final eu desistia e soltava:"Por favor, qual desses é a aginares moussaka?" Alguém,puxa um prato da estante pra mim e lá estava o diabo da aucachofra com queijo!
Depois de algumas horas nesse lugar, meu cérebro já estava fervendo e a única coisa que passava na minha cabeça era:" Ai meu deus, tudo de novo!"
Finalmente o gerente me despacha pra casa, eu vou caminhando pensando no calhamaço que eu trazia na bolsa pra estudar sobre os vinhos gregos, quando eu sinto uma pontada .


Da involução propriamente dita

Com toda essa confusão greco-anglo-sacsônica-lusita-espânica na minha cabeça, eu tinha até me esquecido das dores do corpo. Era segunda feira e no domingo, algo muito estranho aconteceu comigo!
Eu ia caminhando com o namorido pra o meu outro trabalho, o que eu devo estar deixando em troca da posição no restaurante grego, quanto comentei com meu com sorte que sentia uma dor estranha na terminção da minha espinha. Na verdade, era no rabinho, sabe a tal da caldal? O susposto rab enconhido? Pois é era lá mesmo que doia! Eu fui contenta, pra o meu trabalho, pois a dor era na verdade bem levinha.
no passar da noite e bendita da dor foi tomando proporções espantosa, chegando ao ponto de limitar amplamente meus movimentos. Eu tinha muita dificuldade em sentar e levantar, pegar algo no chão, nem pensar, e na hora de ir pra casa, a rápida caminhada e 15 minutos se prolongou em talvez meia hora.
Quando eu cheguei quase morredo na porta de casa, claro que eu deixei a chave cair no chão, que era pra ter o que escrever no meu blog! Quase 5 minutos pra pegar a merdinha da chave que caiu no chão! Eu abro a porta e descrubor a única coisa que poderia ser pior do que tentar pegar a chave no chão: uma escadaria pra subir! eu subia 3 degraus, parava, secava as lágrimas que a esse pondo já inundávam meu rosto, subia mais 3 e assim ia indo. Cheguei no apartamento em um estado em que sentar , deitar se levantar, já não dependiam da minha vontade , e sim do auxílio do namorido!
Depois de tentar compressa quente e fria e de ter chorado todas as lágrimas que existiam nos meus olhos, engoli um antinflamatório e fui pra cama.
Nnao consigui dormir um minuto que fosse, era tanta dor e desconforto... eu ficava tentando pensar como eu tinha arrumado aquela dor, foi quando me ocorreu:" Eu tô crescendo uma calda!


Eu estava obviamente "involuindo". Minha teoria era que de tanto não usar meu cérebro, de tanto garçonetiar, eu estava involuindo e por isso lá estava minha calda, suprimida por anos de evolução, dando o ar da graça.
A prova da teoria, foi a cura do acontecido. Na segunda feira, como eu relatei anteriormente, lá estava eu fritando meus miolos pra aprender grego, e quem disse que a calda deu sinal de vida? Pois é a relação foi imediata: quanto mais eu usava meu cérebro, menos minha calda doia!
Depois da minha geniosa constatação , eu corri pra o computador pra escrever no meu blog, uma vez que eu já tinha usado o meu último comprimido de antinflamatório! Se é pra ser um mico, melhor um sabido!

domingo, junho 11, 2006

Da quarta e quinta tentativas de furar a dieta vegetariana!


Quarta tentativa
Eu, como boa brasileira, inclusive agora em copa do mundo, resolvi abraçar o slogan tupiniquim e dizer:" Eu sou brasileira, e não desisto nunca!"
Depois de empelotada por salmão duas vezes, e quase vomitar no meu prato de carangueijo, eu acoro um belo dia de domingo e digo em alto e bom som por namorido:" Eu resolvi que eu vou comer peixe hoje!" O pobre do com-sorte só pode sorrir e apoiar a boa causa.
Saímos então em busca de peixe, o problema era que, o namorido não era, nem de longe, um admirador de frutos do mar, e eu, como vegeteriana desde que cheguei aqui, não tinha idéia de onde encontrar peixe. O namorido se lembrou de um restaurante que nós sempre falávamos em ir , mas sempre adiávamos. Acho que algo dentro de mim dizia que o lugar não era pra mim. Olhamos cuidadosamente o cardápio do lugar. As exigências eram muitas, uma vez que eu tinha sumariamente regeitado salmão, meio peixe preferido nos meus dias de predadora. Eu teria que comer um peixe branco, uma coisinha mais leve que salmão. Perguntei pro garçom se o peixe de nome estranho no cardápio era branco, ele disse que sim, eu e o namorido resolvemos nos sentar e esperimentar o restaurante , muitas vezes deixado de lado.
Quando nos colacamos a descutir o que comer , foi que nos damos conta do primeiro problema, o namorido se preocupou tanto com o meu peixe, que esqueceu de ver se o lugar tinha algo que apetecesse a ele próprio. Acabamos achando, os dois, algo que parecia bom, pedimos nossas bebidas e vamos em frente. Aqui nos EUA o povo tem um hábito que me dava náusea quando eu chegei aqui, de beber café com leite durante as refeições! Agora, me vejo eu pedindo um café enquanto espero meu peixe.
E vem o café e um pãozinho, e eu e o namorido nos vemos boquiabertos diante da apresentação do lugar! A louça impecável, gardanapos legais , torrões de açúcar, o que eu achei uma graçinha, e tudo ia melhor do que se imagináva. Quando eu estava bem contentinha, eu escuto uma música e de repente o meu mundo cai! Explico! No café onde eu trabalho, meu chefe mão de vaca tem um cd de música francesa, e o mesmo toca as vezes mais de 15 vezes no dia. Eu trabalho nesse lugar 4 vezes por semana, o que me faz ouvir esse cd em média 60 vezes por semana, diante dessas circunstâncias, digamos que esse cd seria a última coisa que eu gostaria de ouvir no meu dia de folga!
Extremamente irritada com a música , eu agardava pelo meu peixe, me consolando na beleza dos pratos das mesas vizinhas, o lugar realmente cuidava da apresentação! Foi quando meu lindíssimo prato chegou a mesa, lindo de mais pra se comer! Eu tanto pensei no peixe branco, que me esqueci de perguntar o básico:"É filé de peixe?" e lá estava eu de frente pra um prato com um peixe inteiro olhando pra mim.
O namorido ria tanto de mim, que eu estava ficando com vergonha, mas o que eu poderia fazer diante de um peixe inteiro com cabeça e rabo no meu prato, depois de 3 anos de dieta vegetariana? Quando eu provei o peixe depois de muito respirar fundo, a surpresa: Peixe cru! A porcaria do peixe não era assado ou cozindo, eles colocavam o peixe inteiro pra curtir nesse óleo nojento , cheio de ervinhas, o que fazia o peixe ficar dourado e o sabor, abominável. Procurei algo no meu prato que despistasse o sabor do peixe e me ajudasse pelo menos com algumas garfadas, e o que eu encontrei: um bolinho de ovo cozido picado, o que pra mim é mais nojento que peixe, um bolinho de cebola crua picada, um bolinho de beterraba cozida picada, uma rodela de cebola crua com uma gema de ovo crua em cima, e finalmente um bolinho de alcaparras. Eu misturei as alcaparras com a celola enfiei umas garfadas do peixe na boca, mas não consegui comer nem um terço do bicho!
Rindo e se sentindo mal , pela minha quarta tentativa frustada de voltar a comer frutos do mar, o namorido também se via diante de uma comida muito bonita, porém não muito apetitosa!
Antes de irmos, ele tirou uma foto da cabeca do meu peixe pra que pudesse mostrar pra todos os amigos o meu prato, enquanto ele descrevia a minha cara de horror quando eu vi aquilo pousar na minha mesa.
O namorido ficou sério e disse que eu devia tentar flounder, que era o único peixe que ele achava que eu poderia comer. E lá vai minha imaginação vegetariana pensar que agora, além de ter estrassalhado o Sebastião eu ia comer o Linguado! O que a Ariel ia achar de mim!

Da quinta tentativa

Como eu disse, eu sou brasileira, e por isso, não desisto! Hoje a tarde eu estava em casa pensando nas frustradas tentativas de comer peixe, foi quando eu pensei:" vou comprar peixe e fazer em casa, assim eu não tenho nem uma surpreza, certo? "Bem, talvez, não!
Vou pro supermercado disposta a aniquilar de uma vezes por todas todos meus ídolos de infância comprando um filé de linguado. Parei nas frutas e verduras pra aquecer e fui pra parte dos peixes. Não consegui, muito nojento, um monte de pedaço de peixe e eu me lembrei de quando eu era criança e ia pro supermerdado com minha babá. Eu me lembro de olhar pra um fígado bovino e implorar pra que ela comprasse aquela iguaria! Como eu agora cosseguia ficar tão inojada por causa de filé de peixe? Dei mais umas voltas no supermeca e achei bandeijinhas de peixe com os filés empacotados o que me pouparia de pedir pra alguém x pounds de peixe que, por algum motivo que eu desconheco, era algo que me incomodava. Estou diante das bandejinhas quando esse senhor em seus mais de 150 quilos, se aproxima de mim. Ele pergunta se está muito difícil de escolher, por que tudo parecia tão bom. Eu respondo que esse não é bem o meu problema. Depois de insistência do estranho, acabo revelando meu problema. Ele se mostra extremamente intereçado em se tornar vegetariano. Me pergunta as coisas mais extranhas e eu dou respostas que nem eu sabia que eu sabia , como as quantidade de proteínas em granas que um adulto precisa por dia. Mostrei pra ele que os alimentos tem tabelas de nutrientes e que se ele queria entrar em uma dieta aquilo ia ajudar, assim eu me veria livre do sujeito que, a esse ponto, já me interrogava a mais de 10 minutos enfiando a mão na minha cestinha e fuçando o que eu comia. Eu só conseguia pensar: "Desgrama de peixe! Não sei por que eu não desisto disso".
Desejei boa sorta na nova dieta, por que enfim ele precisava! Sai andando e ele foi comprar alface, enquanto eu ia correndo pro caixa, a fim de sair dali antes que ele mergulhasse na minha cestinha de novo, ele acenava pra mim orgulhoso com um pacote de alface!
Chego no caixa e por sorte acho um relativamente vazio em um dia de supermercado lotado. Eu estou bem relaxada olhando as revistas de fofoca no balcão, enquanto o casal de chineses na minha frente brigava com o filhinho que queria comprar chocolates, quando eu ouço:" O que mais voçê pegou?" e lá estava aquela mão gorda dentro da minha cestinha! Eu me senti absolutamente violada, mas, a esse ponto, eu estava tão assustada com esse gorducho me seguindo, que eu respondi as próximas perguntas com sim, e não , só desenvolvendo mais um pouco a fim de soltar,:"... não, meu MARIDO, não é vegetariano!"
Corri pra casa e depois de dois quarteirões eu estava despreocupado, o infeliz era muito pesado pra andar rápido daquele jeito!
Final da história? Outra hora, se não eu vou deixar o pobre do linguado torrar no forno!