domingo, março 23, 2008

A porta do Diabo


Era mais uma daquelas revelações! Eu detestava admitir, por que isso me colocava na mesma laia que o Namorido(*1), mas revelação era o melhor termo. Eu chamo de Porta do capeta essa minha revelação! Uma passagem aberta no ano passado, por onde toda a certeza amorosa que se empenhava em manter meu relacionamento se foi. Depois de tantas “maldades” sofridas nas mãos do Namorido, era difícil acreditar que tudo ficaria bem. Várias correntes filosóficas tentavam me apaziguar os nervos pelas vozes de minhas fiéis amigas:

“Ele é apenas imaturo, uma hora ele vai amadurecer!”

“Você tem que aceitar as pessoas como elas são, pensar que você pode mudá-lo é ilusão.”

“Daqui a pouco aparece alguém muito melhor e você vai é rir disso tudo.”

“Podem falar o que quiserem, mas eu acho que vocês vão se entender.”

“Não sei o que mais ele precisa fazer para provar que não é uma pessoa boa!”

“Mermã, não sei como é que tu agüentas!”

Em meio a tantas opiniões, algumas delas vindas de dentro da minha própria cabeça, eu me vi com a mão na maçaneta da Porta do Capeta. Essa é uma portinha pequena, mas que tem o poder de crescer se não for fechada a tempo.

Era um sentimento ao qual eu já tinha me desacostumado: a volta de uma certa percepção, do que eu causava nos demais ao meu redor, mais especificamente nos homens. A última vez que eu estive ciente disso foi quando o Motivo me fez ir de salto alto ao trabalho. Impressionante o poder do salto alto! Agora eu me via longe de Nova Iorque e a percepção do sexo oposto me atingiu como uma bofetada.

Durante todo o tempo em que eu tinha estado apaixonada pelo Namorido, os rapazes passavam meio despercebidos... quer dizer, não tanto. Eu sempre tive olhos para os homens absurdamente bonitos, mas confesso que estava perdendo a mão na hora de perceber o desconforto que é causado quando um homem se interessa por uma mulher, especialmente, quando essa mulher era eu. Dessa vez, foi diferente. Cheguei ao Brasil mais atenta aos olhares! Pesquisas científicas dizem que as mulheres têm a visão periférica mais desenvolvida do que os homens, enquanto esses têm a visão objetiva mais eficiente. Eles até atribuem a isso a incapacidade dos homens de acharem a perdida chave do carro dentro de um quarto pequeno. Eu acho que as mulheres têm a visão periférica desenvolvida para perceberem quando estão sendo observadas. É um dom extremamente feminino. Você não tem que olhar sequer virar a cabeça; pela imagem borrada formada no canto do seu olho você tem a denúncia: alguém está olhando para você! Daí basta uma inventada necessidade de arranjar os cabelos para desviar a visão e confirmar a suspeita. O meliante é pego em flagrante e, muitas vezes, nem se percebe desmascarado.

Além dos olhares, me pareceram também mais explícitos os gestos de cavalheirismo. Quantas foram as gentilezas para comigo. Quantas portas abertas, cadeiras puxadas, favores ofertados, presentes inesperados... Onde toda essa gentileza foi parar nesses últimos anos? Ela sempre esteve lá, eu passava despercebida por ela? Teria eu cometido tal crime ou teria sido a mão na portinha do Coisa Ruim, a porta das possibilidades que tinha me trazido de volta tal agrado.

Muitas vezes, na tentativa de me consolar, muitas de minhas amigas diziam que eu não teria dificuldade em encontrar um novo alguém. “Você pode ter o homem que quiser apaixonado por você!” Eu, relevando o exagero do “o homem que quiser”, tinha que concordar que achar outro pretendente não seria tarefa difícil. Eu tinha que admitir meu lado Casa Nova, como minha amiga da Chechênia gosta de chamar, ou seja, Don Juan! Esse era um talento que eu sempre soube que eu tive: a de conseguir manter o interesse dos pretendentes, uma vez que a relação se estabelecesse verbalmente. Nada muito anormal, nenhuma inteligência suprema, apenas uma facilidade enorme em descobrir o que cada um deles precisa ouvir para que os seus olhinhos brilhem. Uma combinação infalível de cinema, música, uma rasa pitada de artes plásticas, uma sofisticação displicente na hora de escolher o vinho, uma pitada de surpresa e subversão pela revelação do interesse em arte seqüencial (nome científico de histórias em quadrinho) e lutas marciais ( eu fiz jiu-jitsu por um ano, e sim! Eu adorava!). Era um mistura quase que 100% certeira! As vezes, eu mesma me repreendia quando me percebia usando a mesma velha fórmula. Eu pensava que os anos passavam, algumas coisas eram adicionadas na lista de qualidades, o nível de confiança na fórmula ia crescendo e os homens parecendo cada vez mais previsíveis! Alguns, claro, ultrapassavam as frivolidades e conseguiam chegar a um nível mais profundo da minha identidade, limites onde as coisas são mais confusas e imprevisíveis, mas ali, nas águas rasas das primeiras conversas casuais, era batata! Essa habilidade virou lenda no decorrer dos anos: por que eles sempre ligam no dia seguinte?- perguntavam, minhas amigas! Difícil era convencê-las de que aquilo não acontecia por causa dos meus grandes olhos castanhos!

Eu passei a criticar meus próprios métodos, racionalizar o não racionalizável. Processos auto-críticos concluíram que meu método havia sido criado inconscientemente, por isso, era genuíno e irrepreensível, assim a culpa foi por água abaixo. Além disso, eu mesma só conseguia identificar que estava atando mais um às minhas teias de viúva negra, quando era tarde para retroceder. Atire a primeira pedra quem não obtém prazer em ser admirado!

Claro que nesse ano somou-se a toda essa desenvoltura, alguns atributos tanto novos quanto irritantes: a residência em Nova Iorque e a carreira no cinema. A freqüência com que olhos se chamuscavam com faíscas quando esses atributos eram mencionados, geralmente por terceiros, se tornou irritante desde o princípio. Essas eram qualidades que eu não ostentava, nem gostava de ter agregadas. Essas tinham sido as férias dos Cinderelos, tentando espremer seus pezinhos, não tão delicados, em finos sapatos de cristal. A última vez que aquilo havia acontecido em minha vida, eu tinha apenas quatorze anos. Tempo suficiente tinha se passado para que eu me esquecesse do sentimento que aquilo despertava dentro de mim, mas também para desenvolver uma enorme desconfiança sobre esses Romeus, tão rapidamente arrebatados por encantos, que eu nem mesmo entendia como funcionava!

Vislumbrei todos os Montecchios, anestesiados de paixão, pela fresta entreaberta da portinha do Coisa Ruim! Um pavor tomou conta de mim. Era o que eu mais temia! Difícil dizer isso sem parecer insuportavelmente antipática, mas meu medo não era o de não encontrar alguém que me amasse depois do Namorido, e sim o de não encontrar alguém que eu pudesse amar incondicionalmente como antes. Mesmo antes de conhecer o Namorido, a portinha do Cramulhão era o meu pior pesadelo. Era inconcebível para mim como, diante do mar de possibilidades que se encontrava por trás daquela porta, alguém pudesse pensar em algo para sempre. Deus (e o Diabo, é claro) sabe como, mas em um momento da minha vida essa porta foi fechada e agora lá vinha ela me atormentar! A sensação de incapacidade de retribuir a afeição incondicional e eterna de uma pessoa, o medo de mudar de idéia. O medo, que deveria ser apenas o de não ter aquela pessoa ao seu lado... tudo aquilo tinha saído de lugar.

Os céus atenderam as preces e me enviaram não apenas um, mas vários pretendentes com os pré-requisitos que eu mesma havia ditado: maduros, tranqüilos e adoradores da minha pessoa. Eram como as porções no Texas(*2), muito maiores do que o que você é capaz de processar. Aqui estou eu, com minha caixa de Pandora entreaberta, olhando para os lados, sem saber se alguém vai aparecer correndo para me impedir de abri-la. A paz havia sido quebrada, e nem eu mesma sabia se esta seria passível de ser novamente instaurada. Talvez eu estivesse abrindo a porta temporariamente, talvez alguém viesse correndo e a trancaria para sempre, talvez eu a fechasse por vontade própria, ou talvez ela mesma se fechasse para mim e eu acabaria, como diria Chico Buarque, “Num tapete atrás da porta”. Por enquanto, em meus sonhos tudo era regado ao blues de Madeleine Peyroux, meu peixe favorito era Nemo, e a língua falada o Francês.

(*1) Menção ao texto Revelação, publicado no dia 09 de novembro de 2007.
(*2) Recorrer ao texto Pequenos apontamentos sobre coisas não tão pequenas..., escrito em 29 de Dezembro de 2005.

sexta-feira, março 21, 2008

Fidelíssimo


Fidel Castro renuncia o poder! Eu ouvi a notícia no jornal e... “Uau!” eu vi a expressão de admiração ser proferida por mim mesma quase que instantaneamente. Fidel era para mim como o Fantasma, o personagem de quadrinhos. Eu achava que ele ia morrendo e um sósia ia substituindo o ícone sem que ninguém percebesse. Isso explicaria tanto tempo de governo, e toda a lenda criada em torno do personagem.

Já faz um tempo que eu não ouço uma notícia que fazia minha cabeça ir a tantos lugares em tão pouco tempo. Em pouquíssimos segundos eu lembrei de tantas coisas! A primeira delas foi de um dos meus professores. Ele era de Londres e trabalhava no Rio como professor de inglês, mas antes de morar na cidade maravilhosa ele passou uma temporada em Cuba. Ele, que era um homem altíssimo e muito forte, me contou como virou um palito de magro depois de passar um mês tentando viver como os cubanos. Ele me contou que, durante o seu regime cubano, ele teve a oportunidade de ver Fidel. Ouvindo rumores de que o grande líder comunista faria uma aparição pública, meu mestre resolveu descobrir onde aquilo ocorreria. Perguntando aos moradores de Havana se os rumores eram verdadeiros e onde aquilo ocorreria, ele não encontrou resposta. Todos diziam não saber de nada. Meu mestre continuou de olhos e ouvidos abertos e não pensou duas vezes quando percebeu muitas pessoas se dirigindo a um mesmo local. Seguindo os moradores do local, ele se deparou com um parque absolutamente cheio de gente. Ele me disse que achava que toda a cidade estava lá. Ele perguntou a algumas pessoas se estavam ali pra ver Fidel Castro, ninguém respondeu que sim ou que não. Em poucos minutos que meu professor estava no local, ele foi inesperadamente abordado por oficiais. Tirado rapidamente do local, ele se viu sendo interrogado pelos oficiais cubanos sem entender muito bem por que. Ele entregou o passaporte e respondeu o interrogatório. Segundo meu professor, eles queriam averiguar se ele não estava ali espionando Fidel. Depois de passar por momentos assustadores nas mãos dos oficiais cubanos, que apesar de persuasivos, em momento nenhum usaram de força física contra meu professor. Foi permitido a ele voltar ao parque, quando o grande líder surgiu, para alvoroço da multidão. O povo entrou em alvoroço e meu amigo londrino estava lá vendo de perto, não só o lendário Fidel Castro, mas também o efeito de sua presença naquele povo que, aos seus olhos era tão sofrido. Meu professor, cansado de viver como os nativos da região, acabou procurando o primeiro restaurante turístico, comeu até tirar a barriga da miséria e depois arrumou as malas, tratando de encurtar a estadia no paraíso tropical!

Outra lembrança que a notícia da renuncia de Fidel trouxe, foi de quando eu tinha 15 anos. Era domingo à noite e eu e meus pais estávamos tomando caldo no falecido restaurante Tamelu. O Tamelu era ponto de parada obrigatório nos domingos à noite pra mim e para o meu pai. Meu irmão detestava caldo e minha mãe geralmente achava Teresina demasiadamente quente para a iguaria. Aquela noite era menos quente que o de costume, por isso minha mãe resolveu nos acompanhar. Meu pai, como sempre, degustava seu caldo de carne, minha mãe, como boa mineira, uma canja de galinha e eu me aventurava com um caldo de ostras. Meu pai espichou o olhou pra ver meu prato, franziu a sobrancelha e abriu as narinas formando sua característica cara de nojo: “Laura e suas excentricidades!” Foi logo ai que eu resolvi expor mais uma das excentricidades de Laurinha. Eu havia pensado tudo antes. Disse para os meus pais que queria estudar cinema. Ninguém se opôs a princípio. Eu continuei dizendo que o curso de cinema de Cuba era muito bom. Nesse momento eu vi o caldo de carne e canja de galinha entalando meus pais. A resposta do meu pai veio assim que ele conseguiu engolir o caldo: “De jeito nenhum!” Eu argumentei, disse que a escola de cinema de Cuba era muito boa, que viver em Cuba era barato, sendo assim seria fácil que meus pais me ajudassem a me sustentar: “Não é barato viver lá pai?” Meu pai concordou dizendo que se me mandasse cem reais por mês, no fim do meu curso eu poderia comprar a ilha inteira, mas nem por isso me mandaria para lá. “Vai para Nova Iorque se quiser”, disse ele. Nessa hora minha mãe entalou pela segunda vez: “Aonde já se viu mandar uma menina dessa idade para morar numa cidade daquela sozinha?” Eu completei dizendo que Nova Iorque era muito caro e que lá eles não iam ter como pagar minhas despesas. Meu pai não se fez de rogado e disse: “Dá sim, você lava uns pratos e a gente manda o resto do dinheiro que faltar.” Minha mãe, que sabia que eu não ia pensar duas vezes antes de aceitar a proposta de lavadoras de pratos em NYC, tratou de dizer que eu não ia. Aquilo não me incomodou, por que eu queria mesmo era ir para Cuba. Eu insisti com meu pai e perguntei por que eu não podia ir. A resposta me fez rir: “O Fidel Castro tá pra morrer!” Eu não achava que isso aconteceria antes que eu estivesse formada e de volta ao Brasil, mas também não entendia o que a morte do homem teria a ver com meus estudos. A previsão do meu pai era de que quando ele morresse, Cuba viraria o “bordel do mundo” e que o último lugar que ele gostaria que a filha estivesse era nesse “bordel”. Eu relutei dizendo que achava que ele durava mais de quatro anos! Foi em vão...

Outra coisa que passou pela minha cabeça naquele pouco tempo, foi a música cubana. Um lugar tão peculiar não teria trilha sonora divergente. Buena Vista Social Club, ai, ai... Quando eu morava no Rio de Janeiro, o glorioso Ibraim Ferrer passou em turnê no Canecão. Eu não fui por que não tinha cinqüenta reais! Pouco mais de um ano depois Ibraim falecera. Eu gastei bem mais do que cinqüenta reais bebendo para esquecer que eu tinha perdido a última chance de vê-lo ao vivo.

A última coisa de que o incidente político cubano me lembrou, foi que se eu tivesse ido pra Cuba, hoje, onze anos depois, eu teria formado, feito mestrado e doutorado, e olha que era só a renuncia, não era nem a morte!

Eu vou por aqui com a minha baixa escolaridade, acompanhando as notícias daquela ilhazinha, que sozinha, resistindo ao capitalismo e a globalização, sempre causou tanta influencia no resto do mundo!

Desperate House wife in Boston


Depois de muitas tentativas frustradas de visitar minha amiga em Boston, finalmente eu arranjei um tempinho. Eu descobri, por acaso, que eu tinha um dia de folga. Liguei para minha amiga que adorou a idéia e eu tratei de arrumar as malas.

Minha amiga se mudou para Boston quando eu ainda morava em Belo Horizonte. Boston é relativamente perto de NYC. Ônibus saem de hora em hora do Bairro Chinês de NYC para o Bairro Chinês de Boston e a passagem não custa geralmente mais que trinta dólares para ir e voltar. Com tantas facilidades no translado entre as duas cidades, era de se esperar que eu e minha amiga nos encontrássemos com alguma freqüência, mas claro que isso não acontecia! Já fazia mais de um ano da última vez que a gente tinha se visto. Ela foi uma vez a NYC e eu, uma vez a Boston. Ela tinha acabado de me chamar para madrinha do seu casamento. Depois de um bom tempo namorando, ela e o namorado resolveram se casar no civil, para que ela pudesse regularizar a sua situação com a imigração, e marcaram a data da festa para o ano seguinte. Os dois compraram uma casa e estavam reformando, eu estava indo conhecer a nova residência do casal.

Sai do trabalho na mesma hora de sempre: mais tarde do que deveria! Carregando meu computador, uma malinha de mão e minha bolsa, sai dos Estúdios Kaufmans em Astória, no Queens. Kaufmans é um lugar fácil de se perder, não só pelo tamanho e pela confusão dos corredores, mas pela história do local impressa nas paredes. Kaufmans foi o primeiro estúdio em Nova Iorque. Cada corredor era uma aula de história de cinema: I love Lucy, Vila Cézamo, A primeira noite de um homem... mas aquela noite eu tinha que me concentrar, eu não tinha tempo para ficar passeando pelos estúdios. Peguei o metro e sai no Bairro Chinês, Chinatown. A chuva que caia era torrencial. Corri para um dos pontos de ônibus do Bairro Chinês, mas quando eu cheguei o ônibus das nove da noite acabara de sair. Eu tinha que esperar uma hora pelo próximo ônibus, o que não seria um problema se não fosse a chuva. Fui à farmácia, passei pele corredor das guloseimas (light claro) e me abasteci para a viajem.

Depois que eu estava completamente encharcada e carregando ainda mais peso o ônibus chegou. Entrei no ônibus, escolhi a trilha sonora e devorei dois pacotes de salgadinhos de soja light. Dormi e acordei umas quinhentas vezes e quando eu vi, já estava em Boston. Eram duas horas da manhã quando eu desembarquei e as figurinhas que estavam na rodoviária eram no mínimo assustadoras. Eu liguei para a minha amiga a procura de resgate. Ela atendeu o telefone e me disse que estava a caminho, mas estava meio perdida, por isso podia demorar um pouco. Eu vaguei por todos os cantos da rodoviária procurando um lugar menos intimidante, mas depois de uma hora, todos os lugares tiveram tempo para se corromperem.

Finalmente minha amiga chegou! Tonta de tanto dar voltas perambulando na madrugada. Chegamos à casa dela, e que casa! Eu quase caio para trás, era uma casa de pais. Era o tipo de casa que os pais dos meus amigos tinham. Pais de família. A minha amiga estava se preparando para isso. Ela passaria os próximos anos pagando por aquilo. Lá estava aquela pequenina, minha colega de classe, comprando uma casa de quatro quartos, virando gente grande. Senti-me absolutamente imatura. Era um misto de inveja e apavoramento. Será que eu era assim tão imatura para ficar assombrada com uma casa de quatro quartos*

Passamos algumas horas colocando a fococa em dia e falando da reforma da casa. Antes que amanhecesse, nós fomos deitar. Eu não conseguia dormir, ficava olhando para o quarto de hóspedes onde eu dormia. Lembrei de quando ela havia ido me visitar em NYC e tudo que eu tinha, era um colchão inflável para ela. Eu ainda recebia minhas visitas como quando eu estava na faculdade. Imaginei-me com trinta anos de idade morando em um quarto de sete metros quadrados... Era o preço a pagar por NYC, por ser obcecada por minha carreira...

Acordei com um barulho que vinha da cozinha. Chamei por minha amiga e ela pôs a cabeça para fora do recinto. Ela preparava café da manhã. Tanto tempo vivendo naquele país, esqueci como era uma mesa de café da manhã. Pão, iogurte, manteiga, queijo, granola, café e, só para humilhar, wafles. Eu ri, tive que rir. Minha amiga é tão pequenina que pediu minha ajuda para alcançar os copos dentro do armário, mas tinha arrumado aquele café gigantesco. O seu comsorte acordara às cinco da manhã e estava terminando a pintura de uma janela. Ele veio se sentar assim que as wafles estavam prontas. Ele sentou e perguntou se elas tinham sido feitas da maneira “especial” de minha amiga. Ela me explicou que a maneira especial, era wafles queimadas. Os dois ficaram horas rindo e me contando das desventuras culinárias de minha amiga. Eu fiquei feliz por ela, os dois conseguiam se divertir no café da manhã, falando de wafles! Se aquilo não era cumplicidade, eu não sei o que seria. A luz da manhã, eu pude ver outra coisa surreal além de wafles: um quintal!

Enquanto eu me recuperava da inveja de ver alguém da minha idade com um quintal, eu fui me arrumar para um compromisso social. Era aniversário da sobrinha da minha amiga e ela tinha combinado de fazer a decoração da festa de um ano da garotinha. Nós encontramos com uma amiga de minha amiga, especialista em decoração de balões, que nos ajudaria. A garota vivia ilegalmente há oito anos em Boston, era casada com um brasileiro e tinha um filhinho. Passamos para buscá-la. Em alguns segundos a conversa se transformou em uma linguagem alienígena para mim. Elas falavam de mecânicos, de marcas de carros, de preços de combustível, de troca de pneus...quando a conversa mudou de rumo, foi a terras ainda mais desconhecidas: crianças! Era a garota falando do filho, minha amiga da sobrinha e de seus alunos (minha amiga era professora de teatro de crianças). Eu tratei de rir e continuar a balançar a cabeça.

Chegamos à casa da sobrinha de minha amiga e finalmente eu conheci a princesinha. Ela era bem pequenininha. Um ano atrás, ela tinha nascido prematuramente junto a sua irmã gêmea, que infelizmente, não resistiu. O aniversário dela era uma conquista, minha amiga estava muito emocionada, pois tinha visto a garotinha durante meses em uma incubadora. Eu fiquei brincado com ela por alguns minutos enquanto as garotas reorganizavam a mobília da sala. Foi pouco tempo, mas o suficiente para mostrar minha inabilidade com crianças.

Finalmente fomos encher os balões. Eu tentava vasculhar meu cérebro com algum assunto que eu pudesse conversar com a amiga de minha amiga, mas nada me ocorria, e enquanto isso eu ia ouvindo que o filho dela não gostava de banana. Desisti me concentrei nos balões e resolvi esperar um momento que eu e minha amiga estivéssemos sós para conversar. Eu enchia balões e ela ia falando do carro, do marido, do filho, e dos dez milhões de coisas que ela não podia fazer com a vida dela. De repente minha inveja de uma casa de quatro quartos, quintal e carro na garagem começaram a desbotar. Aquilo era maturidade de mais para mim. A coisa se inverteu completamente quando a garota descobriu que eu vivia em NYC. Começou a dizer como gostaria de assistir uma peça da Broadway e outras coisas. Ela falava de tudo como se fosse algo impossível, ela só estava a trinta dólares e quatro horas de NYC, mas a um filho, um marido e um emprego de distância.

Aquilo tudo começou a revirar meu estômago. Olhava para a vida daquela garota e tinha vontade de chorar, eu olhava para a minha e queria fazer o mesmo! Onde diabos escondia-se a felicidade e o contentamento da vida* Aquele foi o aniversário de criança mais estranho e tudo por culpa da mente perturbada. De repente a felicidade da casa de cerca branca que eu nunca quis caiu diante de mim. E agora, o que e usaria de desculpa para os meus momentos de infelicidade* Eu não tinha mais a formação de família e a segurança de vínculos para desejar nos momentos de fraquezas! Era algo que eu sempre soube que não era para mim, mas que sempre esteve lá como uma possibilidade, em caso tudo mais desse errado, mas agora eu tinha estragado tudo. Tinha chegado perto de mais da realidade alheia, e acabei vendo além da cerca branca!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Tudo indo esgoto a baixo! E a comunicação? Zero!











A minha confusão mental não podia ser maior! Agora eu tinha dois homens bonzinhos fazendo absolutamente tudo para me agradar. Isso pode parecer bom, mas como o diz o ditado: Quando a esmola é muita, o santo desconfia. Não que eu fosse uma santa, mas eu estava duplamente desconfiada. De um lado, o Sem Face sendo, desde o princípio, assustadoramente carinhoso, mas mais mole que ostra fresca; do outro, o Ex-nanorido com sua mudança exagerada de pós-revelação. Ai que vontade de dormir!!!!

Eu tinha tentado me distanciar um pouco dos dois, mas não completamente. Eu andava um pouco doente e tive que ir ao médico. Aproveitei a oportunidade para pensar. Nessa época eu estava terminando o trabalho para a HBO, estava correndo contra o tempo para mandar todas as roupas alugadas de volta para Los Angeles. Eram pilhas e pilhas de uniformes da marinha, exército e aeronáutica, todos decorados com broches, medalhas, símbolos de patente e uma infinidade de outros detalhes, cada um listado por seu nome técnico. Eram folhas e folhas de listas que formavam um livro e das duas pessoas que ainda trabalhavam comigo nesse ponto do filme, a única que era qualificado para fazer isso, estava ocupado com o livro de continuidade. Eram caixas e mais caixas cheias de brochinhos, todos misturados, outra coisa que me dava vontade de dormir! Com tanto trabalho para fazer em tão pouco tempo, eu não podia me dar ao luxo de ficar pensando na morte da bezerra, enquanto trabalhava tinha que estar 100% concentrada.

Depois de muito pensar, resolvi que eu queria era paz. Do Ex-namorido, eu não tinha como me afastar, uma vez que a gente tinha que permanecer casados pelo menos mais uns três anos. Ele já tinha deixado claro também que não tinha maturidade para continuar meu amigo depois de separado. Por mais que me doesse o coração, eu teria que me afastar do Sem Face, para o bem da minha sanidade mental! O problema é que se tem algo que eu não sei fazer é terminar relacionamentos. Sou um desastre, eu prefiro a morte por enforcamento a ter que olhar no olho de alguém e dizer: “Foi muito bom te conhecer, mas não dá mais. Boa vida pra você!” Ah! Só de pensar, meu estomago se revirava todo. Naquela manhã eu estava extremamente mal humorada. Por causa de um péssimo planejamento da produção do filme, nós tivemos que mudar de espaço físico pelo último mês de trabalho, era um trabalho extra totalmente desnecessário que só estava acontecendo por incompetência da produtora. Quando eu cheguei à frente do novo local, abri a porta do caminhão e na hora de descer, ouvi que algo caíra de dentro da minha bolsa. Quando eu olhei para o chão, era meu celular, boiando no esgoto! Eu dava gritinhos de nojo e desespero enquanto tirava, com o pé, todos os meus contatos profissionais do esgoto. O motorista me ofereceu um lenço de papel. O celular ainda se estribuchou por algumas horas antes de morrer. Mandei um e-mail a todos que poderiam estar interessados em saber que eu não estaria com meu celular por alguns dias.

Era sexta-feira quando isso aconteceu, mas é claro que algo desse tipo não aconteceria em uma sexta-feira qualquer. Aquele fim de semana era o aniversário do Ex-namorido, que havia reclamado o mês todo sobre como nenhum de seus amigos estaria em NYC para o evento. Eu mandei um e-mail para ele e, assim que cheguei em casa, nos falamos via Skype. O meu celular faz parte de um “plano família” com ele, por isso, eu achei que ele teria que ir comigo a loja resolver o caso do óbito do meu aparelho. O motivo pelo qual os amigos do Ex-namorido não estariam na cidade era um feriado na segunda-feira. No sábado o Ex-bofe foi comigo a loja de celulares, eu fingi de doida e me mostrei muito surpresa quando eles disseram que algo úmido talvez houvesse entrado em contato com o celular. Como o aparelho tinha poucos meses e eu tinha assinado um plano de dois anos, o vendedor pediu que eu comprasse uma bateria nova, que ele me daria um celular novo, além disso, ele iriam também resgatar a minha agenda telefônica e transferi-la para o novo brinquedinho. O procedimento demoraria algumas horas, o acompanhante perguntou se eu não gostaria de dar uma volta. Nós estávamos no Soho, bairro famoso pela quantidade de lojas. Andamos nas lojas, almoçamos, conversamos fiado e voltamos para pegar meu celular. Quando eu ia embora, ele me pediu para ficar. Era aniversário dele e ninguém estava na cidade.

Nós assistimos um filme, voltamos para o seu apartamento e vimos mil episódios de Flight of the conchords, um dos meus seriados de tv preferidos. Ele não reclamou nem um minuto de estar vendo todo pela segunda vez. Abriu uma garrafa de vinho e eu caí no sono. Dormimos na mesma cama, cada um com a cabeça pra um lado. No domingo de manhã, eu acordei tomei banho e sobre os protestos de Ex- namorido, não fui embora. Fui à farmácia, comprei um desodorante, uma escova de dentes e uma calcinha nova. Tomei banho e vesti uma camiseta dele. Fomos ao Brunch. Eu tentei pela milionésima vez ir a um lugar chamado Clinton Bakery, mas a fila a espera por uma mesa dava a volta no quarteirão, como sempre. Era aniversário do Ex-namorido, então eu pensei que o jeito ia ser comer comida mexicana o dia todo. Brunch mexicano, planos de jantar mexicano. Eu fiz a gentileza de pagar pelo jantar já que era o aniversário do rapaz que, por sua vez, se dizia não merecedor de tanta bondade. Eu tive que concordar com ele, mas paguei o jantar mesmo assim. A noite de domingo imitou a de sábado.

Eu cheguei em casa na segunda a tarde e um sentimento estranho me tomou. Nada tinha acontecido entre nós dois, e mesmo eu tendo deixado claro para o Sem face que eu não estava em condições de nada sério, eu me senti mal pelo pobre coitado, pois depois do e-mail de sexta-feira, eu não tinha dado mais notícias. Liguei e deixei uma mensagem na caixa postal dizendo que o meu celular estava concertado e que se ele quisesse, poderia me ligar.

A semana passou rápido principalmente consumida pelo trabalho. Pensei que o fim de semana seguinte seria perfeito para ir a Boston. A última vez que eu cancelei minha ida, foi por causa do chilique pré-revelação do Ex-namorido. Liguei para a minha amiga, que adorou a idéia.

Durante toda a semana o Ex-“com sorte” ligou e falou comigo. Eu falei que ia a Boston, ele me ajudou a buscar umas coisas no trabalho e levar pra o meu apartamento. Enquanto isso, eu não ouvia uma palavra se quer do Sem face. Eu imaginei que ele tivesse me visto andando com o Ex durante o fim de semana que eu sumi. Senti-me mal por ele, mas no fundo eu adorei não ter que terminar nada. Tudo ia tão bem, que eu estava esquecendo a bagunça que minha vida tinha sido a à pouco tempo atrás. Eu e o Ex estávamos em relação civilizada, o Sem face sumiu por vontade própria sem dor para mim e, finalmente, eu teria tempo de visitar minha amiga.

Na quinta à noite, minha amiga me liga. Estava morrendo de vergonha, mas tinha uma proposta de trabalho para o fim de semana e não podia recusar. Eu disse que não se incomodasse que eu iria outra hora. Logo depois, meu telefone tocou de novo, era o Ex. Eu disse que ficaria em NYC par o fim de semana e ele agiu estranhamente. Me disse que na sexta-feira, “os caras” levariam ele pra jantar para celebrar o aniversário e depois eles sairiam. Considerei o termo “os caras,” como um sinal de que seria uma noite de homens e que eu não seria bem vinda. Não liguei à mínima.

Sexta à noite, eu estava em casa e depois de trabalhar um pouco no início da noite, eu e lancei aos braços de Morpheu, deus dos sonhos. Às duas da manhã, meu celular apita, era uma mensagem do Ex-namorido: “Noite muito estranha!” dizia a mensagem, achei melhor ligar. Pelo barulho, ele já estava em um bar e pela voz, ele já estava bêbado. Ele falou umas besteiras sobre o jantar e eu conversei um fiado, mas achando aquele papo muito fiado. Foi quando ele perguntou: “Você leu meu e-mail?” eu perguntei se era o e-mail sobre o zoológico, ele disse que não: “O da minha festa!” Eu fiquei comendo mosca... “Eu estou fazendo minha festa de aniversário hoje, no Orchard Bar, todo mundo está aqui!” Eu não sei como descrever a sensação de raiva tomando conta do meu corpo. “Um e-mail?” – perguntei. “Você me viu todo dia essa semana, falou comigo todos os dias e me convidou para seu aniversário por e-mail?” Entrei na minha caixa de mensagens para encontrar o bendito. Nem um e-mail normal era, era um link que levava a um site de convites de aniversário, coisa comum lá. Eu tinha aberto o e-mail, mas não tinha entrado no link achando que era spam. Eu falei por alguns minutos, absolutamente dominada pelo ódio, de como ele era idiota e sempre arranjava um jeito de estragar as coisas quando tudo ia bem. Ele justificou dizendo que tinha ficado com raiva de eu ter marcado a ida a Boston no fim de semana da sua festa, mas que s duas da manhã do sábado, no meio d festa, ele concluiu que talvez, eu não tivesse feito aquilo de propósito, e sim por não ter visto o e-mail. Eu, educadamente, mandei que ele fosse fazer uma visita a Lúcifer.

Orchard Bar era um dos meus bares favoritos. Havia ficado fechado por um tempo. Algumas semanas antes daquele dia, eu descobri que ele estava funcionando novamente e avisei o Ex-namorido. Ele marcou a sua festa no meu bar favorito, arrumou um jeito de eu não ir e de se fazer de coitado, só para arranjar confusão. Aquilo era crime premeditado, e a pena para aquilo devia ser apedrejamento em praça pública. A minha raiva não cabia em mim. Era sempre assim, ele dava um jeito, arrumava um motivo para ficar com raiva de mim sem eu nem saber o que se passava. Eu estava de saco cheio. Na briga da noite anterior eu tinha dito que se ele ia continuar a inventar desculpas para ficar com raiva de mim, era melhor eu começar a fazer o mal, se era para alguém ficar com raiva de mim, melhor que fosse com motivo.

Sábado eu acordei e olhei meus e-mails. O Sem face avia ressurgido! Era um e-mail da sexta-feira à noite perguntando se eu estava viva e se meu telefone estava funcionando. Tentei ligar, mas caiu na caixa postal, e deixei outro recado.

Meu telefone tocou ao meio dia. Essa era a hora que ele saia da terapia todo sábado de manhã. Atendi sem o menor bom humor: “Que é?” Ele pediu desculpas. Pela milionésima vez. Usou uns termos de psicologia para justificar a burrada e disse que eu estava certa, que ele inconscientemente estava arranjando sarna para coçar! Pediu paciência e disse que estava tentando melhorar. Eu desculpei, por que para quem já tinha desculpado 999999 vezes, uma a mais, não faria diferença, mas estava claro que o jogo que eu estava jogando, estava longe de ser justo comigo! Ele perguntou se eu queria encontrá-lo, eu disse que não.

No meio da tarde, naquele mesmo dia, eu recebi uma mensagem do Sem Face, queria saber o que eu ia fazer. Eu até uso mensagens, mas quando eu não posso falar. Então eu liguei de novo, e mais uma vez ele não atendeu. Resolvi que se ele quisesse falar comigo ia ter que parar de teclar e abrir a boca! Deixei mais uma mensagem dizendo que se quisesse falar comigo que me ligasse. No domingo, mas uma mensagem de texto, essa foi a sua cerimônia de enterro. Ali, naquela mensagem, na prova da incapacidade masculina de comunicação verbal, eu enterrei o Sem Face. Uma coisa era agüentar o Ex-namorido me convidado para um aniversário via e-mail, por que ele, eu era obrigada a agüentar, mas o Sem Face não tinha desculpa.

Obs:
Talvez seja maldade minha culpar os meninos por completa estupidez na questão da comunicação, afinal de contas a ciência explica. Em quantos os homens usam apenas um hemisfério do cérebro para se comunicarem, nas mulheres, observa-se atividade cerebral em ambos os hemisférios durante a comunicação verbal. Fisiológica ou não, a questão é que na era das comunicações e da globalização, se os homens não tratarem de correr atrás do prejuízo e se reciclarem, ele vão acabar virando material obsoleto!

sexta-feira, novembro 09, 2007

A revelação



Acordei naquela manhã, evitando as perguntas da minha mãe, O problema não era ela perguntar, era eu responder. Na minha cabeça era um nó de pensamento tão bagunçado que eu mal conseguia me concentrar no que ela dizia por mais de dois segundos!
O meu telefone tocou, era o Ex-namorido, pra quem não queria mais me ver ou falar comigo nunca mais, aquele telefonema era até engraçado. Eu atendi, pensando que parte da minha vida tinha sido invadida durante a noite, e quem seria a razão do esporro que eu ia levar desse vez!
Atendi dizendo : “Bom dia!” quem sabe assim ele se tocaria que sábado de manhã, ninguém merece! Ele respondeu com uma voz calma e serena, nem parecia a mesma pessoa. Caso de personalidade dubla? – eu pensei! Eu disse: “ Eu sou tão estúpido!” eu não me controlei e respondi: “É, você é!” Ele se desculpou pelo dia anterior disse que tinha tido ficado acordado a noite toda, que achou que ia morrer de tanta angustia, mas que de repente teve uma revelação. Eu não agüentei e tive que rir! Perguntei se depois de chegar ao fundo do poço, os céus se abriram a alguma divindade havia descido a Terra pra por juízo naquela cabeça torta!
Ele disse que não, que ele tinha apenas entendido tudo que estava acontecendo! É um gênio, eu pensei! Ele pediu que eu lesse um e-mail que ele tinha me mandado e que ligasse pra ele depois.
Era um Manifesto. O infeliz me escreveu um manifesto. A mais melosa das declarações de amor já escritas. Aquelas coisas que você só escuta em letra de musica cafona! Era um maluco aquele cara! Eu só conseguia pensar em quanto tempo ia demorar até eu receber o outro e-mail terminando comigo antes mesmo de eu voltar com ele! E Foi essa a primeira coisa que eu perguntei a ele quando liguei. Ele disse que isso nunca ia acontecer. Disse que se eu estivesse aberta oferece-lhe a chance numero 13489200, eu não ia me arrepender! Que ele viveria e se dedicaria a mim, ao meu amor e minha felicidade!
Achei bunitim, mas pensei comigo: “Esse cara acha que eu sou completamente retardada!”
“Pois vocês durma umas boas noites na sua resolução, ou melhor, revelação! Se daqui a alguns meses ela ainda andar por aqui, a gente conversa!
Tudo voltou a uma normalidade anormal! O Ex-namorido agora aspirando a perfeição, era extremamente gentil, cuidadoso e presente. Sem face era do mesmo jeito como sempre. Eu não tinha voltado com o Ex-namorido ou consumado nada com o Sem face, era um namorico de criança! Toda vez que eu pensava no que eu ira fazer com aquela situação, eu queria deitar e dormir! O e-mails eram muitos e os mais variados com conselhos chegados do Brasil, a maioria esmagadora, era descrente da mudança do Ex-namorido, quase todos achavam no mínimo justo que o Sem face tivesse sua chance! Algumas poucas vozes se levantaram em prol do Ex-namorido, mas elas só clamavam como ele era uma pessoa legal e divertida, nunca o defenderam quando o assunto em pauta era a maneira como ele me tratava. Os conselhos vindos de NY eram bem mais pragmáticos e cruéis. Fique com o Ex-namorido, mas só até a cidadania chegar, ai você dá um pé na bunda dele e vai cuidar da sua vida!- eu ouvi algumas vezes!
Mas o que ninguém entendia era que por mais que o maluco tivesse aprontado tudo aquilo comigo, eu nunca achei que ele iria me prejudicar em momento algum, eu sabia que mesmo separados, se eu precisasse de algo, eu poderia contar com ele.
O que pendia muito a favor do Ex-namorido, era a velocidade com que o Sem face se movia. Eram mais de um mês juntos agora e nada acontecia. Quando você é acostumada com homem brasileiro que pula em cima de você, sem saber seu nome e descobre passagens inimaginável na sua roupa pra chegar a você, um carinha que depois de um mês ainda está te “respeitando” tanto assim, era de causar um certo estranhamento!
Eu pessoalmente achava ótimo não ter que lidar com aquilo, era como se a gente não tivesse na verdade tendo nada de mais. Eu nunca tinha que me preocupar em paras coisas antes que elas esquentassem por causa da minha confusão mental. A confusão mental dele parava as coisas mito antes que a minha!
Nesse caso os e-mails que vieram especulando sobre o assunto também era diversos! Algumas amigas acham encantadora a atitude do rapaz, outras, bastante suspeita! Ele deve ter algum problema, disseram...
Ai,ai,ai... e agora? Será que eu queria realmente descobrir o que estava acontecendo?

A revelação

A indecisão é o que acaba com tudo!


Trabalhando 12 horas por dia, saindo com minha mãe, sobrava muito pouco tempo pra ver o Sem Face. Algumas vezes no caminho de casa, eu descia na estação de metro da casa dele, que era no caminho da minha. Dizia oi, dava um beijo, conversava um pouquinho e ia embora. Era isso, mas durante todo o dia a gente trocava por volta de 20 a 30 e-mail.
Minha amiga que mora em Boston e tinha acabado de comprar uma casa, tinha me perguntado se eu gostaria de ir a Boston ajuda-la. Como minha mãe é arquiteta, e eu, madrinha do futuro casamento, perguntei pra minha mãe se ela achava ruim ir comigo a Boston ajudar minha amiga. Ela concordou.
Naquela manhã eu me despedi de minha mãe, disse que iria chegar em casa mais cedo pra poder arrumar uma malinha e a gente iria pra Boston. Cheguei no escritório e tentei abrir o meu e-mail. Dizia que minha senha estava incorreta. Eu tentei algumas vezes achando que tinha cometido um erro de digitação, mas nada funcionava! Fiquei pensando o que poderia ter acontecido. Por motivo nenhum, eu tentei minha senha antiga e funcionou. Não entendi nada., eu usei a senha do Hotmail, no Gmail e funcionou. As senhas dos meus dois e-mails, eram as mesma até o episódio do Marinheiro , quando o Ex-namorido entrou no meu Gmail e viu o e-mail que ele tinha me mandado e ficou louco. Entnao eu mudei a senha do Gmail que eu tinha dado pro Ex-namorido uma vez que eu precisei que ele me ajudasse. O problema era que como eu não havia dito pra ele que a senha do Hotmail era a mesma, resolvi mantê-la.
Liguei pro Ex-namorido, absolutamente inocente. Queria saber se ele achava que era motivo pra preocupação! Ele muito secamente, disse que não. Voltei ao trabalho, foi quando eu vi um e-mail do Ex-namorido: “ Eu sou uma pessoa horrível! Eu mudei sua senha, eu entrei no seu e-mail, eu sei tudo do Sem Face!” Ai que merda!, pensei.
Lá estava eu ainda apaixonada pelo Ex-namorido, depois de levar 450 foras tentando esquecê-lo, e o mala vem e me apronta uma dessas.
Liguei e ele atendeu o telefone. Ele soluçava, chorava e gritava comigo. Dizia que logo quando ele estava quase lá, eu fazia isso com ele, que agora estava tudo acabado. A raiva me subiu pela espinha! Tranquei a portado escritório e comecei a esbravejar. Como depois de tudo que ele já tinha feito comigo, ele ousava invadir meu e-mail e me culpar por ter arruinado tudo. A minha raiva era tanta, que ele ficou completamente desarmado. Começou a pedir desculpas e se explicar. Disse que na noite anterior tinha ido a terapia, que durante a terapia descobriu que tinha terminado comigo por motivos que nada se ligavam a mim, e que tinha resolvido me pedir pra voltar.
Eu ouvia aquilo com uma mistura de esperança, felicidade e raiva ao mesmo tempo. Respondi: “E você acha que é assim? Só me querer de volta?” A última vez que nós tínhamos terminado, eu tinha sido quem tinha tomado a decisão. Ele tinha voltado comigo, cheio de zinquizira, dizendo que a gente tinha que levar as coisas mais devagar! Eu disse que pra ele era fácil levar as coisas devagar, mas e pra mim que tinha mudado pra cá de mala e cuia por causa dele? Disse que ele estava devagar de mais pra mim e terminei. Perguntei pra ele o que era diferente? Ele me respondeu que me amava e que queria ficar comigo pra sempre, que eu era o amor da vida dele e que ele queria muito uma segunda chance. Eu, ainda irritada, disse que tinha que desligar e que depois conversaria com ele.
Estava na frente do computador com o rosto inchado de tanto chorar, tão confusa que mal respirava. E agora, o que eu ia fazer, voltar para aquela loucura,ou ficar quieta com o Sem Face? Tantas coisas iam e vinha na minha cabeça, a vezes que eu tinha sido maltratada pelo Ex-namorido, a instabilidade do seu humor, todo seu egoísmo, pensava em como o Sem Face me tratava, de como era paciente com toda a situação, de que como a minha condição legal d imigração era delicada...eu achei que eu ia desmaiar, mas a indecisão durou pouco. Eu recebi um segundo e-mail: “Desculpe, mas eu não posso continuar fazendo isso com você...”
Eu não consegui acreditar em uma pessoa desalmada o suficiente pra estar fazendo aquilo comigo. Tinha que ser um mal entendido. Me pedir pra voltar e mudar de idéia em menos de duas horas? Eu liguei de novo, dessa vez minha fúria tinha se esvaído, eu achava que ia desmaiar a qualquer segundo. Ele chorava mais ainda e dizia que não estava pronto pra voltar, que estava com medo de me perder, mas que se voltasse comigo sabia que tudo seria como antes, as grosserias, o mal humor... eu ouvi e pedi que ele me deixasse em paz.
Por algumas horas eu fiquei apática. Mas a apatia passou quando o Sem Face me pedira pra passar por sua casa antes de ir pra Boston.
Eu tinha acabado de sair da estação de metro quando, eu recebi uma mensagem no meu celular. Era o Ex-namorido, dizia: “ Eu não quero e não posso nunca mais te ver ou falar com você”, oh inferno pra te cão, eu pensei! Será que eu não ia ter paz na minha vida?
O Sem face saiu na portaria do seu prédio e me viu pálida. Eu me expliquei, contei toda a história, ele ficou impressionado com minha sinceridade , disse que não queria me criar problemas, mas que gostava muito de mim e que gostaria de ter uma chance comigo. Eu disse que tinha que tentar falar com o Ex-namorido.
Ele saiu de perto de mim e foi sentar perto da fonte. Eu tentei ligar milhões de vezes, mas ele não atendia, eu deixei milhões de recados. Finalmente o Ex-namorido me ligou. Ele chorava e gritava comigo enquanto eu tentava entender o que tinha acontecido desse vez. Qual era o motivo daquilo? O motivo era o MOTIVO! Ele tinha entrado no meu Blog e lido sobre o Motivo. Dizia que eu ia deixa-lo louco com esse bando de homens. Eu disse calmamente que ele deixasse de fuçar na minha vida, que ele tinha terminado comigo, que agüentasse! Disse que estava de saco cheio dessa palhaçada, que nunca tinha feito nada pra merecer viver nesse inferno que ele tinha feito da minha vida. Completei dizendo: “Se você não quer me ver ou falar comigo, direito seu. Eu escrevo quando precisar falar com você por qualquer motivo, e você faça o favor de me deixar em paz!”
Perdi a vontade de ir a Boston. Liguei pra minha mãe e pra minha amiga avisando! O Sem face tentava me alegrar e eu, tentava parecer alegre com medo de passar por grosseira. Eu estava completamente arrasada. Depois de tudo que eu tinha feito pelo Ex-namorido e pelo nosso relacionamento ia acabar assim!
O Sem face me levou pra caminhar, nós estávamos em Downtown NY, ele me perguntou se eu já tinha caminhado na ponte do Brooklyn, eu balancei a cabeça que não. Ele impressionado começou a andar em direção a ponte me puxando pelo braço, ele não parava de falar. Ficou horas enumerando a quantidade de coisas que queria fazer comigo e os lugares onde queria me levar, eu mal ouvia. A única coisa em que eu me concentrei foi na instrução de não olhar pra trás,até que ele dissesse que eu podia. Eu rir com a instrução: “ Não vale olhar pra trás!”, extremamente apropriado!
Quando chegamos ao meio da Ponte, ele disse que eu podia olhar. Era a vista mais bonita que eu tinha visto de NY! Era uma coisa absolutamente inigualável! Eu estava completamente esvaziada nesse momento. Nem Sem face, ou Ex-namorido, éramos eu e NY, uma olhando pra outra como se nunca tivessem visto. Eu morava naquela cidade a 2 anos e nunca havia viso aquilo. Era uma calma estranha, era a certeza de inúmera possibilidades acenando pra mim. Eu só conseguia ver, ouvir e senti NY. Não importava com quem ou por que, aquele era o meu lugar, a minha cidade, a vida que eu tinha escolhido pra mim e eu não ia deixar com que ninguém deixasse eu me esquecer daquilo. Eu era de NY e NY era minha, a minha cidade.
Uma energia estranha voltou pro meu corpo. O Sem face balbuciou algo que eu não entendi por não prestar atenção, mas eu sorri em gratidão, pelo carinho pela compreensão e pelo presente!

Madame Bovary


Acordei com o som do meu alarme martelando a minha dor de cabeça! Senhor, que ressaca! Eu estava usando a mesma roupa da noite anterior. Calcei minhas botas e olhei pro lado. Ele realmente se beneficiava da ausência de luz. De manhã cedo, a luz do dia de cabelo atrapalhado, ele me fazia pensar o que eu estava fazendo ali. Quase que adivinhando meus pensamentos, ele despertou! Olhou pra mim e riu escondendo a cara de quem sabia que aquela não era a sua melhor hora do dia. Ele se arrastou na cama e me alcançou, pos a cabeça no meu colo enquanto arrumava o cabelo.
Enquanto olhava pra ele, eu alternava sentimentos de ternura e falta de paciência. A noite tinha sido boa. Nada de mais tinha acontecido, ele não tinha tentado nada. Um rapaz respeitador, eu pensei comigo! Foi tudo que eu consegui formular na minha cabeça até que meu alarme soasse de novo.
Me despedi, ele me pediu que esperasse, calçou o sapato e desceu comigo até a rua onde ele parou um táxi e abriu a porta do carro pra que eu entrasse.
No táxi a caminho do aeroporto, eu pensava no nervosismo que minha mãe deveria estar sentindo, pois chegaria a NY pela primeira vez . Meu estômago embrulhava no caminho! Cheguei no aeroporto e fui ao banheiro me olhar no espelho. A cara que minha mãe viria ao desembarcar, era minha cara de ontem!
Depois de 40 minutos de espera, eu vi minha mãe. Mil beijos, entramos em um táxi e fomos pra casa. Ela tomou um banho e caiu no sono. No meu celular a mensagem dizendo que ele esperava que minha mãe estivesse chegado bem e que a noite tinha sido ótima.
Tudo ia bem. O Ex-namorido disse que queria levar minha mãe pra jantar. Eu dei as indicações de como chegar pra minha mãe ao local de encontro e marquei a hora com o Ex-namorido. Nós nos encontramos na saída do metro onde minha mãe deveria sair. Esperamos por volta de 20 minutos e nada. Foi quando meu celular tocou. Era minha mãe. Ela estava perdida. Pegou o trem na direção errada e em vez de vir pra Manhattan foi parar em nos cafundós do Brooklyn. Falei pra que pegasse o metro vindo pra Manhattan. Fomos nos sentar pra esperar, 40 minutos depois minha mãe aparece do outro lada da rua!
Finalmente chegamos ao restaurante. O Ex-namorido passou o tempo todo me abraçando e dizendo como eu era uma gracinha, e como ele tinha saudades, minha mãe boiava. Quando ela foi ao banheiro, ele tentou pegar na minha perna por baio da mesa. Eu irritada disse que parasse! Eu disse que sentia muito ter tido que terminar tudo, mas que as coisas estavam indo muito depressa pra ele, mas que ele me amava. Eu olhava pra ele e me lembrava do Sem face olhando pra mim.
Eu disse que eu não estava esperando por ele, e que se ele não queria ficar comigo, que me deixasse em paz. Ele respondeu em tom brincalhão que sabia que eu não ia esperar por ele. Que o pior dia da vida dele seria quando eu aparecesse de namorado novo, mas ele completou: “Mas o que vai acontecer é que quando eu estiver pronto, eu vou lutar por você e vou ganhar você de volta” A única coisa que eu podia dizer, eu disse:”Really?”
Cheguei em casa e abri meu e-mail. O Sem face dizendo que não conseguia esperar pelo dia que iria poder me beijar de novo!
Um sorriso de canto de lábio se formou no meu rosto, dos meus lábios cansados se esboçaram duas palavras: Madame Bovary!

sexta-feira, novembro 02, 2007

Gente!!!!!!! Eu sei que eu tô muito sumida, mas é que o tempo tá muito curto, mal dá pra dormir! No fim de novembro, eu devo ter um tempinho, prometo cuidar do Coisas de Laurinha. Tento avisar os leitores frequentes quando isso acontecer!
Mil beijos e perdão pela falta de textos novos!

terça-feira, agosto 28, 2007

Lady’s Night!



Era sexta feira, minhas amigas tinha ido embora, eu finalmente tinha conhecido a Face Misteriosa, mas descansar que é bom nada! E lá ia eu cumprir uma missão social! Eu tinha marcado a uma semana, de encontrar com minha amiga da Republica Checa, mas com a notícia da noite passada sobre a mãe do meu amigo que tinha tido um derrame, eu teria que rever meus planos.
Cancelei os planos com minha amiga no meio da tarde. Eu estava bem triste pelo meu amigo, mas a verdade era que ele não era assim lá muito meu amigo. Ele era aquele tipo de cara que te convida as vezes pra um drink que sempre diz que a gente devia sair mais vezes, mas que na verdade eu só vejo quando é necessário! Esse cara, no seus trinta, é o tipo de carinha feioso que tenta conseguir atenção sendo super engraçado, o problema é que a gente não tem o mesmo senso de humor! Então quando eu marquei de sair com ele, eu já sabia que ia ser, ele forçando a barra, eu fingindo que acho engraçado e inventando mil desculpas pra ir embora cedo.
Desça vez a desculpa caiu no meu colo de forma inesperada. Eu sai do trabalho e liguei pra o carinha. Disse que estava saindo do trabalho e dei o endereço de onde ele deveria me encontrar! Se eu ia ter que ficar a noite toda com o mala, pelo menos que fosse num lugar agradável, bebendo o que eu gosto de beber! Ele disse que estava um pouco atrasado, mas disse que chegaria lá em breve. A caminhada do escritório para o bar era um pouco longa, mas o clima era perfeito para o desfrute do trajeto. Resolvi ligar para outra de minhas amigas, no caminho, pra saber como ela estava. Era a minha amiga Chechena. Eu liguei e perguntei o que ela estava fazendo. Ela me disse que estava na manicure! O que? A Chechena na manicure? Eu não vou a manicure em NY, por que eu acho ridículo pagar 50 reais pra pitarem minha unha que vai lasca em dois dias! O que a minha amiga que geralmente é mais mão de vaca que eu estava fazendo na manicure? Eu brinquei: “ Que chic você na manicure!” A resposta veio tristonha e seca:” Hoje é meu aniversário”. Ai que merda! Esqueci o aniversário da menina e ainda dou uma mancada dessas. Pra piorar a situação eu já tinha marcado de sair com o Mala!
Expliquei pra ela sobre a mãe do meu “amigo” , mas disse que ia ficar algumas horas com ele e que encontraria com ela logo em seguida!
Lembrei que o cara estava atrasado.Achei ótimo! Assim, em vez de correr pra encontra-lo, eu podia passar com calma pelo Soho e comprar pra minha amiga um presente pelo seu aniversário!
Bati perna e nada de achar algo! Desisti e resolvi apelar pra flores. Cheguei no bar e meu humor melhorou. É um dos meu lugares favoritos de NYC, É um jardinzinho... a comida não é lá essas coisas mas os drinks... e aquela era definitivamente uma noite pra drinks! Aquela noite era a das Frozen margaridas, eu experimentei pelo menos 3 sabores diferentes enquanto esperava pelo meu amigo atrasado. O garçom, um tatuadão altamente coisado*( agora vocês já sabem o que é coisado!), encostou na minha mesa e perguntou: “Você ta esperando por uma amiga, né? Por que eu não acredito que exista um homem no mundo que ia deixar você esperando esse tempo todo!” Sorte do garçom que eu só tava no terceiro drink, por que se fosse o quarto ou quinto, talvez eu tivesse perguntado se ele gosta de “Canto!”. Eu disse que esperava por um homem, mas que só era um amigo, completei dizendo que se fosse um encontro, eu já teria ido embora!
Meu amigo finalmente chegou, desinteressante como sempre! Se não fossem as frozen margaridas, eu nem sei o que seria de mim! No meio da nossa conversa, eu vi que tinha recebido uma mensagem. Não olhei a mensagem pra não faltar com educação, mas quando meu amigo saiu pra fumar um cigarro, eu não hesitei. Era o Sem Face! Perguntando como eu estava e dizendo que queria me ver de novo quando eu quisesse. Respondi dizendo que estava com esse amigo muito mala, mas que encontraria minha amiga que estava aniversariando, disse que eu ligaria pra ele quando saísse de lá. Durante o martírio da conversa sem fim com meu amigo metido a engraçado, eu recebi mais ou menos umas 3 mensagens, até que enfim, meu telefone toca. Era minha amiga aniversariante. Eu me desculpei e disse que tinha que atender, uma vez que ele já sabia que eu iria encontrar-la.
Minha amiga estava extremamente nervosa! Ela tinha originalmente saído com um casal amigo dela e o casal tinha inventado de brigar, agora era estava na noite do aniversário dela no meio de uma briga de casal.
Eu expliquei a situação pro meu amigo, muito contente por ter um motivo pra terminar aquele encontro das trevas mais cedo do que o esperado! Peguei minhas flores e fui encontrar minha amiga. Eu desci do táxi avistei a louca no meio da rua com cara de choro. A expressão se desfez assim que ela me viu com as flores! Eu perguntei o que havia acontecido e a situação era mais tragicômica do que eu esperava.
Minha amiga é gay, quer dizer, ela está saindo do armário agora! O casal de amigos resolveram então levar a aniversariante pra um clube de striptease. No meio da noite o amigo comprou uma Lap dance pra minha amiga. Lap Dance pra quem não sabe, é quando você vai pra um quarto particular com a striper e ela dança só pra você. Minha amig,a morrendo de vergonha, disse que não iria. A sua amiga não se fez de rogada, uma vez que seu namorado tinha pago pela seção, foi ela! O namorado meio desconcertado não disse nada até o momento em que a namorada saiu da saleta com o numero do telefone da striper! Ai a casa caiu! Eles saíram do Strip Club as berros e minha amiga junto. Ela também foi obrigada a acompanhar a briga que se estendeu ao carro! No meio da confusão a namorada assanhada se revoltou e desceu do carro enquanto ele estava parado no sinal e foi embora, deixando minha amiga com o namorado que bufava de raiva. Essa foi a hora que ela me ligou. Eu disse que ela saísse do carro, me dissesse onde estava que eu iria encontra-la.

Sugeri que ela esquecesse a primeira parte da noite e me dissesse o que ela queria fazer! Ela respondeu empolgada: “Vamos pra um bar de lésbicas!” Ai,ai,ai,... lá ia eu dar uma de boa amiga, e olha no que eu tinha me metido. Ela disse que sabia de um, mas ela nunca tinha ido. Ela estava morrendo de fome então paramos numa lanchonete no lado do bar para que comesse antes de entra. Foi quando eu lembrei que eu não tinha ligado para o Sem Face.
Ele atendeu o telefone e perguntou onde eu estava, eu disse, mas alertei que nós esteávamos indo a uma boate de lésbicas. Ele não se importou. Em dez minutos chegou e nós fomos ao bar. A entrada de homens era proibida. Minha amiga choramingou na porta dizendo que era seu aniversário e o porteiro finalmente nos liberou.
O lugar era visão do inferno! Só mulher! O pior não era isso, era a agressividade das mulheres. Um lugar infestado de mulheres agindo como homens. No balcão do bar uma garota dançando de biquíni enquanto as clientes colocavam notas de dólares em sua calcinha! Absolutamente diferente do que eu esperava!
O Sem Face se ofereceu pra comprar as bebidas. Voltou e começamos a conversar os três enquanto minha amiga me agradecia repetidas vezes por salvar a noite do seu aniversário. A felicidade dela amenizava o desconforto que eu sentia em estar naquele lugar.
Eu e o Sem Face começamos a conversar enquanto minha amiga dançava com uma menina. Em pouco tempo, sua amiga fujona, a que tinha saído correndo do carro, apareceu com outras amigas e se juntou a ela. Foi quando eu vi que minha função estava cumprida.
Me despedi, disse que teria que acordar cedo no outro dia. Minha amiga me abraçou e me agradeceu muito pela noite!
Sai com o Sem Face do lugar que me olhou e me disse: “Well, that was an adventure!” Ele parou um táxi e nós entramos. Ele disse o endereço pro taxistas e eu perguntei onde nós íamos. Ele disse que pra outra aventura. Eu ri e não perguntei mais nada. Chegamos ao lugar. Sai do táxi e o acompanhei. Ele encostou em uma portaria. Eu perguntei se era a casa dele. Ele disse que sim. Eu fiz uma cara de quem não sabia se queria entrar ali. Ele sorriu, passou a mão na minha cintura, me abraçou e finalmente me beijou! Sem parar de me beijar ele abriu a porta do prédio e nós entramos!

quarta-feira, agosto 22, 2007

Ai, os homens brasileiros...


Eu sei que o que você deve estar esperando ler é sobre a continuação da história do Sem-Face, mas eu vou ter que escrever sobre um outro acontecimento antes de eu voltar ao romance.
No prédio onde eu trabalho, várias vezes eu tive a impressão de ter ouvido alguém falando português no corredor. Como eu estava sempre na minha sala, e eu nunca realmente vi quem era que estava falando, bem de longe, eu achei que eu estava ficando louca.
Quando nós terminamos a filmagem desse filme em New Jersey,estado visinho a NY, nós tínhamos que ir pra Montana, pra filmar o resto do filme. Esse manhã eu tinha que estar cedo no escritório, por que o caminhão que tinha o guarda roupa estacionaria em frente ao escritório. Eu teria que tirar todas as roupas de dentro do caminhão, para transferir pra o outro caminhão que viajaria para Montana. Eu estava cansada, mas com ótimo humor. Na noite anterior, eu tinha ido ao show to Daft Punk, e tinha dançado a noite toda. Nem a chuva torrencial que caia tinha estava afetando meu humor. Peguei emprestado do figurino do filme um bulsão de moletom com capuz pra não me molhar muito no processo de troca de caminhão e fui.
Quando eu estou em frente ou elevador esperando pra sair do prédio, eu descobri de onde o português, que tantas vezes eu ouvira, vinha! Uma das salas no meu andar estava sendo reformada e os pedreiros eram todos Brasileiros. Eles esperavam pelo elevador do meu lado, eram uns cinco. Eles esperavam o elevador para subir, e eu para descer!
Eles conversavam sobre várias coisas quando eu ouvi: “Nossa é muito gostosa ...” “??????” , eu pensei. O outro respondeu:” Nossa ela é muito gostosa, ela ta me matando com esse blusão hoje por que ela tem uma bundinha muito gostosa, é uma coisa”.
Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa o elevador deles chegou e eles entraram subiram ainda falando da minha bunda!
Eu fiquei no meio do corredor bufando de raiva! Pensando em todas as coisas eu queria dizer pra ele. E pensando por que eu não consegui pensar em tudo aquilo quando eles ainda estavam na minha frente!
Mais tarde aquele dia minha amiga brasileira que mora em Boston me ligou. Eu compartilhei com ela o acontecimento do dia. Ela riu e disse : “Esses homens brasileiros não tem jeito..” Ela me contou uma história sobre dois brasileiros que tinham sido presos na cidade dela, pra matar a comunidade brasileira de vergonha.
Um proprietário de cabras estava incomodado com o barulho que suas cabras estavam fazendo a noite. Reclamou para a policia, que resolveu instalar câmeras noturnas pra saber o que afligia as pobres cabras. Eu daria qualquer coisa pra ver a cara do policial que assistiu as filmagem daquela noite: dois brasileiros faziam visitas noturnas as pobres cabras todas as noites. Os dois foram presos como estupradores de cabras!
Agora quando ele voltarem ao Brasil e alguém perguntar o que eles foram fazer nos Estados Unidos, o que eles vão dizer? Comer cabra!

quinta-feira, agosto 16, 2007

"Disseram que eu voltei americanizada..."

Quinta feira veio! Minhas amigas já tinha ido embora e a casa parecia tão vazia... Eu sai de dia e não tinha ninguém de quem me despedir, nenhuma instrução pra dar e eu me senti só! Sai de casa cedo pro trabalho e eu sabia que não ia ter tempo de voltar em casa antes de poder encontrar o Sem Face. Levei o meu sapato alto na bolsa e uma maquiagem básica pra rápidos retoques. Eu estava nervosa, mas não pelos motivos e você ficaria normalmente nervosa em um primeiro encontro. Era a primeira vez que eu estava saindo com alguém com alguma intenção real depois do namorido. Eu sai algumas vezes com o Marinheiro, mas era só pra manter meus pensamentos longe do namorido e do caos que ele tinha criado na minha vida de uma hora pra outra. Agora era diferente, eu estava convencida de que o namorido não voltaria mais pra mim. Mesmo que ele estivesse sempre por perto e sempre me adulando, ele sempre arrumava um jeito de dizer que lamentava ter que terminar comigo, mas era um mal necessário. Eu tinha me convencido de que o negocio era a fila andar!
Eu praticamente não havia falado com esse menino, tinham sido algumas mensagens pra combinar dia, hora e adjuntos. Ele pediu que eu mandasse uma mensagem dizendo quando eu sairia do trabalho. E assim o fiz. Tive que encontrar a assistente de figurino pra levar umas roupas pra ela antes de ela ir pra casa. As roupas teriam que ir com ela na manhã seguinte pro set. Eu tinha milhões de sacolas comigo e ela mesma já tinha uma carga considerável, me ofereci pra ajudá–la a terminar as compras e coloca-la dentro de um táxi. Ela agradeceu. O único problema, era que como eu já tinha saído do escritório, eu já tinha mudado de sapato, e estava de salto alto!
Embarquei a chefe no táxi e tratei de ligar por Sem Face, mas caiu na caixa postal. Era só o que faltava, pensei, o que eu ia fazer agora, no meio da rua esperando o menino! Entrei no café e mandei uma mensagem de texto. Ele me respondeu, disse que estava em um show a trabalho, mas o show estava prestes a terminar e ele me ligaria. E ele ligou, pediu desculpas por me fazer esperar e perguntou onde eu estava . Eu respondi e ele marcou de me encontrar em Union Square, que era perto de onde eu estava.

Andei um bocado pra chegar no lugar marcado. Sentei nos degraus de Union Square junto da multidão que sempre ocupa a praça durante o verão. Em alguns minutos, um cara carregando uma maleta para na minha frente, ele era um Peformer. Começou a chamar a atenção do “púbilco” e começou o seu show. No início eu fiquei um pouco incomodada. Achei que o cara era meio chato de princípio, mas ele era muito bom e extremamente engraçado. Lembrei dos meus tempos de teatro, deu uma saudade de Belo Horizonte, dos Festivais Internacionais de Teatro, Quadrinhos e Circo...quando eu já estava quase sendo sugada pelo túnel do tempo, meu celular tocou, era ele. Olhei ao redor antes de atender o telefone. Se eu visse ele falando no telefone antes de eu atender, talvez desse tempo de eu ver seu rosto no claro, assim, se ele fosse um dragão, eu podia fugir de mansinho! Avistei alguém de longe no telefone que parecia com ele, pelo menos do que eu me lembrava dele. Atendi o telefone enquanto observava ele de longe. Ele atendeu meio sem jeito preocupado: “Não faço idéia de como eu vou te encontrar aqui, esse lugar está lotado!” O pobre coitado não tinha idéia de com que estava se metendo, mal sabia ele que já estava sedo, meticulosamente, observado a distância! Eu perguntei se ele estava usando uma camiseta pólo preta. Ele olhou pra própria camiseta e eu pude confirmar que era ele mesmo. Eu disse que ficasse parado que eu já o havia avistado. Desliguei o telefone e caminhei devagar em sua direção. Ele olhava pra todos os lados, mas só pode me ver quando eu já estava bem perto.
Ele parecia entusiasmado e um pouco nervoso ao mesmo tempo. Eu fiquei olhando pra cara dele pra saber se eu achava ele bonito ou feio. Ele era o tipo de pessoa que leva um tempo pra você formular uma opinião! Já era um começo, pelo menos ele não era um dos que a feiúra assusta!
Meu telefone tocou, era um amigo que eu conhecia de outro trabalho. Pedi licença e atendi, esse cara sempre me indicava pra trabalhos e eu achei que era indelicado não atender. Ele estava me perguntando o que eu estava fazendo. Dize que tinha acabado de encontrar alguém. Ele me contou que ia voltar para o Kansas, de onde ele é. Ele ficaria uma temporada ajudando a mãe que acabara de ter um derrame. Disse que sentia e que poderia vê-lo no dia seguinte depois do trabalho.
Desliguei o telefone e me desculpei. Ele entendeu e perguntou o que eu queria fazer, eu diz, qualquer coisa, mas o que eu queria dizer era: “Qualquer coisa sentada por que eu estou usando esse sapato lindo de morrer, mas ele é alto de mais pra bater perna!” Claro que eu não ia dizer nada do tipo, eu não queria dar uma mala assim de cara.
Ele disse que ia me levar num lugar legal. A gente entrou no metro e foi. No caminho a gente foi conversando sobre o que cada um fazia da vida. Ele trabalhava numa empresa que agencia músico, nem seu se esse é o melhor jeito de descrever o que ele faz, mas enfim...Chegamos no tal lugar. Nesse momento ele já estava sendo considerado mais pra bonito que pra feio. Ele disse que tinha que me mostrar uma fonte, a sua fonte preferida. “???????” foi o que passou pela minha mente. Quem nesse mundo de Deus tem um Fonte Preferida? Andamos em direção a uma praça e por entre as árvores, eu podia ver uma luz que, modesta e inconstante, iluminava o cair da noite. Nós fomos nos aproximando, a luz era fraca e eu só pude realmente ver do que se tratava quando eu já estava na frente da tal fonte. Eu tinha que admitir, era linda!
A fonte era bem antiga, nada suntuosa, mas extremamente delicada. Em vez de lâmpadas, o que iluminava a fonte era lamparinas bem grandes. Me perdi por alguns segundos vendo a água jorrar tão perto do fogo, cujas labaredas eram movidas pelo vento.

Quando eu me mudei pra NY, o ex-namorido não gostava de fazer planos. Sempre que eu perguntava o que a gente ia fazer, ele dizia que ia ver o que os amigos dele estavam fazendo, poucas vezes ele me levou pra conhecer lugares, ou pra fazer coisas que ele achasse que eu ia gostar. Muitas vezes até ele mesmo se surpreendia quando, em uma conversa displicente, depois de meses que eu estava em NY, ele descobria que não havia me levado a certos lugares. E lá estava eu com esse estranho, que só havia ganho uma Face a poucas horas, e já dividia comigo a sua fonte preferida.
Depois de alguns minutos de convers,a praticamente a luz de velas, ele me perguntou se eu queria jantar. Eu disse que sim. A gente andou milhares de quilômetro ( pelo menos era o que os meus pezinhos apertados no meu salto alto sentiam) até chegar nesse restaurante italiano. Eu tenho que admitir que ele não ganhou muitos pontos com o restaurante, mas também não perdeu. Eu disse que ia beber vinho e perguntei se ele me acompanharia. Ele disse que sim , mas admitiu que não era muito acostumado a beber. Eu fiz algumas perguntas básicas para tentar descobrir que tipo de vinho ele iria gostar e pedi dois copos de Sauvignon Blanc.
O vinho iniciou um assunto novo. Ele me contou sobre o dia em que me conheceu. Ele admitiu que estava muito bêbado quando me viu. Eu não reparei, respondi. Foi quando ele completou com a primeira coisa fofa que entraria pra lista do Sem Face. Era aniversário de um amigo no dia em que ele me viu no Dark Room. Ele já estava na rua a horas, e segundo ele, poucos drinks já são mais que suficiente pra fazer o mundo rodar. Ele disse que quando entrou no lugar, estava muito bêbado, mas quando me viu, de repente, ficou sóbrio! Ele disse que foi a coisa mais estranha do mundo. Até esse momento eu ainda não sabia se eu achava o comentário gracinha, ou se aquilo era só estratégia de primeiro encontro.
Depois de jantar, ele perguntou se eu estava pronta pra dar uma volta. Eu disse sim, eu menti! Eu queria fazer qualquer coisa menos andar! Eu ficava pensando que minha sandália rasteira estava no escritório e no quanto que eu queria que ela estivesse na minha bolsa. Esvaziei a mente e resolvi pensar em outras coisas. Não foi muito difícil, ele andava comigo em Downtown, na beira da água. Conversamos horas, ele me mostrou várias outras coisas, nenhuma tão bonita quanto a fonte e assim eu caminhei mas alguns milhões de quilômetro. Finalmente eu me rendi e, em frente da água em um lugar com vista extremamente privilegiada , eu perguntei se ele queria sentar.
Depois de me mudar tantas vezes de cidade, e dos quatro anos de faculdade trabalhando igual um jumento emprestado, eu não preciso me preocupar com falta de assunto no primeiro encontro. Ele por sua vez também não enfrentou problemas em continuar uma conversa... quando nos demos conta, já era tarde.
Ele se mostrou bastante decepcionado quando eu disse que tinha que ir embora. Eu me justifiquei dizendo que trabalhava cedo e que já estava com o sono muito atrasado pro ter saído as últimas semanas com minhas amigas. Ele entendeu.
Eu me vi indo pra casa depois de ter passado a noite inteira com esse menino, sem um beijo. Me senti como a Carmem Miranda: “ disseram que eu voltei americanizada...” Pra quem está acostumada a Ficar, primeiro e pensar se dá o telefone depois, toda aquela prorrogação, era algo novo! Senti a apreensão dele enquanto ele abria a porta do carro. Eu sabia que expressão era aquela, era dúvida! Ele não sabia se eu ia desaparecer no mundo e nunca mais atender o telefone, ou se eu ia ligar e sair com ele de novo... Eu tentei resolver com um abraço, disse que tinha adorado a noite e que a gente se veria de novo., mas eu vi no seu rosto que ele ainda não estava convencido. Entrei no táxi e mandei uma mensagem dizendo que eu sentia ter que ir, e que eu esperava ouvir notícias. Ele respondeu dizendo que com certeza eu ouviria notícias dele!

quinta-feira, agosto 09, 2007

Algumas coisas são coisadas, outras não!

O começo da semana passou rápido. As meninas estavam quase indo embora quando eu me lembrei que uma das minhas amigas não podia ir embora sem antes resolver uma pendência. Ela havia conhecido esse italiano na internet em um site de viajantes. Ela disse que estava indo pra NY e ele estava passando uma temporada aqui. Eles tentaram se encontrar algumas vezes, mas nunca dava certo. Finalmente a gente resolveu fazer as coisas darem certo, a minha amiga ia conhecer o tal Italiano. Minha amiga tem essa idéia na cabeça dela que todo homem italiano é bonito, quando eu perguntei como esse era, a resposta foi inesperada: “Não sei!” Como assim? Eu pensei... Ela disse que a foto no tal site onde ela tinha conhecido ele era muito pequena, não dava pra saber muita coisa. Era só o que me faltava? Um segundo Homem Sem Face.
Resolvemos que íamos ver o menino, se ele fosse uma carniça de feio, alguém inventava uma desculpa esfarrapada pra ir embora. Eu falei pra ela: “Se o bofe não for coisado eu finjo que vou desmaiar” Coisado, pra quem não sabe, é a gíria utilizada entre eu e minhas amigas que significa absolutamente qualquer coisa. Nesse caso, coisado quer dizer bonito.
Depois de muita confusão, a gente indo pra um lugar e ele pra outro tentando se encontrar, finalmente a gente chegou no Bar onde o infeliz devia estar. Minha amiga ligou pra ele e ele disse que estava chegando. Nós 3 ansiosa olhando pra qualquer infeliz que cruzasse a porta do bar. De repente entra no bar esse baixinho barrigudinho com uma camisa de botão laranja fluorescente! Ele com certeza não combinava com a idéia que minha amiga tinha de homem italiano... O rapaz estava ficando careca e tinha uma textura de pele esquisita. Rapaz definitivamente não era coisado! Agora, se tem uma coisa com que eu não me meto, é com gosto alheio, como eu não sabia se minha amiga tinha gostado daquilo ou não, eu segurei minha cara de limão azedo! O rapaz se sentou e começou a conversar com a gente com seu inglês macarrônico, literalmente. Eu conheço gente de tudo quanto é buraco do mundo nessa cidade, isso que dizer que eu já ouvi todos os sotaques que você possa imaginar de inglês, mas nunca um sotaque me irritou tanto quanto o desse menino. Na verdade não era irritação que me deu, foi só uma vontade crescente e incontrolável de tirar onda com a cara dele. Pra uma pessoa como eu, que sempre tive gente me gozando por causa de sotaque, aquela vontade incontrolável de sacanear alguém pelo mesmo motivo eu sempre fui sacaneada tantas vezes, era inesperado.












Deixei o inglês macarrônico interagir com o “feioadônico” pra ver se eu conseguia pegar alguma reação da minha amiga, mas nada. O infeliz além de feio era um mala. Aquele sotaque italiano falando aquele tanto de besteira já estava me dando nos nervos, sem falar não dor de cabeça que a camisa fluorescente estava me dando. Ele tirou um macho de cigarros do bolso e perguntou se a gente fumava. Nessa hora eu sorri pela primeira vez, ele não só estava oferecendo cigarros pra mim que sou alérgica aquelas porcarias, mas também pra minha amiga que é asmática! Agradeci e disse que não. Ele saiu do bar pra fumar, por que em NY é proibido fumar em bares de boates, você tem que sair e voltar quando terminar.
Era a oportunidade que a gente esperava. O menino saiu do bar e minha amiga disse : “Qual das duas ai é a que vai desmaiar mesmo?” Eu respirei aliviada! Eu me prontifiquei a terminar aquela dolorosa conversa o mais rápido possível. O menino voltou, e eu comecei a boceja e a dizer como essas duas semanas que elas estavam aqui eu tinha saído todo dia e que eu estava morta de sono, blábláblá... Eu disse que ia que ter que ir embora, mas que as meninas podia ficar SE... elas achasse que davam conta de ir embora sozinhas pra casa. A minha amiga pegou logo a deixa e disse que nem morta ia pegar metro sozinha de noite em NY pra depois se perder... como se ela já não tivesse passado as duas semanas anteriores fazendo isso todo o dia, hahah Eu disse que ia pegar um táxi e o rapaz foi nadando com a gente ainda tentando convencer minha amiga a ir a uma boate com ele. Eu não me agüentei nessa hora e comecei a imitar o sotaque italiano dele. Ele demorou umas 5 frases até entender que eu tava tirando onda com a cara dele.
Entramos no táxi e minha amiga respirou aliviada e triste ao mesmo tempo com a descoberta: Nem todos os italianos são coisados.

Vocabulário coisado:
O que quer dizer coisado? Se depois de ler esse texto, você ainda está confuso/a sobre o que coisado quer dizer, eu explico!
Por exemplo, se você vê um carinha pela primeira vez e sua amiga pergunta: “E ai? É coisado?” Ela quer saber se o cara é bonito ou não. Se o bofe em questão for tipo Brad Pitt, você responde: “ Coisadíssimo” ou “ Ave Maria mermã, uma coisa coisada o menino!”
Se o bofe for estilo Tiririca a resposta seria: “ Não é coisado de jeito nenhum essa coisa!”
Se você saiu com o Brad Pitt pela primeira vez e vocês ficaram e sua amiga perguntar: “Coisado?” Nesse contexto a palavra muda de significado. Aqui sua amiga está perguntando se o menino beija bem, ou se sabe dar uns pegas. Se você estiver saindo com o estilo Brad Pitt a resposta esperada é: “ Altamente coisado!...” Agora se você e o Brad Pitt continuarem a sair e as coisas estiverem esquentando entre vocês, sua amiga vai perguntar: “E ai menina? Não coisou ainda não?” Nessa sentença, sua amiga quer saber se vocês já fizeram sexo. Agora se você tem uma amiga indiscreta, talvez ela pergunte: “E a coisa, é coisada? Ai você responde que, como uma lady, você não vai entrar nesses detalhes!

O começo da semana passou rápido. As meninas estavam quase indo embora quando eu me lembrei que uma das minhas amigas não podia ir embora sem antes resolver uma pendência. Ela havia conhecido esse italiano na internet em um site de viajantes. Ela disse que estava indo pra NY e ele estava passando uma temporada aqui. Eles tentaram se encontrar algumas vezes, mas nunca dava certo. Finalmente a gente resolveu fazer as coisas darem certo, a minha amiga ia conhecer o tal Italiano. Minha amiga tem essa idéia na cabeça dela que todo homem italiano é bonito, quando eu perguntei como esse era, a resposta foi inesperada: “Não sei!” Como assim? Eu pensei... Ela disse que a foto no tal site onde ela tinha conhecido ele era muito pequena, não dava pra saber muita coisa. Era só o que me faltava? Um segundo Homem Sem Face.
Resolvemos que íamos ver o menino, se ele fosse uma carniça de feio, alguém inventava uma desculpa esfarrapada pra ir embora. Eu falei pra ela: “Se o bofe não for coisado eu finjo que vou desmaiar” Coisado, pra quem não sabe, é a gíria utilizada entre eu e minhas amigas que significa absolutamente qualquer coisa. Nesse caso, coisado quer dizer bonito.
Depois de muita confusão, a gente indo pra um lugar e ele pra outro tentando se encontrar, finalmente a gente chegou no Bar onde o infeliz devia estar. Minha amiga ligou pra ele e ele disse que estava chegando. Nós 3 ansiosa olhando pra qualquer infeliz que cruzasse a porta do bar. De repente entra no bar esse baixinho barrigudinho com uma camisa de botão laranja fluorescente! Ele com certeza não combinava com a idéia que minha amiga tinha de homem italiano... O rapaz estava ficando careca e tinha uma textura de pele esquisita. Rapaz definitivamente não era coisado! Agora, se tem uma coisa com que eu não me meto, é com gosto alheio, como eu não sabia se minha amiga tinha gostado daquilo ou não, eu segurei minha cara de limão azedo! O rapaz se sentou e começou a conversar com a gente com seu inglês macarrônico, literalmente. Eu conheço gente de tudo quanto é buraco do mundo nessa cidade, isso que dizer que eu já ouvi todos os sotaques que você possa imaginar de inglês, mas nunca um sotaque me irritou tanto quanto o desse menino. Na verdade não era irritação que me deu, foi só uma vontade crescente e incontrolável de tirar onda com a cara dele. Pra uma pessoa como eu, que sempre tive gente me gozando por causa de sotaque, aquela vontade incontrolável de sacanear alguém pelo mesmo motivo eu sempre fui sacaneada tantas vezes, era inesperado.
Deixei o inglês macarrônico interagir com o “feioadônico” pra ver se eu conseguia pegar alguma reação da minha amiga, mas nada. O infeliz além de feio era um mala. Aquele sotaque italiano falando aquele tanto de besteira já estava me dando nos nervos, sem falar não dor de cabeça que a camisa fluorescente estava me dando. Ele tirou um macho de cigarros do bolso e perguntou se a gente fumava. Nessa hora eu sorri pela primeira vez, ele não só estava oferecendo cigarros pra mim que sou alérgica aquelas porcarias, mas também pra minha amiga que é asmática! Agradeci e disse que não. Ele saiu do bar pra fumar, por que em NY é proibido fumar em bares de boates, você tem que sair e voltar quando terminar.
Era a oportunidade que a gente esperava. O menino saiu do bar e minha amiga disse : “Qual das duas ai é a que vai desmaiar mesmo?” Eu respirei aliviada! Eu me prontifiquei a terminar aquela dolorosa conversa o mais rápido possível. O menino voltou, e eu comecei a boceja e a dizer como essas duas semanas que elas estavam aqui eu tinha saído todo dia e que eu estava morta de sono, blábláblá... Eu disse que ia que ter que ir embora, mas que as meninas podia ficar SE... elas achasse que davam conta de ir embora sozinhas pra casa. A minha amiga pegou logo a deixa e disse que nem morta ia pegar metro sozinha de noite em NY pra depois se perder... como se ela já não tivesse passado as duas semanas anteriores fazendo isso todo o dia, hahah Eu disse que ia pegar um táxi e o rapaz foi nadando com a gente ainda tentando convencer minha amiga a ir a uma boate com ele. Eu não me agüentei nessa hora e comecei a imitar o sotaque italiano dele. Ele demorou umas 5 frases até entender que eu tava tirando onda com a cara dele.
Entramos no táxi e minha amiga respirou aliviada e triste ao mesmo tempo com a descoberta: Nem todos os italianos são coisados.

Vocabulário coisado:
O que quer dizer coisado? Se depois de ler esse texto, você ainda está confuso/a sobre o que coisado quer dizer, eu explico!
Por exemplo, se você vê um carinha pela primeira vez e sua amiga pergunta: “E ai? É coisado?” Ela quer saber se o cara é bonito ou não. Se o bofe em questão for tipo Brad Pitt, você responde: “ Coisadíssimo” ou “ Ave Maria mermã, uma coisa coisada o menino!”
Se o bofe for estilo Tiririca a resposta seria: “ Não é coisado de jeito nenhum essa coisa!”
Se você saiu com o Brad Pitt pela primeira vez e vocês ficaram e sua amiga perguntar: “Coisado?” Nesse contexto a palavra muda de significado. Aqui sua amiga está perguntando se o menino beija bem, ou se sabe dar uns pegas. Se você estiver saindo com o estilo Brad Pitt a resposta esperada é: “ Altamente coisado!...” Agora se você e o Brad Pitt continuarem a sair e as coisas estiverem esquentando entre vocês, sua amiga vai perguntar: “E ai menina? Não coisou ainda não?” Nessa sentença, sua amiga quer saber se vocês já fizeram sexo. Agora se você tem uma amiga indiscreta, talvez ela pergunte: “E a coisa, é coisada? Ai você responde que, como uma lady, você não vai entrar nesses detalhes!

quarta-feira, agosto 08, 2007

As visitas trouxeram mais do que Havaianas de presente!

Um dia antes da festa de abertura das filmagens, minhas amigas chegaram do Brasil. Era a primeira vez que alguém vinha aqui me visitar. Minha prima tinha passado por aqui, mas a trabalho e muito rápido, mas minhas amigas ficariam por duas semanas.

Não precisa dizer que elas chegaram no dia que o bicho ia pegar no trabalho, era a sexta feira anterior a segunda que seria chamada dia ZERO. Dia zero foi o jeito que a HBO achou de economizar uns trocados no orçamento do filme. Era um dia de filmagem, mas não contava no cronograma de filmagem como o primeiro dia por que não ia usar não um dos atores principais. Os atores principais, só pra que se entenda, são os que tem fala, não só os mais importantes. É uma questão de contabilidade, se você fala em um filme, você é um principal se você não fala, é um extra, e principal ganha um tanto, e extra outro tanto bem menor! O dia Zero era na verdade o dia #1, mas como só tinha Extras, foi chamado dia Zero. Bem, dia Zero para os custos da produção por que pra nós do figurino, era o primeiro dia de filmagem, o que fazia do dia anterior a ele, o primeiro dia de caos...
Era uma sexta e até aquele dia, eu não tinha vivenciado os dias de 12 horas de trabalho. Eu geralmente chegava no trabalho as 9 da manhã e saia do trabalho as 6 da tarde o que é geralmente, uma dia bem leve de trabalho para padrões cinematográficos. Mas esse dia, como minhas amigas chegariam, claro que eu trabalhei as usuais 12 horas. Sai do trabalho as nove da noite e fui pra casa. Cheguei morta, depois de uma semana de trabalho pesado, carregando o caminhão do guarda – roupa, recebendo caixas e mais caixas de roupa vindas da Califórnia, eu queria uma caminha gostosa, mas eu sabia que isso não seria possível. Eu cheguei, dei beijinhos e abraços, tomei banho e sai com as meninas.
Levei elas pra experimentar a comida do restaurante grego que eu trabalhava. A comida estava ótima como sempre, o chefe, que é meio apaixonado por mim, como sempre mandou muito mais comida do que eu pedi pra minha mesa, mas depois de duas taças de vinho, eu estava quase morta!
Saímos do restaurante e fomos fazer o famoso LES- Lower East Side tour! Levei as meninas no lugar onde eu sempre ia com as amigas do restaurante depois do trabalho. O lugar é bem despretensioso, tem música boa e é bem no estilo LES, escuro e apertado! No meio da noite, o ex-namorido liga e diz que está no Dark Room.
A tradução literal de Dark Room é Quarto Escuro e é exatamente o que é. O Dark Room é um lugar que tem musica ótima, é pequeno e muito escuro, lugar perigosa pra caça! Eu como não estava com a mínima disposição pra caça, não pestanejei e fui, afinal, eu estava muito cansada, era bom ter alguém pra entreter as minhas amigas, que não fosse eu.
Quando chegamos no Dark Room, o ex-namorido estava só, os seus amigos tinham ido embora. Eu encostei no bar, sentei num banco e deixei o ex-consorte conversando com minhas amigas. Vários caras passaram e tentaram puxar assunto com elas, era quando eu tinha que ir explicar que elas não falavam muito inglês. Tirando alguns malas, a noite ia calma até a hora que o ex saiu de perto da gente pra ir comprar outro drink. Um menino passou por nós, e o fato de ele estar usando uma jaqueta num dia infernalmente quente, fez com que nós olhássemos pra ele, ele olhou de volta, mas parecia algo bem casual, não uma encarada. Bem, eu estava errada. Poucos instantes depois eu estava bem dêstraída quando uma pessoa se materializa na minha frente e diz : “Oi, meu nome é...” Eu, assustada, apertei a mão dele sem mesmo ter entendido o nome, que ele teve que repetir quatro vezes até que eu pegasse. Eu não tinha uma opinião formada a respeito dele naquele momento. Como o nome do ligar diz, nós estávamos num quarto escuro e o corte de cabelo dele, era tido cabelo na cara. Ele sem dúvida estava bem vestido, e era extremamente agradável. Ficou um bom tempo conversando, me disse que tocava numa banda. Um amigo passou por suas costas e falou algo do tipo: “ Não confia nesse cara não...” era o baterista da banda. Eu achei que o amigo bem fazia o tipo da minha amiga, então, quando a oportunidade apareceu, eu agarrei. Ele disse que ia tocar no outro fim de semana perguntou se nós queríamos ir. Eu disse sim. Trocamos telefone e ficamos de combinar.
Quando ele finalmente saiu de perto de mim eu olhei pra minha amiga e perguntei sobre ex-namorido. Achei que ele ia estar lá pra fazer alguma gracinha. Me enganei. Minha amiga disse que assim que ele voltou e me viu conversando com o carinha e foi embora sem se despedir.
Eu liguei pro ex-namorido, ele disse que tinha ido embora por que tinha começado a se sentir mal de uma hora pra outra e teve que sair correndo pra não vomitar no bar. Eu não engoli a desculpa.

O outro dia depois desse foi o sábado do qual eu já falei, o da festa de abertura das filmagens. No domingo eu troquei mensagens com o carinha. Eu estava altamente resitante em marcar qualquer coisa, eu realmente não conseguia me lembrar de ter visto direito o rosto do garoto, e se ele fosse um mostrengo na luz do dia? Ta certo que ele pareceu legal e tudo, mas eu também não tava a fim de descobrir que o menino era um jaburu depois que eu já tinha marcado de sair com ele! Falei que ele me mandasse a hora e lugar onde ele ia tocar no fim de semana, que eu ia fazer o possível pra ir.
A semana passou rápido e logo era sexta-feira, dia de ir ao show do Homem sem face. Eu estava tão nervosa. Durante toda a semana o ex-namorido esteve presente. Sempre me rodeando, mas toda vez que eu me aborrecia e perguntava qual era a dele, a resposta era a mesma: ele tinha saudades, me amava, eu sou tão linda, e ele sentia muito que a gente tinha que ficar um tempo separado, mas era o que ele tinha que fazer! O ódio misturado como que eu ainda sentia por ele, destruiu meu estômago e minhas noites de sono, mas tinha me feito resolver deixar o ex-namorido de mão e seguir em frente. Eu resolvi, mesmo que o Sem Face não fosse um deus grego, eu ia sair com ele! Eu definitivamente tinha que tirar o ex-namorido da minha cabeça antes de enlouquecer!
Antes do dia chegar ao fim o stress chegou no ponto alje e eu tive um começo de herpes! Sai correndo do trabalho pra ir no medico pra pegar a receita do remédio que eu tomo pra evitar as crises. Fui na farmácia e, felizmente, consegui tomar o remédio antes da crise se manifestar realmente. Duzentos dólares mais pobre e extremamente irritada, eu fui pra casa. O ex-namorido tinha ligado e dito que ia pra um festival de musica no cais do porto, estava perguntando se eu não queria que ele levasse as meninas, uma vez que eu não chegaria em casa a tempo. Eu pensei em minha amigas e disse sim, mas sabia que aquilo ia me complicar mais tarde.
Depois do conserto, ele levou as meninas pra um bar secreto chamado The Back Room, O quarto dos fundos. É uma entradinha pequena que parecia a entrada da cozinha do restaurante na porta do lado. Eu entrei, andei pelas laterais de um prédio, subi e desci umas escadas até achar uma porta. Quando eu abri, eu entrei nesse bar lindíssimo. Todo coberto de papel de parede, com lustres de cristal enormes, todo decorado como se fosse uma sala de chá em estilo francês com móveis antigos e tudo. Olhei nas mesas em busca de minhas amigas, reparei que todos bebiam em xícaras de chá, os que não bebiam em um xícara, eram os que bebiam cerveja, que era servida dentro de um saco de papel marrom. O bar era inspirado nos bares de época da lei seca, quando a venda de bebida alcoólica nos EUA era proibida. Quando eu entrei no bar eu vi que o show do Sem Face já haveria começado e eu ainda não tinha criado coragem de ir! Enviei um mensagem dizendo que tinha acabado de chegar em casa do trabalho e que não ia dar tempo de vê-lo. Ele respondeu quando saiu do show dizendo que se eu quisesse sair depois do show, e podia ligar pra ele. Eu não liguei. Fiquei um pouco com as minhas amigas, o ex-namorido e seu amigo e depois fomos pra casa. Escrevi pedindo desculpas e dizendo que se desse eu marcava outra coisa mais tarde na semana.
No sábado nós iríamos para o PS1. Eu nunca tinha ido, mas essa prometia ser a melhor festa do verão. O Moma, museu de arte moderna, tem uma galeria no Queens. Quando o Moma foi reformado alguns anos atrás, algumas obras foram transferidas pra essa galeria chamada PS1. O PS1 tem uma área externa onde, durante o verão, uma festa com bandas e DJs é realizada nos sábados durante o dia.

Saímos de casa e no caminho do PS1 meu celular tocou, era o Homem Sem Face. Eu atendi e comecei logo a me desculpar. Ele altamente tranqüilo disse que não estava me ligando pra me punir, só queria falar comigo. Eu disse que estava indo pro PS1 e ele disse que ia levar a mãe que estava aniversariando pra ver um show da Broadway. Eu disse que ele podia me ligar quando saísse do show se quisesse me encontrar. Ele disse que me ligaria.
A festa era tudo de bom. Nós chegamos cedo pra evitar a fila e aproveitamos pra ver as obras da galeria ante do bicho pegar! Foram horas e hora dançando igual umas loucas. Quando o sol estava pra se por nós fomos comer num restaurante lá por perto. Minha amiga que divide o apartamento comigo sabia dos esquemas pós- PS1. O que rolava era a festa na praia!
Praia? Eu pensei? Bem, no era uma praia, era na beira do rio e tinha área e tudo, mas não era uma praia como a gente conhece, era mais um porto. O mais importante era a vista de frente pra água, com Manhattan no fundo. Olhei meu celular e o Sem Face tinha deixado uma mensagem. Ele dizia que o celular estava quase sem bateria, e que talvez nnao pudesse ligar por isso. Minha amiga começou a rir. Era a minha velha bênção... o menino ainda não tinha ficado comigo e já estava me dando satisfação! Nessa hora eu me senti a Laurinha dos velhos tempos!
Pegamos o táxi aquático pra voltar pra Manhattan, de lá, nós pegamos um táxi. Quando eu estava no táxi, mandei uma mensagem para o homem sem Face. Minhas amigas iriam embora na quarta e minha mãe só chegaria no sábado. Eu precisava de um descanso por que trabalhando de dia e farreando de noite como eu estava por duas semanas, eu não agüentaria ir longe. Perguntei se ele queria me encontrar na quinta.
Na manhã seguinte eu acordei e vi uma mensagem de voz no meu telefone que dizia: “Quinta tá ótimo pra mim!”